Moradores da BR-319 temem perder propriedades por falta de título

Publicado em

Falta de título definitivo das propriedades e dificuldade de acesso a serviços de saúde e educação são obstáculos que afetam diretamente moradores às margens da BR-319 (Manaus-Porto Velho/RO). Os entraves foram expostos pelos próprios habitantes do entorno da rodovia em audiência da DPE (Defensoria Pública do Amazonas) e os habitantes temem perder as terras.

A DPE elabora um cadastro sobre os moradores denominado “Gente da 319” para mapear as pessoas que vivem ao longo da estrada. A estimativa é concluir o projeto em três anos.

A audiência reuniu 500 pessoas de cinco comunidades: Purupuru, Araçá, Cristolândia, Igapó-Açú e Realidade. Uma das queixas é a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açú, na altura do km 260 da rodovia, que pode afetar dezenas de casas construídas próximas à balsa, utilizada atualmente para fazer a travessia.

Raimundo Nonato, agricultor e líder comunitário, mora no km 260, na “biqueira” da rodovia, que é como gosta de falar para as pessoas que moram às margens dela. É nesse trecho que a obra da ponte sobre o rio Igapó-Açú passará. A casa dele terá que ser removida. Ele não tem o título definitivo da propriedade.

“Eu sou filho dessa terra. Caso a ponte seja construída mesmo, a minha casa vai ter que ser derrubada e como vou comprovar que a casa que estão derrubando é minha? O sentimento que a gente tem aqui é que somos esquecidos. Nosso fio de esperança a partir de agora é a Defensoria”, disse.

Para o defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, o projeto existe para ajudar pessoas como Raimundo a encontrarem segurança jurídica dos seus imóveis e para levantar as necessidades mais urgentes dos moradores que vivem, há anos, esquecidos pelo Poder Público.

“A BR-319 é vital para o nosso estado e, enquanto Defensoria Pública, estamos buscando entender quais são as vulnerabilidades de quem vive às margens dela. Essa é a primeira incursão de muitas que vamos fazer pela rodovia e esperamos que, ao fim dos trabalhos, as famílias que residem nas comunidades e ramais da rodovia estejam com seus documentos fundiários em mãos”, destacou.

Lançado no final de julho, o projeto “Gente da 319” busca regularizar os imóveis de cinco mil famílias que vivem às margens da rodovia. A iniciativa tem parceria do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e da Sect (Secretaria de Estado das Cidades e Territórios).

No dia 21 de setembro, a Defensoria retorna ao Distrito de Realidade, localizado no km 590 da BR-319, para realizar atendimentos voltados a ações individuais de usucapião. A medida foi identificada como a mais adequada porque as áreas do distrito são privadas, oriundas de títulos definitivos emitidos pelo Incra na década de 1970.

Como muitos terrenos da BR-319 também abrangem o território de Rondônia, uma parceria foi firmada com a Defensoria Pública de Rondônia para que, junto com a Defensoria do Amazonas, também consigam levar regularização fundiária para as regiões de competência do Estado.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Luiz Felipe Santos/DPAM

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

Outro suspeito se entrega por morte de ciclista atacado em Copacabana

Um dos entregadores envolvidos na morte de Cláudio Rafael, de...

Agressores de Cláudio Rafael compartilharam vídeos do linchamento: ‘Arrancar tua cabeça!’

Os homens que lincharam o ciclista Cláudio Rafael Landeiro gravaram a...

Dólar cai com petróleo estável, mas em nível alto, a US$ 94 por barril

O dólar opera em queda frente ao real na...

Ataque com espada deixa diversos feridos em escola na Suécia

Um ataque com espada deixou diversos feridos nesta sexta-feira (21/8) em...