Duas crianças reféns dadas como mortas pelo Hamas, e que viraram símbolo de ataque, estão em lista para serem libertadas

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O destino de Kfir Bibas, um bebê sequestrado em 7 de outubro de 2023 junto com seu irmão Ariel, de 4 anos, tem deixado Israel em suspense em meio ao anúncio de um acordo de cessar-fogo em Gaza que deve permitir a libertação dos reféns. O governo israelense confirmou nesta sexta-feira sua adesão à proposta. Em novembro de 2023, o Hamas alegou que um bombardeio israelense matou os irmãos Bibas e a sua mãe, Shiri, também listada entre os 33 reféns que deverão ser libertados nessa primeira fase do acordo. Os militares não confirmaram a informação, e muitos israelense se apegam à esperança de que eles ainda estejam vivos.

Kfir, um israelense nascido na Argentina, completará dois anos de idade no sábado e é o mais jovem dos mais de 250 reféns capturados por combatentes do Hamas no ataque terrorista contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1,2 mil pessoas. Ao menos 98 reféns permanecem em Gaza desde o início do conflito, dos quais 36 são dados como mortos. A expectativa é de que seus corpos também sejam repatriados através do acordo.

— Imaginar que eles voltarão para casa vivos é algo que me traz muita alegria — explicou Hila Shlomo, uma musicista de 23 anos que foi a uma praça central de Tel Aviv em frente ao Museu de Arte na quinta-feira, que agora é conhecida como Praça dos Reféns por causa dos protestos contínuos pela sua libertação. — O que aconteceu com essas crianças é um símbolo da maldade do homem, mas também da vitória da vida, se conseguirmos libertá-las, custe o que custar.

A lista desta primeira fase também inclui Yarden Bibas, pai dos meninos. Diferentemente do acordo alcançado em novembro de 2023, a proposta de agora promete libertar também homens com mais de 50 anos, além de doentes e feridos. Os reféns libertados de Gaza durante a breve trégua em novembro contaram que Yarden foi separado de sua família, e o Hamas não confirmou se ele está morto.

Durante o protesto semanal do último sábado, Eli Bibas, avô de Kfir e Ariel, falou à multidão.

— No próximo sábado, nosso Kfir passará seu segundo aniversário em cativeiro, como é possível que meu neto, que tinha oito meses e meio de idade quando foi sequestrado, passe seu segundo aniversário no inverno? — questionou.

Os parentes da família Bibas se recusaram a discutir o cessar-fogo, mas disseram em um comunicado na quarta-feira que “estão cientes da informação de que sua família fará parte da primeira fase do acordo e que Shiri e as crianças serão libertadas”. Mas eles disseram que “não consideram nada garantido até que seus entes queridos tenham cruzado a fronteira”.

‘De partir o coração’

Mensagens de apoio, acompanhadas de fotos das crianças, continuam circulando nas redes sociais, evidenciando que muitos continuam esperançosos de que elas retornarão vivas a Israel. A imagem divulgada pelo Hamas de Shiri Bibas abraçando seus dois filhos ruivos quando foi sequestrada de sua casa no kibutz de Nir Oz tornou-se um símbolo da tragédia que atingiu Israel em 7 de outubro de 2023.

Osnat Nyska e Yafa Wolfensohn, duas aposentadas presentes na praça, também ficaram emocionadas ao falar sobre esse caso. Elas são amigas e participam dos protestos todas as semanas para pressionar o governo.

— Penso neles, naqueles dois ruivos, e fico arrepiada — disse Nyska, 70 anos, cujos netos frequentaram o mesmo jardim de infância que os irmãos Bibas.

Para Wolfensohn, essas crianças se tornaram um “símbolo”:

— Duas crianças tão jovens sequestradas, se for descoberto que não estão vivas, será de partir o coração — disse ela.

De acordo com o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman al-Thani, cujo país tem sido um importante mediador no conflito, 33 reféns israelenses, incluindo mulheres, crianças, e homens com mais de 50 anos, serão libertados na primeira fase da trégua, que durará 42 dias. A adesão de Israel ao acordo ocorre após um entrave na véspera que ameaçou atrasar a implementação e, consequentemente, a soltura dos cativos.

A previsão é de que o acordo entre em vigor no domingo às 12h15 locais (7h15 no horário de Brasília), quando três reféns devem ser libertados. Segundo o Times of Israel, o acordo estipula que o Hamas divulgue com 24 horas de antecedência os nomes dos reféns que serão libertados a cada semana. Assim, o grupo deve divulgar os nomes do trio a ser libertado no sábado.

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o Hamas na quinta-feira de provocar uma crise de última hora ao acrescentar novas condições ao acordo para cumprir com sua parte, o que o grupo negou. Em meio ao entrave, Israel continuou bombardeando Gaza, matando mais de 80 pessoas na madrugada e ao longo da quinta-feira, segundo autoridades sanitárias locais.

Mas, nesta sexta-feira, o gabinete do premier informou que os impasses foram superados e uma reunião entre ministros do Gabinete de Segurança foi convocada, dando início ao procedimento para formalizar a proposta. O organismo aprovou o acordo, concluindo que ele “favorece a realização dos objetivos da guerra”. (Com AFP)

Fonte: O Globo/Foto: Reprodução

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