Manchado por fake news, militância e partidarismo, Exército publica novas regras de uso das redes sociais: Força diz que líder militar deve ter soldados zelosos que não sejam meros repetidores de opiniões alheias

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Em boletim militar divulgado no dia 1º de novembro, o Exército brasileiro divulgou a aprovação da nova diretriz estratégica de ética profissional e de liderança militar com validade de 2024 a 2027 e que deve ser observada por comandantes de todos os níveis da Força Terrestre. O documento de 12 páginas foi assinado pelo General Richard Fernandez NunesChefe do Estado-Maior do Exército.

Segundo o documento, o ambiente virtual trouxe novas e complexas abordagens para a compreensão da conjuntura sob a qual o soldado deve decidir e agir e o integrante do Exército, uniformizado ou não, deve se comportar de acordo com os valores do soldado brasileiro.

De acordo com o Exército, o objetivo da diretriz estratégica é, principalmente, fortalecer o entendimento e a aplicação da Ética Profissional e da Liderança Militar, como também orientar os integrantes das Forças sobre os ricos de ações precipitadas, abordagem superficial e visão imediatista; manter sólida competência técnico-profissional e conduta ética e moral irrepreensível; lutar contra desvios comportamentais que ofendam os valores da instituição ou que indiquem a ambição e a vaidade adiante dos interesses da Força; desenvolver o pensamento crítico do militar e orientar a conduta em ambientes para além dos quarteis.

Na prática o documento tem 9 temas estratégicos, divididos em 35 tópicos com as diretrizes. Segundo o Exército, essas estratégias foram desenvolvidas a partir de um estudo multissetorial, envolvendo diagnósticos de riscos, oportunidades e desafios.

As que têm relação mais direta com as redes sociais são as seguintes: 

–  Esclarecer ao público interno a importância da preservação da imagem da Instituição frente às informações falsas, confusas, descontextualizadas e superficiais.

– Ampliar esforços no sentido de expandir na Força conhecimentos relacionados à ética no mundo digital.

– Aprimorar e valorizar os canais de comunicação da Força, assegurando um fluxo de informações confiável e oportuno entre os diferentes escalões, mitigando as consequências negativas da disseminação de notícias falsas, que podem comprometer a coesão interna.

– Intensificar ações com o intuito de orientar, continuamente, os integrantes da Instituição sobre a ética no mundo digital para o correto uso das redes e mídias sociais, com base nas normas e deveres dos militares.

– Difundir de forma mais ampla e adequada ao público interno as ferramentas para análise sumária de dados, em particular quanto à fidedignidade da fonte e à veracidade do dado.

– Inserir nos currículos escolares e nas atividades da caserna temas que ressaltem o conhecimento sobre a ética no mundo digital, incluindo a prevenção de ameaças cibernéticas.

– Promover a difusão do conhecimento sobre a legislação brasileira que trata de crimes no ambiente virtual.

Os responsáveis por fazer valer as novas diretrizes são o Estado-Maior do Exército, o Departamento-Geral do Pessoal, o Comando de Operações Terrestres e os Comandos Militares de Área.

Todavia, o trabalho de conscientização ficará principalmente a cargo do Departamento de Educação e Cultura (DECEx) e do Centro de Comunicação Social (CCOMSEx).

O CCOMSEx deverá, por exemplo:

– Incrementar as medidas para comunicar ao público interno, particularmente realizando campanhas de conscientização para fortalecer uma cultura organizacional ética, destacando condutas exemplares.

– Conscientizar o público interno sobre as características do ambiente informacional precipitado, superficial, imediatista e conturbado, de forma a permitir à nossa força de trabalho enfrentar a desinformação.

– Implementar ações proativas de comunicação estratégica, considerando a ética profissional e a liderança militar como pilares para o fortalecimento da imagem da Instituição.

Já ao DECEx caberá, entre outras atribuições:

– Fortalecer o estudo da História Militar, em particular, no que diz respeito à liderança militar praticada pelas nossas tropas e chefes militares do passado, com esteio no pensamento crítico e na busca por lições aprendidas.

– Direcionar, fomentar, colaborar e incentivar as atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e produção militar de tecnologias de IA, com especial atenção aos aspectos éticos a ela relacionados, incluindo a constante busca pela redução de vieses discriminatórios, o respeito à privacidade de dados e a transparência dos processos e algoritmos de IA.

– Desenvolver o tema “Ética no mundo digital” em suas organizações militares com o intuito de internalizar valores e princípios éticos e morais.

Moderação das redes sociais

Em abril deste ano, o Exército gerou polêmica ao publicar o documento chamado Política de moderação nas mídias sociais do Sistema de Comunicação Social do Exército Brasileiro. A política tinha o objetivo de moderar ou excluir comentários e mensagens com linguagem inapropriada, fake News e opiniões de cunho político ou ideológico nos perfis da Força Terrestre.

De acordo com o documento, o usuário que desrespeitasse as regras de uso e de convivência descritas poderia ser bloqueado pelas redes sociais do Exército e ter as mensagens encaminhadas às autoridades competentes sem consulta, aviso e independentemente da justificativa.

Fonte: Sociedade Militar/Foto: Google

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