Foguete da SpaceX atinge a Lua e abre cratera de 18 metros, diz Nasa

Publicado em

O segundo estágio de um foguete Falcon 9, da SpaceX, atingiu a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira, em um raro caso de colisão de um objeto construído pelo homem com o satélite natural da Terra. O impacto ocorreu na região próxima às crateras Einstein e Bell, a uma velocidade estimada de 8.700 km/h, sem oferecer qualquer risco ao planeta.

A estrutura, com cerca de 14 metros de comprimento, quatro metros de largura e aproximadamente quatro toneladas, permaneceu em órbita desde janeiro de 2025, quando lançou ao espaço dois módulos de pouso lunar. Um deles, o Blue Ghost-1, da empresa americana Firefly Aerospace, completou a missão com sucesso. O outro, o japonês Hakuto-R, da empresa iSpace, caiu durante a tentativa de pouso.

Segundo a Nasa, a trajetória que levou o estágio do foguete até a Lua foi resultado da combinação entre a atividade solar e as forças gravitacionais. A agência informou que a SpaceX realizou o descarte do equipamento de acordo com os procedimentos previstos após o lançamento.

A rota do objeto foi inicialmente identificada por astrônomos independentes a partir de dados públicos. Posteriormente, o Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, confirmou que havia 100% de probabilidade de colisão com a superfície lunar.

Embora o impacto não pudesse ser observado a olho nu — nem mesmo por telescópios de grande porte, devido à iluminação da região atingida —, a colisão será estudada em detalhes. O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), satélite que orbita a Lua desde 2009, fará imagens da área antes e depois do impacto. A expectativa é que os primeiros registros sejam divulgados nas próximas semanas.

De acordo com estimativas da Nasa, a colisão deve ter formado uma cratera de aproximadamente 18 metros de diâmetro e 3,5 metros de profundidade, além de lançar poeira e fragmentos de rochas para o espaço. A energia liberada equivale à explosão de cerca de 2,8 toneladas de TNT.

Apesar da dimensão do evento, a agência ressalta que impactos dessa magnitude são relativamente comuns na Lua. Um meteoroide com energia semelhante atinge a superfície lunar, em média, a cada seis dias. A diferença é que, desta vez, os cientistas conheciam exatamente o objeto, sua massa, velocidade e o local da colisão, o que permitirá análises mais precisas sobre o comportamento do material ejetado e a composição do solo.

Os pesquisadores também esperam obter novas pistas sobre a existência de gelo de água abaixo da superfície lunar. Segundo Carl Schmidt, cientista planetário da Universidade de Boston, a análise da nuvem de poeira produzida pela colisão poderá revelar a quantidade de água congelada presente na região, informação considerada estratégica para futuras bases lunares.

Fonte: O Globo/Foto: Ethan Swope/Bloomberg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Anvisa afirma que é falso vídeo sobre alerta de plástico em ovos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informa que...

Brasil rebaixa relação com Argentina e mantém embaixador em Brasília

O governo brasileiro decidiu não enviar o embaixador Julio Bitelli...

Visto cancelado de embaixadora piora relação diplomática entre Brasil e EUA

A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe...

Genial/ Quaest: Lula lidera 1º e 2º turnos, mas Flávio cresce

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5/8) mostra que o...