Infraero deve cortar 1,5 mil funcionários em Programa de Demissão Voluntária

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Infraero deve cortar 1,5 mil funcionários após a conclusão do processo burocrático que envolve a 7ª rodada de concessões de aeroportos, disse o secretário de Aviação Civil do Ministério de Portos e Aeroportos, Juliano Noman, nesta segunda-feira (24).

Segundo Noman, a reestruturação será feita por meio do Programa de Demissão Voluntária (PDV). Com isso, o quadro de funcionários deve ser reduzido de 2 mil para 500.

A sétima rodada de concessões foi realizada em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), e incluiu a concessão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

“Na concessão da sétima rodada é previsto um valor para pagar o PDV da Infraero“, disse, em evento no Rio de Janeiro, acrescentando que esses recursos já foram depositados.

“A empresa já tem dinheiro em caixa para seguir com o PDV. O planejamento é que, dos 2 mil funcionários, sobrem 500. E aí, com 500 funcionários e com o Santos Dumont, a empresa seria totalmente sustentável”, afirmou ele.

O aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, chegou a ser listado para a 7ª rodada, mas foi retirado posteriormente por temores de efeitos de concorrência predatória sobre o aeroporto de Galeão, também no Rio.

Após a conclusão de todo processo burocrático de concessão dos terminais da sétima rodada, o Santos Dumont será o único aeroporto sob administração plena administração da Infraero, que também mantém participação minoritária em terminais licitados a iniciativa privada.

A estatal tem ainda contratos de prestação de serviços para dez aeroportos regionais, segundo o secretário. Essa “nova” Infraero terá como papel primordial o estímulo a aviação regional do Brasil.

“O governo quer direcionar e organizar a Infraero para ter um papel relevante na aviação regional. Com os recursos recebidos dos grandes aeroportos, financiar operação e construção em locais menos providas de infra estrutura”, disse ele.

Esvaziamento do Galeão

Representantes dos governos da cidade e do Estado do Rio de Janeiro vão ter uma reunião com o ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França (PSB), para tratar do esvaziamento do aeroporto do Galeão.

Autoridades do Rio afirmam que o Santos Dumont teve em 2022 uma movimentação de cerca de 10 milhões de passageiros, acima da capacidade total do aeroporto.

A concessão do Galeão ocorreu em 2013, no governo Dilma Rousseff (PT), após um lance vitorioso de 19 bilhões de reais. A concessão tem prazo até 2039, mas a operadora Changi chegou a manifestar interesse de devolver o terminal em razão da falta de perspectiva de demanda. A empresa de Cingapura teria voltado atrás e, agora, aguarda o resultado das negociações entre os governos.

O governador Cláudio Castro (PL) e o prefeito Eduardo Paes (PSD) disseram nesta segunda feira que, se não houver uma solução para a crise envolvendo o Galeão, poderão tomar medidas contra o Santos Dumont.

“Esse tema já foi debatido em demasia. O aeroporto (Santos Dumont) tem que ter sua capacidade limitada a 6 milhoes de pessoas. Ponto final. O Galeão é que tem que ser o ‘hub’ do Rio”, disse Paes. “Um não pode canibalizar o outro”, acrescentou.

Castro disse que se ele e Paes saírem da reunião com o ministério e perceberem “que não há vontade de resolver, nós dois vamos reunir nossa equipe para saber que medidas tomar”. “Mas, como disse, a gente não quer que essa reunião de amanhã se torne uma faca no pescoço”, afirmou o governador.

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