A prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (foto em destaque) nos Estados Unidos se transformou no primeiro grande teste para a aliança política entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e a administração de Donald Trump.
Condenado pelo STF a 16 anos de prisão, o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi detido pelo serviço de imigração americano (ICE), colocando Washington em uma bola dividida que tem de um lado o presidente Lula e a Suprema Corte e, do outro, a família Bolsonaro, histórica apoiadora de Trump.
O pedido de extradição formalizado pelo Brasil coloca a Casa Branca diante de uma decisão simbólica. Se os EUA optarem pela deportação de Ramagem, o movimento representará o enfraquecimento da influência de Flávio Bolsonaro junto a Washington.
Em postagem nas redes sociais, o senador afirmou: “O ex-deputado e policial federal Alexandre Ramagem foi detido hoje pelo ICE por uma questão de natureza meramente imigratória. Ele possui um pedido de asilo em curso, está bem amparado juridicamente e há expectativa de que seja liberado em breve. No ano que vem, o Brasil deixará de ter presos, exilados e asilados por perseguição política. O país voltará a ser um exemplo de democracia.”
A eventual entrega de um aliado, portanto, enterraria a narrativa de Flávio Bolsonaro de que os Estados Unidos seriam um porto seguro contra o que classifica como perseguição política.
Asilo político
A concessão de asilo político, por outro lado, teria o condão de fortalecer os laços entre Trump e o clã Bolsonaro, validando a tese de “exílio” defendida pelo senador e ignorando a condenação criminal imposta pelo STF e endossada por Lula.
No entanto, tal decisão elevaria a tensão com o governo Lula e o Judiciário brasileiro, acentuando o desconforto diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista à coluna, Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende denunciar à Casa Branca eventuais irregularidades durante as eleições presidenciais deste ano.
Fonte: Metrópoles/Foto: Breno Esaki/Metrópoles
