Linhas Tortas: REFLEXÃO

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A situação atual no Brasil, como uma tempestade que os fortes ventos desarranjam a superfície, tirando coisas e trazendo outras, é um grande desafio. Há um sentimento de assombro, onde se fica procurando o que o vento levou e tentando descobrir o que fazer com o que ele trouxe até os pés. Ao mesmo tempo se descobre como era frágil a vida vivida até aqui. A normalidade, na realidade, não era “normal”, apenas se via o que se desejava ver e se vivia o que se podia viver. Talvez, houvesse mais sonhos do que realizações, tanto individuais como coletivas. Como passageiros de um navio, toda a direção da viagem ficava com o “comandante” e a sua “tripulação”. Aos “ passageiros habitantes” caberiam cuidar dos seus pertences e da sua família, fazer novos amigos, conhecer a “vizinhança”, e fazer planos, como sempre, para o futuro. Uma “viagem” num rumo incerto. Agora, com a “parada forçada num cais temeroso”, todos os “cabos de segurança” se soltaram durante a tempestade e, entre choros e gritos, “piratas do além” assumiram o comando do que era “um maravilhoso navio dos sonhos”. Talvez, agora, todos se tornem passageiros de um “navio fantasma” à deriva, cheio de seres horrendos e amedrontadores. Ou, talvez, mais real, o povo se torne os “passageiros” de um navio negreiro, com todas as suas vicissitudes. Como ocorreu a centenas de anos atrás com os negros africanos que foram iludidos e traídos pelos próprios ”irmãos” e seus “líderes”, agora a história se repete com novas traições e mentiras, fantasiadas de ilusões. Agora, o povo necessita de um “porto seguro”, pois o “navio” pode soçobrar a qualquer momento. A luxúria, a bebedeira e as festas tomam conta do “convés”. Quem manda são os “novos donos do navio”, os piratas. Afinal, o que fazem os piratas além de roubar o alheio? Pensando lá atrás, porque um povo sadio e forte, como os negros e as negras africanas, se submeteram, quase docilmente, a um bando de inescrupulosos? Poderia ser o exercício da “obediência”? Obediência às leis, às regras, aos seus líderes, às suas tradições pacíficas? Faltou ao cidadão comum o convívio com a “violência da perda de tudo que é seu”? Nada “é seu” mais. Nem o próprio cidadão se pertence. Será que os “cadeados” das portas dos porões do navio eram inquebráveis? Ou será que os “piratas” de hoje são seres de outro planeta, totalmente invencíveis? E se os negros africanos tivessem se rebelado em “alto mar” e se apossado das caravelas? A História, pode sim, ser modificada pelo seu povo, da mesma forma que os negros escravos poderiam ter modificado a nossa história do Brasil. ELES ERAM MAIS NUMEROSOS E INCOMPARAVELMENTE MAIS FORTES, MAS NÃO SABIAM!

Por: Elias do Brasil / escritor e historiador, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) e articulista.

3 COMENTÁRIOS

  1. Mais um texto lúcido e certeiro, sempre com o intuito de renovar nossas esperanças de que este “navio” chamado Brasil chegue a um lugar onde a Liberdade seja praticada…

  2. O texto é claro e translúcido, é preciso como exato 2 + 2 = 4 e conciso como devem ser fatos que podem ser expressos com poucas palavras. Parabéns prezado confrade Elias.🇧🇷

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