Entenda como uma sequência de pistas revelou feminicídio em MG

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Sob forte comoção, a estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, foi sepultada nesta segunda-feira (29), em Barbacena, a 169km de Belo Horizonte. Enquanto familiares e amigos se despediam da vítima, as investigações revelaram como uma sequência de detalhes levou a Polícia Militar até o namorado dela, de 24 anos, preso suspeito de cometer o feminicídio.

Da preocupação de uma amiga ao encontro do corpo dentro do apartamento, passando pelo desaparecimento do carro da vítima e pelas contradições apresentadas pelo suspeito, a cronologia do caso foi fundamental para a prisão.

Como o corpo foi encontrado

Tudo começou quando uma amiga estranhou o fato de Letícia, conhecida por responder rapidamente às mensagens, ter deixado de atender ligações e responder ao WhatsApp. Diante do silêncio incomum, ela procurou o ex-marido da vítima para verificar o que havia acontecido.

Ao chegarem ao prédio, Francisco Daniel Miranda Siqueira entrou no apartamento pela sacada, com autorização da proprietária do imóvel vizinho. Pouco depois, retornou abalado e informou que Letícia aparentava estar morta. Em seguida, a porta do apartamento foi arrombada e a cena foi confirmada.

O que a perícia encontrou?

Uma equipe do Samu constatou a morte da estudante ainda no local. Segundo o boletim de ocorrência, Letícia apresentava diversas perfurações provocadas, aparentemente, por faca. A maioria dos ferimentos estava concentrada na cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos. A perícia da Polícia Civil realizou os levantamentos no apartamento.

Por que o namorado virou o principal suspeito?

Durante os primeiros levantamentos, amigos relataram que Letícia havia participado de um evento na noite anterior ao lado do namorado, Gustavo Dutra Lima.

Testemunhas afirmaram que o relacionamento era marcado por discussões e episódios de comportamento agressivo. Os policiais também localizaram um boletim de ocorrência registrado pela própria vítima em fevereiro deste ano, no qual ela denunciava ameaças e ciúmes excessivos do companheiro.

Além disso, as últimas mensagens enviadas por Letícia foram registradas por volta das 11h42. Conforme a investigação, Gustavo teria deixado o prédio naquela mesma manhã.

Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores: o carro da vítima não estava na garagem do edifício. Durante as buscas, o veículo foi encontrado estacionado próximo ao prédio onde Gustavo morava. O automóvel foi apreendido para perícia.

Prisão

Enquanto familiares e amigos tentavam descobrir o paradeiro de Letícia, diversas ligações foram feitas para Gustavo. Segundo a Polícia Militar, ele chegou a atender algumas chamadas e afirmou que estava em Carandaí, alegando não saber onde a namorada estava.

As buscas, porém, não confirmaram essa versão. Com apoio de equipes de inteligência, a Polícia Militar localizou Gustavo no município de Bom Jardim de Minas.

Durante a abordagem, foram encontrados com ele cartões bancários pertencentes à vítima. O suspeito foi preso e encaminhado à Polícia Civil, que prossegue com a investigação do feminicídio.

 

 

*r7/Foto: Reprodução Redes Sociais

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