Dia dos Namorados enfrenta pressão da inflação em itens tradicionais

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A alta da inflação deve impactar diretamente nos preços dos presentes mais procurados para o Dia dos Namorados, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

O estudo mostra um aumento médio de 3,58% nos preços dos produtos, praticamente a mesma proporção da inflação geral apurada no mesmo período pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi de 4,05%.

Além disso, o estudo também revela que a inflação dos serviços subiu 6,11%, sendo a alta puxada pelos restaurantes, que registrou avanço de 7,38%. Também foram impactados itens como salão de beleza, com alta de 6,68%, teatro, com variação de 6,65%, e hotel, que cresceu 2,55%.

Para o economista Matheus Dias, o cenário de 2026 mostra uma aceleração clara da inflação de serviços, puxada sobretudo por restaurantes e salão de beleza, refletindo a persistência de pressões salariais e a robustez da demanda por lazer e cuidados pessoais.

“Mesmo com a política monetária ainda em patamar restritivo, com taxa de juros elevada, o setor de serviços continua sendo o principal vetor inflacionário da cesta do Dia dos Namorados”, disse.


O que é IPCA

  • O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central (BC) para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
  • Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
  • O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
  • O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.

Com relação aos produtos mais escolhidos como presentes, houve um aumento médio de 1,32%, com as maiores altas sendo registradas nos seguintes itens:

  • Bombons e chocolates, com alta de 10,98%;
  • Shampoo, condicionador e creme, com alta de 7,95%;
  • Produtos para barba, com alta de 6,39%;
  • Sabonete, com alta de 5,68%.

Por outro lado, alguns produtos apresentaram alívio, como é o caso de bijuterias em geral, com queda de 4,22%, perfumes, que registraram queda de 2,83%, e aparelhos celulares, com diminuição de 1,04%.

O economista do Ibre explicou que, em relação ao ano passado, quando o dólar mais valorizado pressionava amplamente tanto produtos quanto serviços, é possível observar em 2026 um movimento mais seletivo.

“O chocolate segue caro por razões estruturais ligadas à oferta de cacau, mas com alta menor do que a registrada em 2025, já que o cenário de oferta, apesar de estar melhorando, ainda está longe de normalizado. Por outro lado, perfume e bijuterias registraram deflação, sinalizando algum alívio cambial e normalização de estoques”, disse.

Fonte: Metrópoles/Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles @kebecfotografo

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