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Dólar sobe e Bolsa recua com petróleo, presidente do Fed e pesquisa

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O dólar opera em alta, nesta sexta-feira (22/5), no último dia de negociações da semana no mercado financeiro, com as atenções dos investidores voltadas à cotação internacional do petróleo e à posse do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).

Nesta sexta, Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, toma posse como novo comandante da autoridade monetária norte-americana. A cerimônia conta com a participação do próprio Trump.

No cenário doméstico, o mercado monitora a possível divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha sobre a disputa pela Presidência da República. O instituto foi a campo durante a semana e pode divulgar os resultados do levantamento a partir desta sexta-feira.

Dólar

  • Às 10h33, o dólar subia 0,22%, a R$ 5,012.
  • Mais cedo, às 10h04, a moeda norte-americana avançava 0,03% e era negociado a R$ 5,002.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,021. A mínima é de R$ 4,997.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,001.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,09% no mês e perdas de 8,89% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em queda no pregão.
  • Às 10h38, o Ibovespa recuava 0,84%, aos 176,1 mil pontos.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,17%, aos 177,6 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 5,16% em maio e valorização de 10,26% em 2026.

Indicado por Trump toma posse no BC dos EUA

O principal destaque do dia, sob o ponto de vista do mercado, é a posse do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que assume o cargo no lugar de Jerome Powell – desafeto de Donald Trump e alvo de duras críticas do republicano.

O mandato de Powell terminou no último dia 15, mas ele permaneceu interinamente no cargo até que fosse marcada a cerimônia de posse de seu sucessor. Warsh foi indicado por Trump e aprovado pelo Senado dos EUA para exercer um mandato de quatro anos à frente do Fed.

No dia 13 de maio, o Senado dos EUA confirmou o nome de Warsh para a presidência do BC do país, com 54 votos favoráveis e 45 contrários. O indicado por Trump já havia sido sabatinado pela Casa e aprovado pelo Comitê Bancário do Senado.

Além dos quatro anos como presidente do Fed, Kevin Warsh cumprirá um mandato simultâneo de 14 anos como membro da diretoria da autoridade monetária. Apesar de deixar a presidência do BC dos EUA, Jerome Powell já manifestou sua intenção de continuar exercendo o cargo de diretor do Fed.

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no fim de abril, o BC dos EUA decidiu manter os juros inalterados no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

A decisão do BC dos EUA passou longe da unanimidade. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan).

Desde a posse de Trump, em janeiro do ano passado, o Fed promoveu três cortes na taxa de juros. Nas três últimas reuniões, em janeiro, março e agora em abril, houve manutenção.

Antes de Trump assumir a Casa Branca, o Fed tinha levado a cabo um ciclo de três quedas consecutivas dos juros nos EUA, que começou em setembro de 2024.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem Powell no comando do BC dos EUA.

Durante a sabatina no Senado, o indicado pelo presidente dos EUA ao Fed responsabilizou a gestão do atual chefe do BC norte-americano, Jerome Powell, pela escalada da inflação no país após a pandemia de Covid-19, a partir de 2020. Para Warsh, a alta nos preços continua sendo “um grande problema” para a população.

“Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática neste momento, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era havia alguns anos, os americanos trabalhadores ainda a sentem”, disse o futuro presidente do Fed durante audiência no Comitê Bancário do Senado.

“Isso significa que é necessária uma mudança de regime na condução da política monetária pelo Fed. Precisamos de um novo e diferente arcabouço para combater a inflação”, completou Warsh, sem fornecer maiores detalhes.

Na sabatina, o indicado por Trump à presidência do Federal Reserve garantiu que adotará uma postura de independência em relação ao mandatário da Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato como presidente dos EUA, em janeiro de 2025, Trump elegeu o chefe do Fed, Jerome Powell, como um de seus maiores alvos. O republicano faz críticas frequentes ao BC norte-americano e cobra publicamente o corte dos juros. O mandato de Powell termina em maio.

“Presidentes (dos EUA) tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante clara”, afirmou Warsh.

Em seguida, o indicado ao comando do BC dos EUA assegurou que será independente à frente da autoridade monetária. “A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer”, disse.

Questionado pelo senador John Neely Kennedy, do estado da Louisiana, se seria um mero “fantoche” de Trump no Fed, Warsh foi enfático: “Absolutamente não. Atuarei de forma independente à frente do Federal Reserve”.

O indicado à presidência do Fed afirmou ainda que Trump jamais lhe pediu que assumisse qualquer compromisso em relação à eventual queda dos juros.

Nova era no Fed

Em janeiro deste ano, Donald Trump anunciou Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, para a presidência da autoridade monetária.

“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump, à época, nas redes sociais.

O perfil de Kevin Warsh é considerado o de alguém muito próximo do sistema financeiro, que conhece os bastidores de Wall Street como poucos – uma verdadeira “raposa” do mercado. Nos últimos anos, Warsh chamou atenção de Trump por vocalizar muitas das críticas ao sistema financeiro norte-americano feitas pelo próprio presidente dos EUA.

Kevin Warsh foi indicado para o Fed há 20 anos, em 2006, pelo então presidente dos EUA George W. Bush. Antes de chegar à diretoria da autoridade monetária, ele foi assistente especial de Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.

Warsh fez parte do Conselho de Governadores do Fed, de 2006 a 2011, e acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e o colapso de grandes bancos como o Lehman Brothers. O futuro presidente do Fed teve atuação importante nas negociações entre o Tesouro, o BC dos EUA e instituições financeiras. Até mesmo seus críticos reconhecem que Warsh tem excelente trânsito em Washington e Wall Street.

Nos últimos anos, a postura e a retórica de Kevin Warsh mudaram e ele passou a adotar um tom mais duro e crítico ao Federal Reserve. Em diversas entrevistas e pronunciamentos, o ex-diretor da autoridade monetária defendeu uma “mudança de regime” no Fed, com revisões sobre os instrumentos que levam o BC dos EUA a tomar suas decisões sobre a taxa de juros.

Em linhas gerais, Warsh está alinhado a Trump na defesa de uma política monetária menos contracionista, com a intensificação do corte de juros – o que agrada, em cheio, a Casa Branca. Por outro lado, o indicado por Trump também critica a expansão do balanço do Fed.

Em outubro do ano passado, em entrevista à Fox Business, Warsh foi enfático ao defender a redução da taxa de juros pelo Fed.

“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed é composto por 12 membros: os sete integrantes do Conselho de Governadores do Sistema do Federal Reserve, o presidente do Federal Reserve de Nova York e quatro dos onze presidentes restantes do Federal Reserve, que cumprem mandatos de um ano em regime de rodízio.

A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.

Em 2022, Jerome Powell foi indicado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, para um segundo mandato à frente do Fed.

Mercado aguarda nova pesquisa do Datafolha

No cenário nacional, os investidores aguardam a possível divulgação da nova pesquisa eleitoral do Datafolha. O levantamento foi realizado durante a semana e pode ter os resultados anunciados a partir desta sexta.

A pesquisa anterior do instituto, divulgada na semana passada, mostrou um empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma possível disputa no segundo turno.

De acordo com o levantamento, os dois apareciam com 45% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, divulgada em abril, Flávio tinha ultrapassado Lula numericamente, com 46% a 45%, ainda em empate técnico.

No primeiro turno, Lula (38%) mantinha a liderança contra todos os demais pré-candidatos: além de Flávio (35%), estão no páreo o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (3%), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (3%) e o líder do MBL, Renan Santos (2%), entre outros.

Foi a primeira pesquisa do Datafolha após o vazamento dos áudios de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entretanto, o levantamento pode não ter captado integralmente os efeitos do noticiário envolvendo Vorcaro e o Master sobre a campanha de Flávio – algumas entrevistas foram realizadas antes de os áudios se tornarem públicos.

Fonte: Metrópoles/Foto: Douglas Sacha/Getty Images

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