A FVS (Fundação de Vigilância em Saúde) registrou 232 mortes de crianças menores de 1 ano entre janeiro e o início de abril de 2026 no Amazonas. O levantamento mostra taxa de mortalidade infantil de 14,5 óbitos a cada mil nascidos vivos. A maior parte das mortes ocorreu ainda na primeira semana de vida dos bebês.
O índice nacional da taxa de mortes, segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi de 12,3 mortes de crianças menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos em 2024.
Dos 232 óbitos registrados neste ano, 134 ocorreram no período neonatal precoce – fase que compreende os primeiros seis dias de vida da criança – e representam 57,8% das mortes infantis. Outros 30 óbitos ocorreram entre o 7º e o 27º dia de vida, enquanto 68 mortes foram registradas no período pós-neonatal, entre 28 dias e menos de 1 ano de idade.
Principais causas
As complicações relacionadas ao período do nascimento concentram a maior parte das mortes infantis no Amazonas. Segundo a FVS, 141 mortes, o equivalente a 60,9% do total, foram causadas por infecções originadas no período perinatal, grupo que inclui problemas ligados à prematuridade, sofrimento fetal, e outras complicações associadas ao parto e aos primeiros dias de vida.
Na sequência aparecem as malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas, responsáveis por 31 mortes, o que representa 14,36% dos casos. As doenças do aparelho respiratório somaram 18 óbitos, equivalente a 7,76% do total registrado no estado neste ano.
O levantamento também mostra que os meninos representam a maior parte das mortes. Foram 130 casos de crianças do sexo masculino, o equivalente a 56% do total. Entre meninas, foram contabilizados 102 casos, correspondendo a 44%.
A maioria das mortes ocorreu em hospitais. São 211 registros, representando 90,9% dos casos. Outras 16 mortes ocorreram em domicílio, quatro em outros locais e uma em via pública.
Em relação ao perfil racial, crianças pardas concentram a maior parte dos registros. Foram 148 óbitos, representando 63,8% do total. Crianças brancas aparecem em seguida, com 36 mortes (15,5%), enquanto crianças indígenas somaram 34 casos (14,7%). Também houve 13 registros sem identificação racial e um envolvendo criança preta.
Série histórica
Os dados históricos mostram que a mortalidade infantil continua sendo um desafio persistente no Amazonas. Desde 2015, a taxa anual no estado permanece acima de 14 mortes para cada mil nascidos vivos.
Em 2015, foram registradas 1.255 mortes de crianças menores de 1 ano e taxa de 15,6 óbitos por mil nascidos vivos. Em 2016, foram 1.231 registros e índice de 16,1. No ano de 2017, o estado contabilizou o maior número absoluto da série histórica: 1.300 crianças morreram antes de completar 1 ano de idade, com taxa de 16,6.
Em 2018, foram registradas 1.251 mortes, mantendo taxa de 16,1. No ano seguinte, em 2019, o estado voltou a registrar 1.255 óbitos infantis e índice de 16,1.
A menor taxa da série foi observada em 2020, quando o Amazonas contabilizou 1.071 mortes e índice de 14,1 óbitos por mil nascidos vivos. No entanto, os números voltaram a subir nos anos seguintes. Em 2021, foram registrados 1.186 óbitos e taxa de 15,1. E em 2022, o estado contabilizou 1.162 mortes infantis – índice de 16,0.
Embora 2017 tenha registrado o maior número absoluto de mortes infantis da série histórica, a maior taxa proporcional foi observada em 2023. Naquele ano, o Amazonas contabilizou 1.233 mortes de crianças menores de 1 ano e atingiu taxa de 17,4 óbitos por mil nascidos vivos, o maior índice proporcional.
Em 2024, o estado registrou 1.056 mortes infantis e taxa de 16,1. Em 2025, foram contabilizados 1.109 óbitos, mantendo o índice em 16,1 mortes para cada mil nascidos vivos.
Fonte: Amazonas Atual/Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
