EUA x Irã: acordo de paz prevê pontos a serem cumpridos por cada lado

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O acordo inicial de 14 pontos entre Estados Unidos e Irã prevê compromissos mútuos entre os dois países, mas também pontos a serem cumpridos de forma individual por norte-americanos e iranianos.

O documento já está em vigor após ser assinado de forma digital pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o líder norte-americano, Donald Trump, na quarta-feira (17/6). A previsão inicial era de que as assinaturas fossem na sexta-feira (19/6), durante um encontro na Suíça, foram adiantadas.

Ainda assim, o encontro no país europeu não está descartada. De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, “a próxima fase das negociações precisa começar”, e pode acontecer na Suíça.

Segundo o memorando de entendimento, Washington e Teerã têm algumas obrigações em comum. Entre elas, o fim da guerra em todas as frentes, incluindo os ataques de Israel no Líbano; o respeito a soberania e integridade territorial; o início de negociações, que devem durar 60 dias para um acordo final; e o estabelecimento de um mecanismo para monitorar o acordo inicial. 

Veja os 14 pontos do acordo

Quais são os compromissos dos EUA?

Dos 14 pontos do memorando de entendimento, cinco deles dizem respeito a compromissos dos EUA. Neles há a previsão, por exemplo, de um mecanismo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país persa — apesar do presidente Donald Trump ter negado inicialmente a informação. Veja: 

  1. Os EUA devem interromper o bloqueio naval contra portos iranianos em um prazo máximo de 30 dias após a assinatura do memorando. Forças norte-americanas também devem ser removidas das proximidades do Irã.
  2. O desenvolvimento de um plano para a reconstrução e desenvolvimento do Irã no pós-guerra, no valor de US$ 300 bilhões.
  3. Extinção de sanções internacionais dos EUA contra o Irã, como resoluções no Conselho de segurança da ONU, na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e também retaliações econômicas unilaterais norte-americanas.
  4. Isenções do Departamento do Tesouro dos EUA para a exportação de produtos petrolíferos iranianos, incluindo transações bancárias.
  5. Liberação de fundos e ativos iranianos congelados ou restritos pelos EUA.

E o Irã?

O memorando de entendimento prevê apenas duas obrigações exclusivas do Irã, que foram as principais exigências do governo Trump antes do início da guerra, e durante as negociações mediadas pelo Paquistão. Confira:

  1. Garantir a passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz por um período de 60 dias, sem a cobrança de taxas logo após a assinatura do memorando, com previsão do restabelecimento total do tráfego em até 30 dias. Definir a futura administração do local junto do governo de Omã.
  2. Promessa de não desenvolver ou adquirir armas nucleares, e o início de discussões para a remoção dos estoques de urânio enriquecido acima do nível utilizado para uso civil do país.

Pontos de discordância

Conforme prevê o memorando, EUA e Irã vão ter 60 dias para discussões mais detalhadas sobre um acordo de paz final entre os dois países. O principal deles diz respeito as operações das Forças de Defesa de Israel (FDI) no Líbano, visando o Hezbollah. 

O primeiro ponto do acordo inicial divulgado na quarta-feira fala sobre o fim da guerra em todas as frentes. O que inclui o território libanês, alvo de ataques constantes desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã em fevereiro.

Palco de conflitos que já duram décadas entre forças israelenses e a ala militar do grupo xiita, o Líbano voltou a viver uma crise de segurança após Israel e Hezbollah voltarem a se atacar mutuamente em meados de março.

Na época, a organização xiita lançou operações contra posições israelenses não só no sul do Líbano —  onde as FDI mantém controle operacional de um território com cerca de 10 km na fronteira — mas também contra Israel.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) responderam com operações que chegarem até mesmo a capital do Líbano, Beirute.

Em abril o governo dos EUA chegou a mediar um acordo de cessar-fogo, que foi estendido por mais 45 dias, e renovado em 3 de junho. A trégua, no entanto, nunca saiu do papel.

Apesar da exigência iraniana, as FDI não cessaram os ataques contra o Líbano nem mesmo após o texto final do memorando de entendimento entre EUA e Israel ser finalizado. O Hezbollah, que não participou das negociações de trégua, também não recuou e continuou realizando operações contra posições israelenses.

Críticas de Trump

No domingo (14/6), Trump chegou a criticar uma onda de bombardeios contra Beirute, e afirmou que a operação não deveria ter acontecido “especialmente” em meio aos avanços do acordo com os iranianos.

O líder norte-americano voltou a comentar sobre as ações israelenses no Líbano durante participação na cúpula do G7, realizada na cidade Évian-les-Bains, na França.

No evento que reuniu chefes de Estado e representantes das sete maiores economias do mundo, Trump criticou abertamente o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e sugeriu que a Síria passe a “lidar” com o Hezbollah.

“Se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar todo mundo, a Síria deveria fazê-lo”, disse o presidente dos EUA.

Até o momento ainda não está claro se Israel vai aceitar interromper os ataques contra posições do Hezbollah no Líbano.

No início da semana, o ministro da Defesa do país, Israel Katz, negou qualquer possibilidade de retirar tropas israelenses do sul do Líbano. Já Netanyahu afirmou que Israel vai continuar “neutralizando ameaças” na região.

Fonte: Metrópoles/Foto: Arte Metrópoles

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