Entenda como as eleições deste domingo determinam a escolha do próximo presidente da Argentina

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A primeira votação do ciclo de eleições da Argentina acontece neste domingo (13): as prévias dos partidos políticos, conhecidas pela sigla Paso (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias).

Como diz o nome, os partidos são obrigados a fazer prévias –mesmo que haja um único candidato e isso seja só uma formalidade–, e todas as frentes políticas passam pelas primárias em um único dia.

Como funciona a votação nas Paso

Ao chegar ao local de votação, o eleitor depara-se com distintas cédulas, cada qual pertencente a sua respectiva coligação política.

O eleitor precisa escolher a cédula do grupo político da predileção dele para votar nas primárias dessa agremiação.

As Paso servem como prévias e também indicam qual será o resultado das eleições, porque ao escolher a cédula da coligação de preferência os eleitores indicam qual vai ser o voto deles na corrida presidencial.

Concorrência de verdade

Em outras Paso, as coligações que realmente tinham chances eleitorais na corrida presidencial não tinham concorrência verdadeira nas Paso.

“É a primeira Paso com uma concorrência real, e as duas maiores figuras políticas da Argentina, Cristina Kirchner e Mauricio Macri, estão fora da disputa”, diz Federico Zapata, cientista político da consultoria Escenarios. Ou seja: essas elieições têm o potencial de renovar a política argentina.

O atual presidente, Alberto Fernández, até poderia concorrer, mas com baixa popularidade e sem apoio político nem mesmo entre seus correligionários, ele resolveu não se candidatar.

Há pelo menos dois candidatos de extrema direita: Javier Milei e Patricia Bullrich.

O governo brasileiro já deu sinais de que está preocupado com a ascensão da extrema direita na Argentina –em maio, Fernando Haddad, o ministro da Economia, encontrou-se com Janet Yellen, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos. Na saída do encontro, ele disse o seguinte: “Estamos muito preocupados com o destino político da Argentina, sobretudo a luz do que vem acontecendo no nosso continente. Recentemente, tivemos uma vitória expressiva da extrema-direita chilena (ele se referia à votação dos novos constituintes no Chile). O subcontinente continua sofrendo ação de grupos extremistas”.

Recentemente, o ex-presidente Jair Bolsonaro deu apoio a um dos candidatos de extrema direita, Javier Milei.

Veja abaixo quais são as principais coligações nessas eleições e quais são as escolhas que os eleitores têm para decidir quem será o cabeça de chapa em cada caso.

Juntos pela Mudança

Essa é a primeira vez que nas Paso há uma disputa importante: na principal frente de oposição, Juntos pela Mudança, concorrem os seguintes pré-candidatos:

  • Horacio Larreta, prefeito de Buenos Aires e
  • Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança.

União pela Pátria

A frente política governista também tem dois candidatos, mas um deles, Sergio Massa, é o franco favorito. A coligação chama-se União pela Pátria –é, essencialmente, o grupo atual dos peronistas (herdeiros políticos de Juan Domingo Perón, um político dos anos 1950). Os candidatos são:

  • Sergio Massa, ministro da Economia e
  • Juan Grabois, um dirigente partidário.

A Liberdade Avança

Há uma terceira candidatura não qual não há disputa nenhuma, a frente de extrema direita A Liberdade Avança. O principal político é o único nome da frente.

  • Javier Milei, deputado federal.

O que dizem as pesquisas

Os institutos de pesquisas apontam números muito diferentes, o que, de acordo com o consultor Zapata, se deve a uma tendência de apenas pessoas mais ligadas em política responderem com precisão as perguntas.

Na média das pesquisas das consultorisa Atlas Intel e Management&Fit, os números são os seguintes:

  • Sergio Massa: 25,85%
  • Juan Grabois: 6,9%
  • Patricia Bullrich: 19,3%
  • Horacio Larreta: 15%
  • Javier Milei: 18,55%

Por essas projeções, Sérgio Massa até sairia como o vencedor das Paso, mas, potencialmente, Patricia Bullrich teria mais chances de ser eleita, porque a coligação dela é a que tem a maior porcentagem de votos.

O consultor político Zapata afirma que acredita que há problemas com as pesquisas pois há uma sobrerepresentação dos eleitores mais convencidos, especialmente os de Milei e Bullrich, e que pode ser que os eleitores de centro –até mesmo peronistas– votem em Larreta para evitar que Bullrich seja a candidata mais forte nas eleições presidenciais.

Além do resultado da coligação Juntos pela Mudança, ele afirma que é preciso ficar atento ao tamanho da votação em Sérgio Massa, pois, caso não seja uma liderança muito grande, ele não terá embalo nas eleições e pode desidratar rapidamente.

Foto:AFP

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