O Aedes Aegypti foi o tema do Baixada em Pauta desta semana, que contou com os convidados Fábio Lopes, biólogo e pesquisador, e Márcia Guia, enfermeira e gestora em saúde. Eles trabalham desde 1996 com o vetor em São Vicente, no litoral de São Paulo, na primeira epidemia da doença na região.
De lá pra cá, contaram que enfrentaram muitas dificuldades com a falta de recursos e pessoas capacitadas para atuar no controle da doença, mas desenvolveram ações, mapearam a área e conseguiram desenvolver um trabalho.
Apesar de todos os esforços, a dupla ressalta que é a população quem tem papel fundamental para evitar o aumento de casos e mortes pela doença. Pois o controle do vetor em áreas urbanas está diretamente relacionado com a eliminação de focos de larvas do mosquito dentro de casas.
De acordo com Fábio, nunca mais o mosquito será erradicado, como aconteceu em 1955 após ação do médico sanitarista Oswaldo Cruz. Este, em 1920 agiu e controlou a proliferação do mosquito, que foi considerado erradicado trinta anos mais tarde.
“Ele não vai ser erradicado, tanto que o nome do plano de erradicação mudou para Plano Nacional de Controle da Dengue. Não é mais possível erradicar (o mosquito). O Aedes aegypti está muito ligado aos criadouros artificiais: lata, pote, frasco, tambor, barril, cisterna, caixa d’água”, disse o biólogo.
Ainda de acordo com ele, em 1996, quando começou a trabalhar no controle do mosquito, este fazia a postura de ovos em 12 tipos de criadouros diferentes. “Hoje, ele faz em 40, fora outros subtipos. Ele está diretamente ligado à nossa incompetência de gerenciar o lixo reciclável. A gente não gerencia 2% do nosso potencial de reciclagem no Brasil. O Aedes aegypti veio para ficar”.
O Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e outras doenças, de acordo com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), é originário do Egito, na África, e tem se espalhando pelo planeta desde o século 16, durante as grandes navegações.
O vetor foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1762, quando foi denominado Culex aegypti. O nome definitivo – Aedes aegypti – foi estabelecido em 1818, após a descrição do gênero Aedes.
Segundo o instituto Fiocruz, relatos da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) mostram que a primeira epidemia de dengue no continente americano aconteceu no Peru, no início do século 19, com surtos no Caribe, Estados Unidos, Colômbia e Venezuela.
No Brasil, os primeiros relatos de dengue datam do final do século XIX, em Curitiba (PR), e do início do século XX, em Niterói (RJ). Hoje, o mosquito é encontrado em todos os Estados brasileiros.
Dados do Ministério da Saúde dão conta que que a primeira ocorrência documentada do vírus da dengue no país aconteceu entre os anos 1981-1982, em Boa Vista (RR), causada pelos vírus DENV-1 e DENV-4. Anos depois, em 1986, houve epidemias no Rio de Janeiro e em algumas capitais do Nordeste. Desde então, a dengue vem ocorrendo no Brasil de forma continuada.
Fonte: G1/Foto: GETTY IMAGES via BBC




