O CEO global da Ford, Jim Farley, desembarca hoje em Washington para alertar membros do Congresso de que as tarifas de 25% propostas pelo presidente Donald Trump sobre Canadá e México — onde são produzidas peças da cadeia de suprimentos da indústria automobilística americana — poderiam “abrir um buraco” na indústria automobilística dos EUA.
O executivo também tem destacado que toda a recente onda de tarifas anunciadas por Trump, incluindo a taxa de 25% sobre aço e alumínio importados pelos EUA, está gerando incerteza para o setor. O aço, que deve ficar mais caro no mercado americano, é a principal matéria-prima das montadoras.
— O presidente Trump falou muito sobre fortalecer a indústria automobilística dos EUA — disse Farley, acrescentando que, caso isso se concretize, seria uma das “realizações mais marcantes” do governo. — Até agora, o que estamos vendo são altos custos e muito caos.
Carro pode ficar US$ 3 mil mais caro
Farley tem sido um dos líderes mais vocais da indústria automobilística dos EUA sobre os impactos de tarifas elevadas, que podem acrescentar US$ 60 bilhões em custos para o setor, segundo estimativas da consultoria AlixPartners.
Grande parte desse valor provavelmente será repassada aos consumidores, podendo elevar o preço dos veículos novos em cerca de US$ 3 mil (R$ 17,3 mil), de acordo com análises da Wolfe Research.
— Para sermos bem honestos, a longo prazo, uma tarifa de 25% sobre as fronteiras do México e do Canadá abrirá um buraco na indústria americana como nunca vimos antes — alertou Farley.
De acordo com um relatório de 3 de fevereiro do Brookings Institution, as exportações entre EUA, México e Canadá sustentam mais de 17 milhões de empregos e um imposto de 25% poderia resultar na perda de mais de 177 mil postos de trabalho nos EUA. Além disso, as exportações americanas de veículos cairiam 25% para o Canadá e 23% para o México caso as tarifas fossem implementadas.
Preocupações com subsídios e veículos elétricos
Farley também usará sua visita a Washington para alertar sobre a ameaça de desmantelamento da Lei de Redução da Inflação (IRA), legislação ambiental assinada pelo ex-presidente Joe Biden, que oferece subsídios federais para a construção de fábricas de veículos elétricos e baterias nos EUA.
A Ford está investindo bilhões de dólares na construção de fábricas de carros elétricos e baterias em Tennessee, Ohio, Michigan e Kentucky.
— Já investimos capital — disse Farley. — Muitos desses empregos estarão em risco se a IRA ou partes significativas dela forem revogadas.
GM tenta minimizar impactos
A CEO da General Motors (GM), Mary Barra, afirmou na conferência da Wolfe que a empresa pode “mitigar” de 30% a 50% do impacto das novas tarifas sem necessidade de grandes investimentos adicionais. Antes mesmo da posse de Trump em 2017, a GM já estudava maneiras de reduzir os efeitos de tarifas mais altas sobre sua operação.
— Sabemos quais medidas podemos tomar — disse Barra. — Se as tarifas durarem mais tempo, temos outras alternativas estudadas que podemos implementar de forma eficiente em termos de capital.
Em busca de respostas no passado
O CEO da AutoNation, Mike Manley, uma das maiores redes de concessionárias dos EUA, afirmou a investidores que está analisando as tarifas impostas por Trump em 2018, em seu primeiro governo, para prever como os novos tributos poderão afetar o mercado de carros no país.
— Houve impacto no mercado em termos de preço, o que afetou o volume de vendas — disse Manley.
No entanto, segundo ele, esse impacto foi “mitigado” em um ou dois anos, conforme os fabricantes reduziram custos e buscaram formas de estimular as vendas.
— Estamos correndo para gerenciar a empresa com profissionalismo — afirmou. — Estamos fazendo muito trabalho pesado.
Fonte: O Globo/Foto: Luke Macgregor/Bloomberg


