O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste sábado (26) a suspensão do jingle “Foi o Flávio Bolsonaro”, da campanha do presidente Lula (PT). A música associa o senador e candidato à Presidência pelo PL à rachadinha, a Daniel Vorcaro e ao miliciano Adriano da Nóbrega.
Flávio Bolsonaro entrou na Justiça no dia 1° de setembro com um pedido de tutela de urgência para suspender a veiculação da música. Segundo a representação do candidato, a música foi veiculada sete vezes entre 28 e 31 de agosto em inserções na rádio, em quatro emissoras diferentes.
A decisão liminar proferida por Nunes Marques aponta que a peça publicitária “extrapola os limites da crítica político-eleitoral admissível, na medida em que emprega técnica de apresentação apta a induzir o eleitorado a erro”.
A principal justificativa apresentada pelo ministro é de que a música não apresenta o estágio do andamento das investigações ou processos citados. No caso das rachadinhas, por exemplo, ele diz que o jingle dá a entender de que há “acusação atual e não solucionada, quando a denúncia correspondente já foi arquivada”.
Com relação à homenagem que Flávio concedeu a Adriano da Nóbrega, o presidente do TSE defende que, à época, não se sabia de seu envolvimento com a milícia do Rio de Janeiro. “A peça radiofônica omite ao qualificar o homenageado, de forma retroativa e categórica, como ‘miliciano’, atributo que somente lhe foi imputado publicamente anos mais tarde.”
Adriano da Nóbrega era acusado de chefiar a milícia Escritório do Crime, citada nas investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco. Ele foi morto pela Polícia Militar na Bahia quando estava foragido da Justiça.
Ao dar a liminar suspendendo a veiculação, Nunes Marques cita o “dano” que uma peça publicitária pode causar durante o período eleitoral. “Circunstância que potencializa os efeitos da mensagem questionada e torna de difícil reversão os danos decorrentes de sua manutenção até o julgamento do mérito”, afirma o ministro.
A música
Antes de começar a ser veiculada no rádio no fim de agosto, a música viralizou nas redes sociais após ser publicada por apoiadores de Lula. Em apenas uma plataforma, um vídeo de 23 de agosto soma 3,9 milhões de visualizações. A música foi republicada por aliados do presidente, como o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
*R7/Foto: Reprodução/TikTok @alvaromarzochi – 23.08.2026



