Lula se reúne com Motta e Alcolumbre por taxa das blusinhas e prioridades

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No esforço de destravar pautas prioritárias para o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne, nesta quarta-feira (26/8), com os mandatários do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em almoço no Palácio da Alvorada.

O encontro tem o objetivo de discutir, entre outras pautas, a medida provisória (MP) que acaba com a cobrança do imposto de importação para compras até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Prestes a caducar, o texto ganhou foco total do governo para impedir a volta do tributo semanas antes das eleições.

Lula entrou pessoalmente na articulação para aprovar a proposta. Na última semana, ele viajou com Motta para cumprir agenda no Rio Grande do Norte (RN) e reforçar o movimento de reaproximação da cúpula do Congresso. O petista manteve reuniões com Alcolumbre, selando a trégua entre os líderes após meses de distanciamento.

A MP que zera a taxa das blusinhas foi assinada em maio pelo presidente após a avaliação de que a medida trouxe desgastes à popularidade do petista em meio à tentativa de reeleição. Embora a isenção ainda esteja em vigor, se o texto não for votado até 8 de setembro, perde a validade, e a alíquota volta a ser cobrada.

O entorno do presidente teme que eventual retorno da taxa cause impactos à campanha de reeleição ao Planalto. Em entrevista no último domingo (23/8), Lula afirmou que o encontro com os líderes do Congresso garantirá o “fim da taxa das blusinhas”.

“Eu me reuni com o meu amigo Davi Alcolumbre. Quarta-feira tem uma reunião com ele, e vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas, para as pessoas voltarem a comprar suas coisinhas”, relatou o petista durante entrevista à Record TV.

Publicamente, Lula tem feito a defesa do fim da cobrança e se diz “otimista” que a pauta será aprovada. Ele divulgou um vídeo, na última semana, em que classifica a medida como “questão de justiça”.

“Eu estou convencido de que o presidente do Senado, Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, vão votar, e a gente vai aprovar o fim da taxação das blusinhas. Por quê? Porque é uma questão de justiça. A classe média alta viaja para fora, ela pode gastar 2 mil dólares e não paga imposto. Por que uma pessoa da periferia, uma mulher, uma jovem, um menino, compra um negócio de 50 dólares e querem taxar ele?”, questionou.

 


Relação retomada

  • A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou depois da rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).
  • Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado derrubou indicação de um presidente à Suprema Corte.
  • Na época, Alcolumbre foi apontado como responsável por articular a rejeição de Messias. Ele tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que acabou preterido por Lula.
  • O episódio provocou fissura na relação entre os dois, que durou cerca de três meses.
  • A reaproximação só ocorreu após jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em que o presidente da República e o senador retomaram o contato.
  • Depois, Lula e Alcolumbre estiveram juntos em outras três ocasiões — uma delas, em viagem ao Amapá para anunciar descobertas relacionadas ao petróleo na Margem Equatorial.
  • A retomada do diálogo ajudou a destravar matérias que estavam paradas no Senado há meses, como a PEC do fim da 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Na última semana, Alcolumbre despachou os dois textos para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Pautas prioritárias

Além do fim da taxa das blusinhas, a reunião entre Lula, Motta e Alcolumbre mira outras pautas prioritárias que tramitam no Congresso. Na próxima semana, de 31 de agosto a 3 de setembro, parlamentares entram no último período de esforço concentrado antes das eleições. O objetivo é aprovar matérias de interesse e que possam render ganhos eleitorais ao petista.

Entre as prioridades, estão a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, o projeto de lei dos minerais críticos e o projeto que cria o Redata. Durante esses dias, as Casas Legislativas terão sessões presenciais para deliberações e votações a fim de avançar em pautas antes das eleições gerais de outubro.

Na última sexta-feira (21/8), Alcolumbre despachou as PECs do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A movimentação se deu uma semana depois de o senador amapaense anunciar que iria despachar as propostas que estavam paradas na presidência durante meses. A iniciativa ocorre após o parlamentar reatar a relação com o presidente Lula.

O senador e líder do PSD, Omar Aziz (AM), será o relator da PEC do fim da 6×1 na CCJ. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) foi escolhido relator da PEC da Segurança Pública. Na terça (25/8), ele apresentou parecer favorável à aprovação, nos mesmos termos do substitutivo aprovado pela Câmara.

Como mostrou o Metrópoles, o relator da 6×1, Omar Aziz, quer apresentar o parecer até 31 de agosto. Com isso, o governo pretende acelerar a tramitação da pauta e tentar aprovar as matérias antes do primeiro turno do pleito, marcado para 4 de outubro.

Fonte: Metrópoles/Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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