Ex-presidente da Americanas diz que problema contábil se arrasta por cerca de 7 a 9 anos

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O agora ex-CEO da Americanas, Sergio Rial, disse, nesta quinta-feira (12), que o problema que resultou nos R$ 20 bilhões em inconsistências no balanço da empresa se arrasta por cerca de sete a nove anos.

Ele, que realizou uma reunião fechada com clientes do BTG Pactual, afirmou que as divergências encontradas na contabilidade se relacionam com o “risco sacado que não era lançado como dívida”, e disse que a companhia vai precisar de capital.

Por isso, contou que os acionistas de referência já foram contactados, e que eles têm mostrado comprometimento com a varejista.

Nesta quarta (11), a empresa anunciou ter encontrado inconsistências contábeis ligadas à conta de fornecedores, fato que levou o então presidente-executivo a deixar o cargo. Rial, que havia assumido o posto último dia 2, foi substituído interinamente por João Guerra, oriundo do setor de tecnologia da Americanas, “não envolvido na gestão contábil ou financeira”.

Americanas informou que a decisão de deixar a presidência foi do próprio Rial, e refletiu a “alteração de prioridades da administração”, mas que ele continuará como assessor dos acionistas de referência, os bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

Ainda nesta quinta, Rial acrescentou que “os R$ 20 bilhões são a melhor estimativa do que vimos em nove dias, não chancelados por auditoria”. Segundo o executivo, essas incongruências na maneira de reportar a “conta fornecedores” não são um problema apenas da Americanas, mas se arrastam desde os anos 1990 no setor, por conta de diferentes formas de reportar essa rubrica.

Impactos

A Americanas é um dos maiores grupos varejistas da América Latina, com valor de mercado de cerca de R$ 11 bilhões. O patrimônio líquido da companhia no fim de setembro era de R$ 14,7 bilhões.

O grupo afirmou que, apesar de não conseguir determinar todos os impactos no balanço da empresa neste momento, acredita que “o efeito caixa dessas inconsistências seja imaterial”.

Para profissionais do mercado, o anúncio deve acertar em cheio as ações da companhia. “Como uma empresa do tamanho da Americanas, cujos relatórios financeiros passam por auditoria, consegue esconder R$ 20 bilhões de dívidas?”, questionou Fabrício Gonçalves, presidente da Box Asset Management.

*R7

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