Exclusivo: relatos de vizinhos, festas e novas testemunhas ampliam investigação sobre morte da capitã da PM

Publicado em

A investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, ganhou novos elementos após uma apuração exclusiva da RECORD Minas, exibida no Domingo Espetacular.

Testemunhos inéditos de vizinhos, detalhes sobre a rotina do casal e informações sobre uma festa realizada no apartamento onde a oficial morreu reforçam a linha investigativa da Polícia Civil, que busca reconstruir as últimas horas de vida da militar e esclarecer o que aconteceu dentro do imóvel.

O principal investigado é o marido da vítima, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos. Ele está preso por suspeita de feminicídio e tráfico de drogas. A defesa informou que só irá se manifestar nos autos do processo, em razão das investigações em andamento.

A reportagem teve acesso ao condomínio onde o casal morava, no bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Moradores relataram que festas eram frequentes no apartamento 604, muitas delas realizadas aos fins de semana, e que discussões entre Michele e Eduardo também eram constantes.

A educadora física Daniela Soares da Silva, vizinha do casal, contou que ouvia barulhos de objetos caindo e quebrando, embora não conseguisse compreender exatamente o conteúdo das brigas. Segundo ela, o clima de tensão era recorrente no apartamento.

Após o socorro da capitã, a mesma testemunha afirma ter encontrado gotas de sangue ainda frescas no corredor, próximas ao elevador e à porta do imóvel. “Quando eu cheguei, eu vi as gotas de sangue fresca no chão. Algo pesado aconteceu. Alguns gotinhas de sangue no chão perto do elevador, perto da porta dela, que a minha porta é do lado.”

Segundo a vizinha, as discussões podem ter começado ainda entre a noite de sábado e a madrugada de domingo. “Eu acho que desde sábado para domingo ela já tinha começado algumas discussões, já tinha tido agressões. ”

A família acredita que pessoas que participaram da confraternização realizada no apartamento podem ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos e faz um apelo para que testemunhas procurem a Justiça.

“Eu peço a todo mundo que tenha humanidade. Mostre, fale, mesmo que seja para a Justiça, que não apareça, mas que a Justiça saiba o que realmente aconteceu ali”, disse o tio de Michelle Leão, Marlon de Carvalho.

As imagens obtidas pela investigação mostram o momento em que Eduardo deixa o apartamento carregando Michele nos ombros em direção à garagem. Para familiares, a forma como a capitã foi transportada demonstra que ela já não apresentava sinais de vida.

O sargento colocou a esposa no banco do passageiro e deixou o condomínio com a porta do veículo aberta. Para a família, a ausência de qualquer tentativa de acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também levanta questionamentos sobre a versão apresentada pelo militar.

No hospital, Eduardo afirmou que Michele havia caído de uma escada. No entanto, médicos identificaram múltiplas lesões pelo corpo e acionaram imediatamente a Polícia Militar. A diretora técnica da unidade confirmou que a capitã chegou sem sinais vitais e que havia um intervalo significativo entre a morte e a entrada no hospital.

Enquanto Michele era atendida, Eduardo pediu para ir ao banheiro. Um oficial o acompanhou e flagrou o sargento tentando descartar 18 comprimidos de ecstasy na lixeira. Ele recebeu voz de prisão em flagrante.

Fragmentos de violência no apartamento

As buscas no apartamento também revelaram novos elementos. A perícia recolheu um pedaço de madeira quebrado encontrado no lixo e um lençol que estava dentro da máquina de lavar. Os materiais serão submetidos a exames para verificar se têm relação com o crime.

Outra frente da investigação busca identificar e ouvir pessoas que participaram da festa realizada no imóvel antes da morte da capitã. Imagens das câmeras de segurança registraram, durante a madrugada de segunda-feira, a saída de uma mulher do prédio. Um carro que seria de um dos convidados permaneceu estacionado na garagem do condomínio dias depois da ocorrência.

O laudo do Instituto Médico-Legal apontou que Michele morreu em decorrência de politraumatismo. A perícia identificou múltiplas lesões distribuídas pelo corpo, incluindo marcas semelhantes a chicotadas, principalmente nas pernas, além de fraturas, hematomas e ferimentos compatíveis com violência intensa.

Versão do sargento

Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal consumiu álcool e ecstasy durante a festa e manteve uma relação sexual consensual com práticas de dominação e violência. Disse ainda que Michele teria caído de uma escada por volta do meio-dia de segunda-feira, recusado atendimento médico para evitar punição disciplinar pelo uso de drogas e que ambos teriam dormido até ele perceber, à noite, que ela não respirava.

A versão, entretanto, é contestada pela família, que afirma que Michele não pode mais se defender das acusações feitas pelo marido.

As novas revelações também reforçam o histórico de violência atribuído ao sargento. Conforme a Polícia Militar, Eduardo já figurou como autor de dois registros de violência doméstica em 2016 e de outro caso semelhante em 2014, antes de ingressar na corporação.

Ele também foi desligado da instituição após um episódio envolvendo porte ilegal de arma quando ainda era menor de idade, mas retornou à PM por decisão judicial em 2015. Em 2023, voltou a ser preso em flagrante após abandonar o local de um acidente de trânsito, fato que gerou consequências disciplinares.

Para familiares, o caso ultrapassa a tragédia individual e deve servir de alerta para outras mulheres. “Mesmo uma pessoa que é da polícia, preparada, capitã, ela sofreu o que sofreu até a morte.”

A Polícia Civil segue reunindo laudos periciais, imagens de segurança e depoimentos para esclarecer a dinâmica da morte da oficial e definir as circunstâncias do crime.

Relembre o crime

A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na noite de 21 de julho, após ser levada pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, ao Hospital Odilon Behrens, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. À equipe médica, o militar afirmou que a esposa havia caído de uma escada dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares. No entanto, os profissionais de saúde identificaram múltiplas lesões pelo corpo da vítima e constataram que ela já chegou à unidade sem sinais vitais, acionando imediatamente a Polícia Militar.

Imagens das câmeras de segurança do condomínio mostram Eduardo deixando o apartamento carregando Michele nos ombros até a garagem e colocando a capitã no banco do passageiro do carro. Segundo familiares, a forma como ela foi transportada e o tempo transcorrido até a chegada ao hospital reforçam a suspeita de que a vítima já estava morta quando deixou o imóvel. Durante o atendimento médico, o sargento foi flagrado tentando descartar 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital e recebeu voz de prisão em flagrante por feminicídio e tráfico de drogas.

O laudo do Instituto Médico-Legal apontou que Michele morreu em decorrência de politraumatismo, com diversas lesões espalhadas pelo corpo, incluindo hematomas, fraturas e marcas compatíveis com agressões. Em depoimento, Eduardo alegou que os dois consumiram álcool e ecstasy durante uma festa realizada no apartamento, mantiveram uma relação sexual consensual com práticas de dominação e violência e que Michele teria caído de uma escada. A versão é contestada pela família e pela investigação.

As investigações também revelaram que Eduardo possui antecedentes por violência contra mulheres. Conforme a Polícia Militar, ele foi autor de registros de violência doméstica em 2014 e 2016, além de já ter sido preso em 2023 após abandonar o local de um acidente de trânsito. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e a Polícia Civil continua apurando a dinâmica do crime, ouvindo testemunhas e analisando os vestígios recolhidos no apartamento para esclarecer as circunstâncias da morte da capitã.

 

 

 

 

 

 

*R7/Foto: RECORD Minas/ Reprodução

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Genial/Quaest mostra disputa apertada pelo Senado em MG

Belo Horizonte – A disputa em Minas Gerais pelas duas vagas...

Casos de malária caem no Amazonas, mas áreas indígenas ainda concentram 44% dos registros

O Amazonas registrou queda de 17,9% nos casos confirmados...

Nova polêmica com filho de Zé Felipe e Virgínia: sexualização infantil não é brincadeira!

Um novo vídeo do cantor Zé Felipe com o filho mais novo...

Prévia da inflação: IPCA-15 desacelera em julho e tem alta de 0,06%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15...