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Criança morre após cair em igarapé e ser arrastada pela correnteza

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Théo Lucca Oliveira da Costa, de 3 anos, morreu após cair em um igarapé no bairro Jorge Teixeira, zona leste de Manaus, durante forte chuva nesta terça-feira (31). A criança brincava sozinha nas proximidades quando foi arrastada pela correnteza.

O resgate foi feito por bombeiros com ajuda de um helicóptero. Théo foi encontrado com sinais vitais próximo a uma ponte, reanimado e levado em estado grave ao hospital, mas não resistiu e morreu a caminho da unidade.

O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal).

Fonte: Amazonas Atual/Foto: WhatsApp/Reprodução

 

Análise: Brasil ativa modo copeiro, varia estratégia diante da Croácia e se mostra competitivo para Copa

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Um Brasil copeiro e com cara de Real Madrid campeão das Champions de 2022 e 2024.

Esse é o diagnóstico da Seleção de Carlo Ancelotti após a última Data Fifa antes da convocação final para a Copa do Mundo. O que se viu em campo diante de França e Croácia foi um time mais preocupado em ser competitivo do que em dar espetáculo e, acima de tudo, consciente das estratégias necessárias para enfrentar equipes das primeiras prateleiras do futebol mundial.

É bom deixar claro desde já que o Brasil de Carleto em muitos momentos abdicará do DNA que o torcedor se acostumou a ver. E não é novidade, na última passagem do italiano pelo Real já foi assim. Entender que não tem o melhor time em mãos é o ponto de partida para uma Seleção que soube ser humilde diante de franceses e croatas para ditar o rumo das partidas e usar o que a geração atual tem de melhor: a transição rápida na velocidade de seus atacantes.

Se diante da França o Brasil em muitos momentos abriu mão da bola para defender em bloco baixo e apostar nos lançamentos longos às costas da defesa, contra a Croácia o time teve paciência para fazer a bola circular quando teve mais posse, mas foi quando teve campo para jogar que foi mais perigoso. O gol de Danilo na reta final do primeiro tempo fez justiça para uma Seleção que apresentou maior compactação e equilíbrio no reencontro com os algozes da última Copa.

Os espaços do jogo contra a França, principalmente na entrada da área, deram lugar a um time mais compacto e com jogo associativo marcante no campo de ataque. Danilo Santos deu mais do que dinâmica ao meio de campo. Com intensidade para atacar e defender, ajudou Matheus Cunha na ocupação de espaços e colocou o jogador do Manchester United no jogo com aproximação.

O Brasil soube ter paciência para circular a bola quando se posicionou no campo ofensivo e viu a dupla de meio-campistas organizar as melhores chances de ataque. Não por acaso, Cunha e Danilo protagonizaram jogadas de três milagres de Livakovic no primeiro tempo: um em finalização do jogador do Botafogo, outra com João Pedro cara a cara após de Cunha, que finalizou no cantinho da entrada da área em seguida para obrigar o goleiro croata a se esticar todo.

Apesar do volume ofensivo do Brasil, a Croácia não se privou de se arriscar no ataque, e foi justamente em um desses lances que saiu o primeiro gol. Após cobrança de escanteio, Léo Pereira fez o corte nos pés de Cunha, que viu um campo inteiro pela frente e ativou aquilo que esta Seleção tem de melhor: a transição rápida.

O lançamento deixou Vini frente a frente com a defesa para dar um corte seco, deixar três adversários no chão e cruzar para Danilo mais uma vez pisar na área e fazer o gol: 1 a 0 e justiça no placar.

Senhor do primeiro tempo, o time mudou a estratégia na volta do intervalo e nitidamente apostou nas bolas em velocidade nas costas de zaga. O Brasil deixou a Croácia ter posse e presença no campo ofensivo disposto a espetar em contra-ataques velozes, mas acabou correndo riscos desnecessários.

Com 67% de posse e oito finalizações, os croatas se lançaram ao ataque e chegaram ao empate após vacilo do Brasil em rara tentativa de pressão no campo de ataque. O gol de Majer após cruzamento da direita e saída do gol ruim de Bento parecia castigar um Brasil que apostou na reatividade no segundo tempo. Até que Endrick entrou em ação.

Repetindo o impacto de dois anos atrás, quando foi determinante nos amistosos contra Inglaterra e Espanha, o jovem fez valer a estratégia de atacar o espaço às costas da defesa croata para fazer a diferença com um pênalti sofrido e uma assistência. O suficiente para mudar o rumo da partida para o 3 a 1 do apito final.

Recompensa merecida para um Brasil que encerra a Data Fifa com repertório tático, mas, acima de tudo, autoconhecimento para se adaptar ao adversário e competir na Copa do Mundo. Afinal, já diriam por aí: “Há momentos em que mais do que jogar bem é preciso vencer”. E é nessa pegada que a Seleção chegará ao Mundial.

Fonte: Globo Esporte/Foto: Nathan Ray Seebeck-Imagn Images

Clima: chuvas castigam todas as regiões do país neste 1º de abril

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O primeiro dia do mês de abril deve ser de instabilidades na maior parte do país. Uma zona de alta pressão continua sobre o Atlântico Sul influencia o tempo no Sudeste e Sul, condicionando chuvas em São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina nesta quarta-feira. No Norte e Nordeste atua uma Zona de Convergência Intertropical, favorecendo temporais.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de “perigo potencial” e “perigo” para essas áreas, onde o volume de chuva pode chegar a 100 mm por dia, acompanhado de rajadas de vento.

Embora a Zona de Alta Pressão esteja sobre o oceano, ele provoca uma espécie de “modulação” na atmosfera, conhecida como crista, que favorece a instabilidade em outras regiões.

Confira a previsão

No Rio de Janeiro as nuvens já aumentam pela manhã, com pancadas de chuva à tarde e à noite, a mínima será de 21°C e a máxima de 33°C. Em Florianópolis deve chover na parte da tarde e tempo firme à noite, a máxima será de 29°C. Já na cidade de São Paulo o dia será de algumas nuvens com precipitação rápida durante o dia e noite. Os termômetros ficam entre 17°C e 27°C.

A previsão para a Região Norte é de volumes significativos de chuva. A faixa sofre atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que proporciona instabilidades na área. Em Manaus o céu estará encoberto durante o dia, com chuvas fortes, e diminuição de intensidade à noite, com termômetros entre 24°C e 28°C.

No Sul do país a probabilidade é de chuva em grande parte da região. Em Curitiba devem haver pancadas de chuva e trovoadas já pela manhã, a temperatura fica entre 15°C e 27°C. Já em Porto Alegre, o tempo fica firme: céu com poucas nuvens e máxima de 32°C.

O Nordeste segue com a atuação de um Vcan, Vórtice Ciclônico de Altos Níveis. O fenômeno proporciona nebulosidade e chuva fraca na faixa litorânea. Em Salvador, o dia será de sol com algumas nuvens e deve chover rápido durante o dia e à noite. A mínima na capital baiana será de 23°C e a máxima de 29°C.

Fonte: Metrópoles/Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Paixão de Cristo: como foi a morte de Jesus, segundo a ciência

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Religiosidade à parte, poucos duvidam que tenha vivido há 2 mil anos um homem chamado Jesus, em parte do que hoje é Israel.

E que ele foi um judeu dissidente que acabou liderando um grupo de seguidores. Sua atuação acabou incomodando o Império Romano. E, às vésperas da Páscoa judaica, ele acabou condenado, torturado e morto por crucificação — uma prática de pena capital comum na época.

Depois de sua morte, seguidores se encarregaram de espalhar seus ensinamentos. Terminava a história e começava o mito, a religião, a teologia.

Essa transição ocorreu principalmente graças a um profícuo escritor da época, pioneiro da Igreja Cristã e autor de muitos textos que hoje estão na Bíblia: Paulo de Tarso (c. 5-67). Na década de 50 do primeiro século da nossa era, cerca de 20 anos depois da morte de Jesus, ele produziu sete cartas cujos textos sobreviveram ao tempo.

“Nessas cartas reparamos que há uma mudança de enfoque. Paulo não mais trabalha com o Jesus histórico, ele trabalha com o Jesus da fé”, explica o historiador André Leonardo Chevitarese, autor de, entre outros, Jesus de Nazaré: Uma Outra História, e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Diante disso, a primeira conclusão é que, desconsiderando a religiosidade decorrente da figura de Jesus, ele foi um condenado político.

“Jesus histórico conheceu uma morte política. Religião e política são coisas muito unidas, principalmente quando estamos tratando de uma liderança popular”, acrescenta Chevitarese.

“Não há como separar as andanças [de Jesus] como algo só político ou só religioso. As fronteiras são muito fluidas. E isso acaba sendo chave para compreender o movimento de Jesus com Jesus [ainda vivo] e o movimento de Jesus sem Jesus [depois da morte dele, com as pregações dos primeiros seguidores].”

Paixão e morte

 

morte na cruz, cujo simbolismo acabou se confundindo com a própria religiosidade cristã, não era um acontecimento raro naquela época.

“A crucificação era a pena de morte usada pelos romanos desde o ano 217 a.C. para escravos e todos aqueles que não eram cidadãos do Império”, explica o cientista político, historiador especializado em Oriente Médio e escritor italiano Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma.

 

“Era uma tortura tão cruel e humilhante que não era reservada a um cidadão romano. Era precedida pelo açoite, infligido com vários instrumentos, conforme a origem e a proveniência social dos condenados.”

“A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano. Fazia parte de uma rotina dentro dos territórios que hoje chamamos de Israel”, pontua Chevitarese. “Mais ou menos uns 40 anos depois da morte de Jesus, quando houve a tomada de Jerusalém, milhares de judeus foram crucificados.”

Os Evangelhos dedicam-se também a narrar as últimas horas de Jesus, detalhando seu sofrimento. De acordo com as escrituras sagradas, ele teria sido levado de uma instância a outra nessas horas de julgamento, com certa hesitação entre as autoridades. Chevitarese diz que historicamente isso não pode ser verdade.

Isto porque, a julgar pelos relatos, Jesus foi morto na antevéspera da Páscoa judaica. “A festa da Páscoa é uma festa política, pois é quando se celebra a passagem da escravidão para a liberdade, a saída do povo hebreu do Egito para a ‘terra onde corre o leite e o mel'”, lembra o historiador.

“Então imaginemos: uma cidade abarrotada de judeus, como a autoridade romana vai botar um judeu para carregar uma cruz pela cidade, no meio de tantos judeus? Seria um convite à rebelião. Com uma pessoa como Jesus ninguém poderia perder tempo. Foi pego e imediatamente crucificado.”

Para Chevitarese, os relatos que existem dando conta de acontecimentos entre a prisão de Jesus, na madrugada de quinta para sexta, e sua crucificação, horas mais tarde, não são históricos; são teologia.

Alguns dias antes, no que acabou se eternizando como Domingo de Ramos, Jesus tinha entrado em Jerusalém. Foi uma rara aparição dele em uma grande cidade, o que teria transformado-o em alvo fácil das autoridades.

Mas por que ele incomodava? Porque liderava um grupo justamente proclamando um novo reino, o Reino dos Céus, ou reino de seu pai. E seu discurso era de um reino diametralmente oposto ao Império Romano, segundo quatro pilares básicos. “Ele se torna messias por conta dessa ideia”, defende Chevitarese.

O primeiro pilar do reino defendido por Jesus era a justiça. Não qualquer justiça, mas a justiça divina. “E ele se referia a Deus como papai, seu pai celestial. Essa justiça tão equilibrada, era claro, se opunha a outro reino, aquele que já estava instalado e que controlava a Judeia: o dos romanos”, compara o historiador. “Ele está dizendo: aqui no meu reino tem justiça; o do César é o reino da injustiça.”

O segundo ponto é que Jesus proclamava um reino de paz, também em oposição ao estado bélico do governo imposto pelos romanos, um império que avançava sobre outros povos.

O terceiro pilar é comensalidade: comida, bebida, fartura na mesa dos pobres, dos camponeses. “O grupo que acompanhava Jesus ouvia sua pregação e, de alguma maneira, achava interessante o que ele estava dizendo”, diz Chevitarese. Por fim, Jesus falava de um reino de igualdade, com a coparticipação de todos. “O ministério de Jesus é de homens e mulheres, iguais”, nota o historiador.

“O importante é que [nesses discursos] política, religião, economia, sociedade, tudo isso se inseria num programa messiânico. Não estava claro onde começava a política e terminava a religião, nem onde terminava a religião e começavam as questões sociais. Tudo estava interligado”, completa.

“Jesus morre por causa de um reino, o reino de Deus. Esse é o movimento de Jesus com Jesus. A geração seguinte, o movimento de Jesus sem Jesus, ressignifica a morte dele como uma morte sacrificial, que ganha dimensão estritamente religiosa.”

As autoridades romanas que serviam na região já estavam mapeando os movimentos de Jesus. E encontraram a oportunidade perfeita quando ele resolveu entrar em Jerusalém. “Viram-no criando confusão no templo, às vésperas da Páscoa, com a cidade cheia de judeus vindos das mais diferentes regiões e pensaram: rapidamente esse homem tem de ser preso, crucificado”, diz o historiador.

“Todos os evangelistas concordam em situar a morte de Jesus em uma sexta-feira, dentro do feriado da Páscoa”, comenta Ferrara. Autor do livro Vita di Gesù Cristo, o padre, biblista e arqueólogo italiano Giuseppe Ricciotti (1890-1964) reuniu várias informações históricas, cruzou-as e concluiu que o mais provável é que a execução tenha ocorrido no equivalente ao 7 de abril do ano 30.

 

A morte na cruz

 

Eram três as maneiras de se executar um condenado na Roma antiga. Segundo explica Chevitarese, um objetivo as unia: não permitir a preservação de vestígios de memória — em outras palavras, impossibilitar que restos mortais fossem sepultados.

Geralmente aos circos romanos eram destinados os condenados por crimes como assassinato, parricídio, crimes contra o Estado e estupros. Na arena, esses criminosos enfrentavam feras até a morte — seus restos eram devorados pelos bichos. Uma segunda forma de execução era a fogueira, que também não deixava muitos resíduos do corpo.

A crucificação era a pena destinada a escravos que atentavam contra a vida dos seus senhores e aqueles que se envolviam em rebeliões. Além de todos os que não eram cidadãos romanos, caso de Jesus. “Ainda vivos, na cruz, aves de rapina já começavam a comer o condenado. Três ou quatro dias depois, a carne desse indivíduo, apodrecendo, caía da cruz e cães e outros animais terminavam de fazer o serviço”, contextualiza Chevitarese.

No início dos anos 2000, o médico legista norte-americano Frederick Thomas Zugibe (1928-2013), professor da Universidade de Columbia e ex-patologista-chefe do Instituto Médico Legal, fez uma série de experimentos com voluntários para monitorar os efeitos que uma crucificação teria sobre o corpo humano. Os resultados foram publicados no livro The Crucifixion of Jesus: A Forensic Inquiry (A crucificação de Jesus: uma investigação forense, em tradução livre).

Para seus estudos, ele utilizou uma cruz de madeira com 2,34 metros na vertical e 2 metros na horizontal. Indivíduos — todos adultos jovens, na faixa dos 30 anos — foram suspensos nela e tiveram suas reações monitoradas eletronicamente, com eletrocardiograma, medição de pulsação e aferição de pressão sanguínea.

Atados assim, os voluntários não conseguiam encostar as costas na cruz e relataram fortes cãibras causadas pelo desconforto da posição, além de formigamentos constantes nas panturrilhas e nas coxas.

Na época de Jesus diferentes formas de cruz eram utilizadas nas execuções. As principais eram a em forma de T e a em forma de punhal. Não há consenso entre pesquisadores sobre qual teria sido a utilizada por Jesus. Ferrara acredita que teria sido a segunda.

Para o médico Zugibe, Jesus carregou, em seu caminho até o local da execução, apenas a parte horizontal. Ele escreveu que a estaca vertical costumava ser mantida no local das crucificações, fora da cidade.

E baseou-se no fato de que a parte horizontal pesava cerca de 22 quilos. A soma de ambas as partes tinha entre 80 e 90 quilos, o que tornaria impossível de ser carregada em uma longa caminhada — que, conforme seus estudos, teria sido de 8 quilômetros no caso de Jesus.

“Detalhes da punição são confirmados pelo uso romano e por documentos históricos: os condenados eram amarrados ou pregados no patíbulo com os braços estendidos e erguidos no mastro vertical já fixado”, esclarece Ferrara.

“Os pés eram amarrados ou pregados, por outro lado, ao poste vertical, sobre o qual uma espécie de assento de apoio se projetava na altura das nádegas. A morte era lenta, muito lenta, e acompanhada por um sofrimento terrível. A vítima, levantada do solo a não mais de meio metro, estava completamente nua e podia ficar pendurada por horas, senão dias, sacudida por espasmos de dor, náuseas e a impossibilidade de respirar corretamente, já que o sangue nem sequer podia fluir para os membros que estavam tensos a ponto de exaustão.”

O que é um entendimento quase unânime entre os pesquisadores é que as cravas eram pregadas nos pulsos, e não nas palmas das mãos — por conta da compleição óssea, as mãos “se rasgariam” com o peso do corpo. “A estrutura das mãos e a ausência de ossos importantes impediriam o suporte de um peso tão grande e a carne das mãos seria dilacerada”, ressalta Ferrara.

O médico Zugibe concluiu que os pregos tinham 12,5 centímetros de comprimento. Ele defendia que Jesus tinha sido pregado, sim, nas mãos, mas não no centro da palma e sim pouco abaixo do polegar. Já suspenso na cruz, os pés de Jesus também foram fixados com cravas — segundo o médico, um ao lado do outro, e não sobrepostos como o imaginário consagrou. Essas perfurações, por atingirem nervos importantes, teriam sido causadoras de dores insuportáveis e contínuas.

“Quanto tempo um indivíduo leva para morrer assim? Morre-se de cãibra, que vai atrofiando seus músculos e levando-o a morrer por falta de ar, com muitas dores, dores gigantescas no corpo todo”, narra Chevitarese. Ferrara, por sua vez, defende que Jesus tenha morrido por infarto do miocárdio, em decorrência do esforço exaustivo.

 

Por meio de seus experimentos, Zugibe analisou as três hipóteses mais aceitas para a morte de Jesus: asfixiaataque cardíaco e choque hemorrágico. Sua conclusão é que Jesus teve parada cardíaca em virtude da hipovolemia, ou seja, a diminuição considerável do volume sanguíneo depois de toda a tortura e das horas pregado na cruz. Teria morrido, portanto, de choque hemorrágico.

“[A morte na cruz] é uma morte de violência física absurda. O tempo dependia das condições físicas em que se encontrava o crucificado. Se a tortura anterior tivesse sido muito intensa, isso de certa forma poderia fazer com que ele morresse mais rápido”, diz Chevitarese. Ferrara acredita que “a agonia de Jesus não tenha durado mais do que algumas horas, talvez até menos do que duas, provavelmente devido à enorme perda de sangue devido à flagelação [anterior]”.

Torturas

 

Se o condenado à morte de cruz era visto pelos romanos como parte de uma “escória”, um não cidadão considerado criminoso e oriundo dos estratos sociais mais baixos, é de se supor que os carrascos não poupassem esses indivíduos de toda sorte de agressões. Para tanto, o instrumento utilizado na tortura era um chicote específico chamado de azorrague.

No caso de Jesus, Ferrara acredita que tenha sido utilizado um com bolas de metal com pontas feitas de osso, capaz de rasgar a pele e arrancar pedaços de carne. “Justamente por ele ser um ‘criminoso’ de baixa classe social e de origem não nobre, no caso um judeu de pequena província oriental do império”, justifica ele.

De acordo com as pesquisas realizadas pelo médico Zugibe, o modelo de chicote utilizado para o açoitamento de Jesus era feito com três tiras. Condenados assim costumavam receber 39 golpes com o instrumento — na prática, portanto, era como se fossem 117 chibatadas, já que essas pontas feitas de osso de carneiro funcionavam como objetos perfurocortantes.

Isso, segundo explicações do médico, resultaria em tremores e até desmaios, e um quadro de hemorragias intensas, danos no fígado e no baço e acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões.

No caminho até o local de crucificação, não havia limites para as torturas. Eram espancados, ridicularizados, vítimas de intensa violência. Relatos bíblicos afirmam que, por sarcasmo, uma coroa de espinhos teria sido cravada na cabeça de Jesus.

Zugibe queria descobrir qual era a planta utilizada para a tal coroa. Depois de entrevistar botânicos e estudiosos de biomas do Oriente Médio, chegou a duas possíveis espécies que seriam capazes de fornecer espinhos grandes o suficiente. Conseguiu as sementes e cultivou ele próprio as árvores para, depois, analisá-las.

Acabou concluindo que foram utilizados ramos de uma árvore conhecida como espinheiro-de-cristo-sírio. Segundo o legista, os ferimentos causados por esse espinho na cabeça seriam capazes de, mais do que provocar intenso sangramento na face e no couro cabeludo, atingir nervos da cabeça — causando dores imensas.

Sepultamento

 

Chevitarese defende que a crucificação de Jesus, ao contrário do que narra a Bíblia, tenha ocorrido longe de testemunhas oculares, justamente porque tudo teria sido feito rapidamente e de modo a não provocar uma revolta da população.

E que, também ao contrário do relato religioso, não houve sepultamento de Jesus, tampouco restos mortais preservados. “Crucificados não eram enterrados. Ficavam na cruz e, ainda vivos, aves de rapina já sabiam que eles não podiam se mexer. E comiam olhos, nariz, bochecha, aquilo ficava abarrotado de aves de rapina comendo o corpo ainda vivo”, explica ele.

“[O corpo] passava alguns dias ali, quatro, cinco dias, pendurado. A carne começava a apodrecer. Caía. Despencava. Cães e outros animais se aproveitavam desses restos humanos para fazer seu banquete”, relata.

Para ele, o que prova essa tese é que milhares de escravos foram crucificados no período e não há registros de cemitérios ou mesmo de ossadas descobertas dos mesmos. “Historicamente, crucificado não era enterrado”, crava. “Teologicamente, é claro que Jesus precisava ser enterrado — para depois ressuscitar.”

*g1/Foto:  Domínio Público

Fazenda propõe fim da declaração anual do IR com validação automática de dados

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (31), durante a reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu para a Receita Federal informatizar o sistema de declaração do Imposto de Renda para que os contribuintes deixem de fazer a declaração anual.

“Eu tenho pedido para a Receita que a gente construa um sistema para logo, que a gente não precise declarar mais Imposto de Renda. Como nós temos um país informatizado, as informações dos bancos, das empresas, do plano de saúde, isso tudo vai sendo colocado no sistema, e a pessoa tem que validar, simplesmente. Nós temos que caminhar para isso, nós temos que caminhar para um país com menos burocracia”, disse o ministro.

Combustíveis

Durigan também indicou que todos os governadores podem concordar com a proposta de subvenção do ICMS sobre o diesel, que é uma das medidas apresentadas pelo Planalto para conter o aumento do combustível devido à guerra no Oriente Médio.

“Ontem, falando com os vários governadores, estamos muito próximos de ter unanimidade dos Estados aderindo à proposta do presidente Lula. O que mostra que, se por um lado tem discurso político de quem às vezes não reconhece, de outro, do ponto de vista concreto, há um reconhecimento fático, pragmático do trabalho que foi inclusivo e que foi respeitoso”, comentou ele.

Atividades com a PF e Ministério da Justiça

O novo ministro da Fazenda também declarou que a pasta vai seguir fazendo atividades conjuntas com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça e Segurança Pública para combater o crime organizado. Seguindo a orientação de Lula, a repressão vai visar o “andar de cima”.

“Vamos seguir atuando mais em parceria com a Polícia Federal e com o Ministério da Justiça para que a gente, minimamente, trate com inteligência a questão do crime organizado e faça um enfrentamento duro e rigoroso do crime, especialmente no andar de cima”, disse Durigan.

Balanço

A reunião ministerial convocada por Lula foi a primeira do ano e feita com o intuito de apresentar um balanço dos ministros que vão deixar a Esplanada por causa do prazo de descompatibilização dos cargos.

Quem for disputar as eleições em outubro precisa deixar cargos no Executivo até sábado (4).

No encontro, o presidente também apresentou os sucessores em pastas cujo futuro já está definido.

 

 

*r7/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – 7.5.2025

A conversa secreta de Lula e Moraes após as mensagens de Vorcaro

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O presidente Lula teve um encontro com o ministro do STF Alexandre de Moraes recentemente fora da agenda oficial. A conversa, segundo fontes do Palácio do Planalto, aconteceu no início de março.

A reunião ocorreu logo após o vazamento de uma série de materiais extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entre eles, mensagens atribuídas ao ministro do STF.

Na conversa, de acordo com auxiliares presidenciais, Lula teria indicado a Moraes que não pretende abandonar o ministro, que assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal em setembro de 2027.

Interlocutores de Lula lembram que ele é grato a Moraes pela atuação do ministro nas eleições de 2022, que garantiu a posse do petista, e pela condução do magistrado no inquérito da trama golpista.

 

*Metrópoles/Foto: Igo Estrela / Metrópoles

 

Justiça do Rio determina pagamento de 60 salários mínimos para argentina acusada de injúria racial deixar o Brasil

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A Justiça do Rio concedeu liminar em habeas corpus para revogar as medidas cautelares impostas à cidadã argentina Agostina Paezré por injúria racial, autorizando seu retorno ao país de origem, mediante algumas condições, entre elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos (aproximadamente R$ 97 mil). A decisão é do desembargador Luciano Silva Barreto.

Até então, Agostina cumpria medidas como comparecimento mensal em juízo, proibição de deixar o país, retenção de passaporte e uso de tornozeleira eletrônica.

Ao analisar o pedido, o magistrado destacou que a fase de instrução processual já foi encerrada, afastando a necessidade de manutenção das restrições para garantir a produção de provas.

Segundo ele, as medidas cautelares devem obedecer aos critérios de necessidade e proporcionalidade, o que não se verifica mais no caso.

A decisão também considerou que o Ministério Público e a assistência de acusação se manifestaram favoravelmente à revogação das medidas, desde que houvesse prestação de caução.

Outro ponto destacado foi a existência de tratados internacionais entre Brasil e Argentina que permitem eventual cumprimento de pena no país de origem, o que reduz o risco de evasão.

Com isso, o desembargador entendeu haver constrangimento ilegal na manutenção das restrições, autorizando o retorno da acusada à Argentina mediante depósito de caução equivalente a 60 salários mínimos, além da obrigação de manter endereço e contatos atualizados e atender às intimações judiciais.

A decisão determina ainda a devolução do passaporte e a retirada da monitoração eletrônica após o cumprimento das condições estabelecidas.

Relembre o caso

A turista argentina Agostina Paez foi indiciada pela polícia por injúria racial pelas ofensas contra um funcionário de um bar em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, no dia 14 de janeiro.

O funcionário do bar procurou a polícia após uma discussão que teria começado devido ao pagamento da conta no estabelecimento.

Segundo a polícia, o trabalhador relatou que a turista apontou o dedo e o chamou de “negro” de forma pejorativa e discriminatória.

Ao ser xingado, o rapaz iniciou a gravação de um vídeo. Na análise dessas imagens, a polícia constatou que a estrangeira imitou gestos de macacos e reproduziu sons do animal para a vítima.

Durante as investigações da 11ª DP (Rocinha), Agostina teve o passaporte apreendido para evitar a saída do país e passou a usar tornozeleira eletrônica.

No julgamentoAgostina pediu desculpas às vítimas e afirmou estar arrependida. A advogada não tem antecedentes criminais e demonstrou reconhecer a gravidade da conduta.

A defesa solicitou a revogação das medidas cautelares impostas à acusada e pediu autorização para que ela retorne ao país de origem.

Segundo os advogados, Agostina está há dois meses no Brasil sem fonte de renda e relatou ter recebido ameaças.

Inicialmente, a advogada chegou a ter a prisão decretada sob argumento de risco de fuga, mas foi solta no mesmo dia por decisão judicial.

Desde então, responde ao processo em liberdade, monitorada eletronicamente, enquanto aguarda o desfecho da ação penal.

 

 

*r7/Foto: Reprodução/RECORD

Pesquisa para Senado em SP aponta empate entre Tebet, Derrite e Marina

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Três nomes aparecem tecnicamente empatados na disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo nas eleições deste ano: a ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), o deputado federal Guilherme Derrite (PP) e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).

Pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (31/3) aponta Tebet com 22,6% das intenções em São Paulo, contra 22% de Guilherme Derrite (PP). Empatada tecnicamente com eles, considerando a margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, está Marina Silva, que soma 19,6%.

Nesse cenário, também foram testados os nomes do vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), e dos deputados federais Ricardo Salles (Novo) e Paulinho da Força (Solidariedade). Veja os números da pesquisa:

    • Simone Tebet: 22,6%
    • Guilherme Derrite: 22%
    • Marina Silva: 19,6%
    • Coronel Mello Araújo: 14,8%
    • Ricardo Salles: 11,1%
    • Paulinho da Força: 0,5%
    • Brancos/nulos: 6,7%
    • Não sabem: 2,8%

2º cenário

O levantamento também mediu um segundo cenário com Mário Frias (PL) como candidato à direita e com Fernando Haddad (PT) concorrendo ao Senado em vez de disputar o governo, como hoje está previsto.

Nesse caso, o empate é entre Derrite, Haddad e Marina, com o bolsonarista numericamente à frente, com 22,1%. Haddad teria 21,8% e Marina somaria 19,7%. Veja:

  • Guilherme Derrite: 22,1%
  • Fernando Haddad: 21,8%
  • Marina Silva: 19,7%
  • Ricardo Salles: 12,8%
  • Mario Frias: 12,3%
  • Paulinho da Força: 0,6%
  • Brancos/nulos: 8%
  • Não sabem: 2,7%

A sondagem foi realizada entre os dias 24 e 27 de março e ouviu 2.254 eleitores de São Paulo por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01079/2026.

 

 

*Metrópoles/Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo KEBEC / Mario Agra/Câmara dos Deputados

 

Lei institui licença-paternidade para 20 dias, mas só a partir de 2029

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (31) o projeto de lei que amplia a licença-paternidade de cinco para 20 dias. A cerimônia foi feita em uma agenda reservada no Palácio do Planalto, que contou com a participação da autora do projeto, deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

De acordo com o projeto, a licença passará a ter 20 dias, mas haverá um regime de progressão de quatro anos, até 2039. Do primeiro ao segundo ano de vigência da lei, serão 10 dias; do segundo ao terceiro ano, 15 dias; e a partir do quarto ano, 20 dias. A lei entraria em vigor em 1º de janeiro de 2027.

Segundo estimativa feita durante discussão na Câmara, o impacto fiscal do projeto é de R$ 2,2 bilhões em 2026; R$ 3,2 bilhões em 2027 e R$ 4,3 bilhões em 2028, até chegar a R$ 5,4 bilhões no ano seguinte. As despesas serão custeadas com recursos da Seguridade Social, consignados pela Lei Orçamentária Anual (LOA)

O empregado poderá emendar as férias com a licença-paternidade se manifestar essa intenção 30 dias antes da data esperada para o parto ou para a emissão de termo judicial de guarda.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Marcello Casal/ABr

Paraná Pesquisas: Lula é rejeitado por 47% dos eleitores e Flávio por 44%

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é rejeitado por 47% dos eleitores, segundo levantamento da Paraná Pesquisas divulgado nesta terça-feira (31/2). Por outro lado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem uma rejeição de 44,1%, três pontos percentuais a menos. A diferença, no entanto, não se traduz em vantagem para o senador.

No recorte de eleitores que afirmam que “com certeza votariam”, os dois aparecem praticamente empatados: Lula tem 30,4%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 30,1%. A diferença de 0,3 ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais, o que mantém o cenário de empate técnico.

Além do voto consolidado, o levantamento também mediu o potencial de crescimento de cada candidato. Nesse quesito, Flávio Bolsonaro apresenta vantagem numérica: 24,6% dos entrevistados dizem que poderiam votar nele, contra 21,4% que afirmam o mesmo em relação à Lula.

Em comparação com janeiro, o número daqueles que “não votariam de jeito nenhum” em Lula aumentou de 45,3% para 47%. O percentual de eleitores que declaram voto certo no presidente oscilou de 31,5% para 30,4%.

Já no caso de Flávio Bolsonaro, aqueles que declararam que “não votariam de jeito nenhum” no senador caiu de forma sutil: de 44,7% para 44,1%, no mesmo período. O voto considerado consolidado no filho do ex-presidente Bolsonaro subiu de 26,3% para 30,1%.

Os dados consideram apenas os eleitores que afirmam conhecer os candidatos — base utilizada para calcular o potencial eleitoral. A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 28 de março de 2026, com 2.080 entrevistas em 158 municípios, e nível de confiança de 95%. E está registrada no TSE com o número BR-00873/2026.

Apoio varia por perfil de eleitor

Segundo o mesmo levantamento, perfis distintos de eleitorado impulsionam as possíveis candidaturas de Lula e Flávio à Presidência da República. Lula tem vantagem entre beneficiários do Bolsa Família, enquanto o senador encontra maior apoio entre eleitores religiosos.

Entre os entrevistados que afirmam receber o Bolsa Família — ou têm alguém no domicílio beneficiado —, 44,2% dizem que votariam “com certeza” no petista. No mesmo grupo, o índice de voto consolidado do senador é de apenas 19,2%.

O cenário aparece invertido entre os eleitores que participaram de celebrações religiosas nos dez dias anteriores à pesquisa. Nesse segmento, Flávio Bolsonaro registra 35,6% de voto consolidado, contra 26,6% de Lula.

Fonte: Metrópoles/Foto: Arte Metrópoles