O dólar operava em baixa, nesta terça-feira (14/4), com o mercado financeiro em compasso de espera por uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o regime iraniano “queria muito fazer um acordo”. A declaração foi recebida com alívio pelos investidores, e o dólar terminou a sessão em queda frente ao real, abaixo dos R$ 5, atingindo o menor valor em mais de dois anos.
Também na segunda-feira (13/4), o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), bateu seus recordes históricos intradiário (durante o pregão) e de fechamento, ultrapassando, pela primeira vez, a marca dos 198 mil pontos. Nesta terça, bateu os 199 mil.
A grande preocupação ainda envolve o bloqueio do Estreito de Ormuz, determinado por Trump no dia anterior. Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Dólar
- Às 10h28, o dólar caía 0,27%, a R$ 4,984.
- Mais cedo, às 10h09, a moeda norte-americana recuava 0,33% e era negociada a R$ 4,981.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,992. A mínima é de R$ 4,975.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,29%, cotado a R$ 4,997.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,51% frente ao real em abril e de 8,96% em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da B3, operava em alta no início do pregão, renovando sucessivamente sua máxima histórica.
- Às 11h05, o Ibovespa avançava 0,65%, aos 199 mil pontos.
- Mais cedo, o índice bateu novamente seu recorde histórico intradiário (durante o pregão), cravando 199.353,13 pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou em alta de 0,34%, aos 198.000,71 pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 5,62% no mês e de 22,89% no ano.
EUA e Irã retomam negociação de paz
Estados Unidos e o Irã vão voltar ao Paquistão, ainda nesta semana, para uma nova rodada de negociações, informou a agência Reuters, nesta terça-feira (14/4), citando quatro fontes.
Nenhuma data foi definida ainda, mas o encontro pode ocorrer no fim desta semana.
Os dois países estiveram reunidos em Islamabad, entre sábado (11/4) e domingo (12/4). Após 21 horas de conversas, no entanto, as comitivas deixaram o país sem chegar a um acordo. Segundo o governo Trump, o Irã não quis renunciar a seu programa nuclear.
De acordo com o The New York Times, o Irã ofereceu suspender o programa por cinco anos, mas a proposta não foi aceita pelos EUA, que pedem a paralisação por 20 anos.
Nessa segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que lidera a comitiva norte-americana, disse que cabe ao Irã o próximo passo para um acordo de paz. Segundo ele, as negociações “apresentaram algum progresso” em relação ao programa nuclear iraniano.
“Realmente existe, na minha opinião, um grande acordo a ser fechado aqui. Mas cabe aos iranianos, creio eu, dar o próximo passo”, disse. “Deixamos claro que precisamos ver o material nuclear sair do Irã. A bola está com os iranianos porque colocamos muito em cima da mesa”, completou, em entrevista à Fox News.
França e Reino Unido defendem liberação de Ormuz
Em outra frente, a França decidiu organizar uma conferência conjunta com o Reino Unido e outros países “dispostos a contribuir” para “uma missão multinacional pacífica com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz, anunciou o presidente Emmanuel Macron na segunda-feira.
“Esta missão estritamente defensiva, separada dos países envolvidos na guerra, será implantada assim que a situação permitir”, escreveu o presidente francês no X (antigo Twitter).
Em sua mensagem na rede social, o líder francês pediu que “nenhum esforço” seja poupado para “alcançar rapidamente uma solução sólida e duradoura para o conflito no Oriente Médio por meio da diplomacia”, “uma solução que proporcione à região uma estrutura robusta que permita a todos viver em paz e segurança”.
No último dia 2, representantes de cerca de 40 países pediram a “reabertura imediata e incondicional” do estreito e ameaçaram o Irã com novas sanções durante uma reunião virtual liderada pela ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.
Petróleo cai abaixo dos US$ 100
Os preços internacionais do petróleo operavam em baixa, nesta terça-feira, à espera dos próximos passos nas negociações de paz envolvendo Estados Unidos e Irã, em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz anunciado por Donald Trump.
Na véspera, diante de uma nova escalada nas tensões no Oriente Médio, a cotação do petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 o barril e disparou pela manhã, mas acabou perdendo força ao longo do dia, após o presidente norte-americano afirmar que o Irã “queria muito fazer um acordo”.
Por volta das 8h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 1,67% e era negociado a US$ 97,43.
No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) tinha perdas de 0,4%, a US$ 102,39.
No dia anterior, o barril do petróleo WTI fechou em alta de 2,6%, a US$ 99,08, enquanto o brent subiu 4,36%, a US$ 99,36.
Fonte: Metrópoles/Foto: SimpleImages/Getty Images




