Master: BC não identificou Pix, TED nem boletos da Tirreno referentes a operações de crédito

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O Banco Central não identificou movimentação financeira da Tirreno referente às operações de crédito, como empréstimos, que a empresa diz ter realizado. A Tirreno é apontada pela Polícia Federal como empresa de fachada suspeita de ser a origem das carteiras de crédito que seriam falsas e foram vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), no valor total de R$ 12 bilhões.

Segundo documento da PF obtido pelo Metrópoles, que originou a Operação Compliance Zero, em apenas quatro dias de janeiro de 2025, foram identificadas supostas 182 mil operações de crédito com 151 mil pessoas ou empresas.

De acordo com a investigação, porém, “o Banco Central não foi capaz de identificar como a Tirreno pagou pelas carteiras vendidas ao Master, pois a Tirreno não possui movimentação financeira identificada pelo BC”.

O BC informou à PF que “não foram identificadas quaisquer movimentações financeiras da Tirreno” em consulta a sistemas de pagamento, como TED, Pix, boletos ou câmbio.

A PF diz, em trecho do inquérito, que “salta aos olhos, portanto, a clara intenção do Banco Master em se apossar dos recursos do BRB sem qualquer preocupação com a qualidade dos créditos que estavam sendo por ele cedidos e, também, a indispensabilidade da figura da Tirreno no esquema criminoso”.

Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. O dono do Master, Daniel Vorcaro, e outros executivos do banco foram presos. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado da função e, posteriormente, demitido.

Em dezembro, Vorcaro e Costa deram depoimento à PF e participaram de acareação. O ex-gestor declarou que não sabia que as carteiras repassadas pelo Master eram de terceiros (Tirreno). Vorcaro afirmou ter anunciado “que faria venda de originadores terceiros”.

Em ofício enviado ao Ministério Público Federal (MPF), em agosto de 2025, o Banco Central diz que, em relação às operações de crédito consignado originadas pelo próprio Banco Master, e não por terceiros, “historicamente não foram identificados indícios de irregularidades”.

A afirmação reforça a suspeita de que as fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) ocorreram a partir de 2025, quando surge a empresa Tirreno.

O Ofício nº 20035/2025 foi enviado ao MPF pelo BC em agosto de 2025, no âmbito da investigação sobre os negócios do Master com o BRB.

 

 

*Metrópoles/Foto: Michael Melo/Metrópoles

 

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