Localização torna Manaus centro de logística de exportação na Amazônia

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Mesmo sem rodovias trafegáveis que o interliguem ao restante do país, o Amazonas está bem localizado estrategicamente para exportação e isso tem potencial de favorecer a economia do estado, afirma o professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Augusto César Barreto Rocha.

O principal modal logístico empregado é o marítimo – em dezembro de 2022 representou 50,68%, mas a via aérea tem potencial de crescimento. É que Manaus está próximo dos principais aeroportos dos países que fazem fronteira com o Brasil.

“Quando a gente olha o norte da América do Sul, Manaus é muito bem-posicionada. E aqui em volta a gente tem a Venezuela, a Colômbia, o Equador, o Peru, a Bolívia, está tudo no entorno”, disse Rocha, que é doutor em engenharia de transportes.

“Se você coloca um compasso em Manaus até Brasília e você gira ele em 360 graus, você vai ver que a gente atinge todos os aeroportos principais dos países que fazem fronteira com o Brasil. A posição geográfica de Manaus é muito interessante”, completou o professor.

Os dados da exportação do Amazonas reforçam a necessidade de melhorar as conexões com os países no entorno do estado.

Em 2022, a Colômbia foi quem mais comprou do Amazonas, seguida da Venezuela e da Argentina, conforme dados da Sedecti (Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas).

Entre os cinco principais produtos exportados pelo estado estão as preparações alimentícias, que são preparação para elaboração de bebidas, caramelos, confeitos, pastilhas, pós para preparações de cremes, sorvetes, flans, gelatinas e gomas de mascar. A exportação desses produtos alcançou R$ 191,1 milhões. Colômbia, Bolívia e Venezuela foram os principais clientes do Amazonas.

Veja os cinco principais produtos exportados pelo Amazonas. Eles somam 56% de todas as exportações do estado.

Como exemplo de boas conexões, Augusto César Rocha menciona os aviões cargueiros que saem de Miami com destino a Manaus e que, antes de voltar aos Estados Unidos, levam cargas da capital amazonense para Bogotá, na Colômbia. “Se isso for estimulado, podem surgir várias oportunidades aqui pra Manaus de exportação de outras coisas”, disse o professor.

Há outro fator que favorece o Amazonas. Com portos capazes de receber cargas de navios de grande porte, que chegam ao Oceano Atlântico através do Rio Amazonas, o estado amazonense é rota importante de exportação não apenas de produtos próprios, mas também de outros estados, incluindo os do centro-oeste brasileiro.

Grãos de soja, por exemplo, são transportados de Mato Grosso a Itacoatiara (a 175 quilômetros de Manaus) pelo Rio Madeira. De lá, seguem para outros países pela foz do Rio Amazonas, entre o Amapá e o Pará. “Esses navios vão de maneira muito mais rápida para o norte da América do Sul, nos Estados Unidos, para Europa…”, disse Rocha.

Para o professor, esses fatores geográficos tem favorecido os números de exportação do Amazonas. O estado tem se tornado um “centro de logística para essa exportação” de produtos de estados vizinhos.

“Daqui de Manaus vai sair aqui na costa do Amapá. De navio vai para o hemisfério norte. É diferente de sair de Paranaguá, que é lá no sul, e subir o Brasil inteiro”, disse Rocha.

“Então, o que o norte do Mato Grosso tá fazendo? Tudo que é produzido de soja no arco norte do Mato Grosso vem ou pelo Rio Madeira, por balsa, para Manaus, principalmente essa rota. Vai até Porto Velho, depois vem por balsa até Manaus e aqui consolida”, disse Rocha.

Foto: Divulgação/Suframa

*Amazonas Atual

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