Dólar e Bolsa caem com proposta do Irã e à espera de taxa de juros

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O dólar operava em baixa, nesta segunda-feira (27/4), abrindo mais uma semana marcada pelas negociações entre Estados Unidos e Irã em torno do possível fim da guerra no Oriente Médio.

Os investidores repercutem a nova proposta apresentada pelo regime iraniano aos norte-americanos com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o atual conflito. O ponto central da oferta é o adiamento das discussões sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, com foco inicial na estabilização militar e econômica.

Outro destaque da semana é a decisão sobre a taxa básica de juros no Brasil e nos EUA, com os anúncios do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) previstos para quarta-feira (29/4).

A tendência é a de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros (Selic) no Brasil, atualmente em 14,75% ao ano. Nos EUA, o mercado espera que os juros permaneçam inalterados, no intervalo entre 3,5% e 3,75%.


Dólar

  • Às 13h42, o dólar caía 0,54%, a R$ 4,97.
  • Mais cedo, às 12h01, a moeda norte-americana recuava 0,58% e era negociada a R$ 4,969.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,983. A mínima é de R$ 4,964.
  • Na última sexta-feira (24/4), o dólar terminou a sessão em leve queda de 0,1%, cotado a R$ 4,998, praticamente estável.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,5% no mês e de 8,95% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), mudou o sinal e passou a operar em queda no pregão.
  • Às 13h45, o Ibovespa recuava 0,32%, aos 190,1 mil pontos.
  • No último pregão da semana passada, o indicador fechou em baixa de 0,33%, aos 190,7 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 1,75% em abril e de 18,38% em 2026.

Irã tenta acordo pela reabertura de Ormuz

O Irã apresentou, no fim de semana, uma nova proposta aos EUA com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz. O ponto central da oferta é o adiamento das discussões sobre o programa nuclear.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Segundo fontes próximas ao assunto, essa manobra visa a destravar a diplomacia, que se encontra em um impasse devido às divisões internas na liderança iraniana sobre quais concessões nucleares seriam aceitáveis.

A proposta, embora pareça um caminho mais rápido para a paz, gera um dilema significativo para a Casa Branca. Ao separar o fim das hostilidades da questão atômica, o Irã tenta remover o principal trunfo do presidente dos EUA, Donald Trump.

O líder norte-americano considera o bloqueio naval e a pressão militar ferramentas essenciais para forçar Teerã a abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido e suspender o enriquecimento de forma permanente – objetivos que são pilares de sua estratégia de guerra.

Do lado dos EUA, a resistência ao plano iraniano é evidente. Trump sinalizou, em entrevista recente, que pretende manter o cerco naval que tem asfixiado as exportações de petróleo do Irã.

A lógica de Washington é baseada na vulnerabilidade infraestrutural do adversário: sem poder escoar a produção, o sistema de oleodutos iraniano corre riscos técnicos graves. Trump acredita que essa pressão extrema levará o regime a ceder em todas as frentes nas próximas semanas.

O cenário de incerteza deve ser debatido em reunião crucial, na Sala de Situação, nesta segunda-feira (27/4). Trump se reunirá com sua equipe de segurança nacional e política externa para avaliar os próximos passos e decidir se aceita a dissociação proposta por Teerã ou se mantém a estratégia de “pressão máxima”.

Trump abre caminho para negociação

Nesse domingo (26/4), Trump afirmou que o Irã poderia entrar em contato com os EUA se quisesse negociar o fim da guerra entre os dois países. “Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Há um telefone”, disse.

O republicano afirmou ainda que possui “linhas seguras e agradáveis, embora não tenha certeza se alguma linha telefônica é segura, francamente”. “Se eles quiserem, podemos conversar”, completou.

No último sábado (25/4), Trump cancelou a ida da equipe de negociações dos EUA ao Paquistão para conversar com os representantes do Irã. Em publicação na rede Truth Social, o mandatário detalhou que suspendeu a viagem momentos antes da delegação embarcar, pois considerou que seria uma “perda de tempo”.

À espera da “superquarta”

Os mercados de câmbio e ações iniciam a semana sob forte expectativa em torno das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA. Elas serão anunciadas na quarta-feira (29/4), a chamada “superquarta” – termo usado no mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros nos dois países.

No caso do Copom, apesar das incertezas em torno da guerra, a maior parte dos agentes econômicos aposta em um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, hoje fixada em 14,75% ao ano.

A Warren Investimentos, por exemplo, prevê cinco cortes de 0,25 ponto percentual e de 0,50 ponto percentual até o fim do ano. Com as reduções estimadas, a Selic encerraria o ano em 13%, ante 12% da projeção anterior da corretora.

A novidade é que a reunião do Fed deve ser a última realizada com Jerome Powell como presidente do da autoridade monetária – seu mandato expira em 15 de maio. Ele será substituído por Kevin Warsh, escolhido para o cargo por Donald Trump.

Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Neste momento, praticamente a totalidade do mercado aposta na manutenção dos juros no patamar atual. Segundo a plataforma FedWatch, 100% dos analistas acreditam que não haverá alterações na taxa. O corte é descartado.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar abre em queda e “pressionado pelo enfraquecimento global da moeda americana”, com o DXY (índice que mede o valor do dólar dos EUA frente em relação a uma cesta de seis moedas) recuando “e devolvendo parte dos ganhos da semana passada em um ambiente de menor apetite por proteção”.

“Apesar dos impasses nas negociações entre EUA e Irã, o mercado não precifica uma escalada relevante do conflito, o que reduz a demanda por ativos defensivos. Ao mesmo tempo, o petróleo negociando acima de US$ 100 tem efeito direto nos termos de troca do Brasil e amplia a perspectiva de superávit comercial, elevando a oferta de dólares no mercado local. Soma-se a isso o diferencial de juros ainda elevado, que segue atraindo fluxo para o país. A combinação desses fatores sustenta a valorização do real na abertura”, avalia Shahini.

“A elevação dos yields (termo financeiro que significa rendimento ou retorno de um investimento) no exterior — reflexo das preocupações com inflação e do impacto do petróleo mais alto — pressiona a precificação local, em uma semana de destaque para o mercado de juros, na qual o Copom decidirá sobre a taxa Selic após o primeiro corte promovido na reunião anterior”, completa.

Fonte: Metrópoles/Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images

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