Em delação, Cid disse que Bolsonaro o ordenou a falsificar registro de vacinação

Publicado em

O tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, disse em delação premiada à Polícia Federal que o ex-presidente o ordenou a fraudar os registros de vacinação contra a Covid-19 dele e da filha Laura Bolsonaro. O ex-presidente, contudo, nega que tenha feito a solicitação. Nesta terça-feira (19), a Polícia Federal indiciou Bolsonaro, Cid e mais 15 pessoas no inquérito sobre a falsificação em carteiras de vacinação.

No relatório que embasou os indiciamentos, a Polícia Federal cita um trecho da delação de Cid. Segundo a corporação, quando Bolsonaro tomou conhecimento de que Cid possuía cartões de vacinação contra a Covid-19 em seu nome e em nome de seus familiares, ordenou ao militar que fizesse as inserções para obtenção dos cartões ideologicamente falsos para ele e Laura.

No depoimento, Cid afirmou que “o presidente, após saber que o colaborador [Cid] possuía os cartões de vacina para si e sua família, solicitou que o colaborador fizesse para ele também” e “que o ex-presidente deu a ordem para fazer os cartões dele e da sua filha, Laura Bolsonaro”. À PF, Cid disse também que entregou os documentos falsificados nas mãos de Bolsonaro.

Também em depoimento à Polícia Federal, Bolsonaro negou que tenha solicitado a Cid que emitisse um certificado com dados falsos de vacinação contra a Covid-19 em nome dele. O ex-presidente disse que não fez o pedido, pois, como jamais tomou vacina contra a doença, não haveria motivo para a elaboração do certificado. 

O ex-presidente foi indiciado pela PF pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas da Covid-19. Ambos os delitos estão previstos no Código Penal e a pena máxima para os dois crimes somados é de 15 anos de prisão.

Agora, o inquérito policial com o indiciamento de Bolsonaro será encaminhado ao Ministério Público, que vai analisar se há ou não provas contra o ex-presidente. Se o órgão considerar que existem indícios suficientes para incriminar Bolsonaro, vai apresentar uma denúncia à Justiça. Caso contrário, pode pedir o arquivamento do caso.

O advogado do ex-presidente, Fabio Wajngarten, lamentou o indiciamento de Bolsonaro e reclamou que a informação tenha sido revelada pela imprensa. “Vazamentos continuam aos montes, ou melhor, aos litros. É lamentável quando a autoridade usa a imprensa para comunicar ato formal que logicamente deveria ter revestimento técnico e procedimental ao invés de midiático e parcial.”

*R7/Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL – 29.6.2023

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Gilmar Mendes pede investigação contra Romeu Zema por vídeo com deep fake

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes enviou ao...

Voluntário relata desespero em tentativa de resgate de triatleta brasileira que morreu nos EUA

Um americano que atuava como voluntário na etapa de natação do...

Com expectativa de manter decisão, STF vai analisar prisão de ex-presidente do BRB

O plenário virtual da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal...

Zema garante que levará candidatura à Presidência “até o final”

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou que continua no...