O dólar opera em alta, nesta quarta-feira (3/6), em meio à repercussão no mercado após mais um tarifaço comercial imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre as importações brasileiras.
Os investidores também continuam monitorando os desdobramentos da guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio, com negociações travadas entre as duas partes e uma nova escalada dos conflitos na região.
Dólar
- Às 12h15, o dólar subia 0,65%, a R$ 5,042.
- Mais cedo, às 10h45, a moeda norte-americana avançava 0,87% e era negociada a R$ 5,053.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,052. A mínima é de R$ 5,012.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,009.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula recuo de 0,67% no mês e de 8,74% no ano frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em baixa no pregão.
- Às 12h29, o Ibovespa recuava 1,83%, aos 171 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,16%, aos 174,1 mil pontos.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,24% em junho e valorização de 8,11% em 2026.
Mais um tarifaço de Trump
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu, nessa terça-feira (2/6), mais uma investigação comercial que tem o Brasil como alvo e propôs tarifa adicional de 12,5% aos produtos brasileiros.
Ao todo, 60 países foram alvo da investigação, que apurou supostas falhas dessas economias para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados internos.
A nova proposta foi anunciada apenas um dia depois de o USTR recomendar tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras, ao concluir investigação que questiona práticas comerciais do país, incluindo o Pix.
As duas medidas ainda passarão por consultas e audiências públicas, previstas para julho, antes da decisão final do governo de Donald Trump.
As investigações sobre trabalho forçado foram abertas em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos EUA para combater supostas práticas consideradas injustas ou discriminatórias que afetem o comércio americano.
Segundo o USTR, a ausência de mecanismos eficazes para barrar a importação de produtos feitos com trabalho forçado gera concorrência desleal para empresas dos EUA que seguem padrões trabalhistas, o que justificaria a adoção de medidas comerciais.
O Brasil aparece entre as 54 economias que, segundo o relatório, não conseguiram impor nem aplicar de forma efetiva a proibição à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Na mesma lista, estão países como China, Argentina, Austrália, Japão, Reino Unido, Índia e África do Sul.
Outras seis economias – Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão – foram classificadas pelo USTR como países que possuem mecanismos legais de restrição, mas não os aplicam de forma eficaz.
Com base nessa distinção, o órgão propôs tarifa adicional de 10% para países que já adotam algum mecanismo de combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. Para os demais, entre os quais o Brasil, a sobretaxa sugerida é de 12,5%.
Irã ataque bases dos EUA no Kuwait
Bases norte-americanas no Kuwait voltaram a ser atacadas por forças do Irã, na terça-feira, em resposta a operações recentes dos EUA no Oriente Médio. A informação foi confirmada pelo Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC).
Os ataques também foram confirmados pelas Forças Armadas do Kuwait, que afirmaram ter interceptado mísseis e drones vindos do território iraniano. Segundo a mídia estatal do Irã, o Campo Arifjan e a Base Aérea Ali Salem, que abrigam forças norte-americanas, foram alvo da ação.
Até o momento, não há informações sobre mortos, feridos ou perdas de aparatos militares. Além do Kuwait, há registros de explosões no Iraque e da ativação de sistemas de defesa aérea no Bahrein.
Mais cedo, antes da operação do IRGC, o Comando Central dos EUA (Centcom) bombardeou um navio petroleiro que tentava romper o bloqueio norte-americano e chegar a um dos portos do Irã. Uma agência estatal iraniana também relatou explosões na Ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Análise
Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o mercado global abriu em um ritmo de cautela “ditado por novas tensões comerciais e o cenário geopolítico internacional”. “No Brasil, o pregão ganha um componente extra de volatilidade por ser véspera do feriado de Corpus Christi, o que costuma reduzir a liquidez com investidores ajustando suas posições antes do fechamento dos mercados locais”, afirma.
“Neste cenário, o Ibovespa abre em leve viés de baixa, orbitando próximo da estabilidade depois do recuo mais expressivo que já vinha sendo registrado pelo Ibovespa futuro desde as primeiras horas da manhã”, prossegue. “O dólar abriu em alta, seguindo a cautela global, além das incertezas domésticas. O mercado segue digerindo relatos de novos ataques e declarações cruzadas entre os governos dos EUA e do Irã.”
No cenário internacional, observa Zogbi, “as outras bolsas operam sob um tom predominantemente defensivo”. “Em Wall Street, os índices futuros mostram oscilações mistas e perdas leves, ensaiando uma acomodação e realização de lucros após uma recente sequência de recordes históricos. Esse cenário de cautela global e riscos geopolíticos também dá forte sustentação às commodities de energia, o que pode sustentar esses papéis ao longo do pregão.”
Fonte: Metrópoles/Foto: Getty Images
