O Jovem General – as cartas de Denise

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Denise observa a viatura que leva o General até que a escuridão da Lua Nova e a neblina da estrada a façam desaparecer. As lágrimas escorrem pela face. Duas horas depois. O gaúcho Domingos mandou que o seu motorista levasse as três esposas de oficiais: Denise e mais duas que foram com ela e viram seus maridos. O cansaço do dia agitado lhe caiu sobre o corpo. Depois do jantar, o sono vem rápido. Mesmo assim, como de costume, ela esquenta a água até “chiar” (não pode ferver) e coloca na garrafa térmica. Depois enche a cuia com erva mate verde. Rapidinho ela termina o preparo e dá a primeira sorvida. Em seguida abre o pacote de cartas. São vários pacotes, cada um numerado e com o local: (nr. 53, Prep.). Abre um envelope e retira a carta. “Minha prenda querida! Mal cheguei das férias de dezembro e já estou morrendo de saudades. Amanhã tenho prova e estudei até agora, 2h da manhã. Não posso bobear, depois que saiu a classificação da Turma, tem um monte de gente competindo comigo. Fui o primeiro colocado nesse ano que passou. Estou escrevendo na cama, encoberto por um cobertor e com a “gagazeira” acesa. Se não cobrir a luminária, o pessoal reclama da claridade. Olho a tua foto todo dia quando me levanto. É o meu ânimo para suportar a sua ausência. Por que te amo tanto? Por que só penso em ti? Teus olhos me olhando sem parar. O que desejas saber mais de mim, olhos curiosos? Entres em minha alma e descobrirás um apaixonado! Por que não me deixa ficar te beijando o tempo todo? Agora estão faltando beijos teus nas minhas lembranças! Quando estou aí não vejo a hora de estar contigo, quando estou aqui não vejo a hora de voltar para ti. Estava pensando sobre o juramento de “prometer dar a própria vida para defender o Brasil”. Mas, se a minha vida é tua, como dá-la outra vez? Mais à frente, possivelmente, irei entender essa “promessa”. Vou terminar, a caneta já escorregou no papel umas três vezes. Estou morrendo de sono. Te amo, gauchinha, minha prenda! Rodrigo”. Mal termina de ler e Denise adormece no sofá da sala. O soldado leva para a solidão da guerra, às vezes, somente uma foto da amada. Mal sabem que essa foto contém uma história de amor, uma energia tão recuperadora como um boa noite de sono, algo inimaginável na guerra. Não se sabe o que se passa no coração do General. Ele não se permite esse tipo de emoção. Somente os jovens demonstram, sem freios, o seu amor pueril.

Por: Elias do Brasil / escritor e historiador, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) e articulista.

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