A Corte de Luís XVI na França, no século XVIII, era constituída pelo Rei (o símbolo do poder), o Primeiro Estado (Clero), o Segundo Estado (Nobreza) e o Terceiro Estado (população com pouco prestígio, os “sans-cullotes”). O Clero e a Nobreza não pagavam impostos e, também, eram os únicos a possuir os direitos de participar ativamente da vida política, enquanto o Terceiro Estado era o único que sustentava os gastos da realeza e não possuíam nenhum direito à participação política. No caso, eles eram obrigados a sustentar o Primeiro e o Segundo Estado, o que gerava um quadro de grande desigualdade. No Brasil de hoje, numa comparação com o governo da França daquela época, o presidente é o símbolo do poder, o Clero foi substituído pelos seus ministros e assessores especiais, o Segundo Estado é constituído pelo Judiciário (Altas Cortes) e o Legislativo (Senadores e Deputados), acrescenta-se um Terceiro Estado (os bilionários e altamente influentes) e o Quarto Estado seria o povo (empresários menores e a população em geral). A grande diferença desses dois “reinos” está em quem detém o poder, quem dá as ordens importantes que mudam o destino da sociedade e da nação. Essa é a mais poderosa Corte do momento no país (A Corte dos bilionários e influentes). A partir de agora, a palavra “Corte” se refere a ela. Quem são os seus membros dessa Corte? Essa Corte é um sistema entrelaçado composto por muito dinheiro e muito poder político. Essa Corte é composta, basicamente, pelas famílias mais tradicionais e bilionárias do país desde o século VXIII, XIX e XX, que são membros de parcelas da sociedade altamente influentes na vida política, social e econômica. Eles são os bilionários empresários de todos os ramos lucrativos da economia, desde o sistema financeiro às grandes indústrias de matéria prima e serviços, que geram e movimentam recursos bilionários, entre eles os donos de bancos e grandes conglomerados de empresas, além de, atualmente, acrescido de um sistema de organizações de narcotraficantes e, mais tradicionalmente, as sociedades secretas. Dessa forma, a parte superior, o cume da pirâmide do poder real, aquele que comanda as grandes decisões político-econômica-social e até estratégicas do país, é essa Corte. O presidente obedece à essa Corte do qual é membro provisório. Membro provisório por quê? Porque ele foi colocado na sua posição através de eleições controladas pela Corte e a quem ele deve explicações e obediência. Um exemplo de distorção de domínio do quadro atual é o caso Vorcaro, porque demonstra uma certa “desobediência” do presidente ao apoiar explicitamente um banqueiro sobre o qual a Corte nitidamente tem restrições em relação ao seu ambicioso projeto e teme que as suas trapalhadas possam refletir na harmonia do poder central da Corte. Desse quadro geral, se pode saltar para o plano atual da Corte: se manter no poder. Até agora o poder de “compra” tem sido a forma mais eficiente de manter o controle do país. Eles “compram”, através de imensa e eficiente capilaridade organizacional, uma boa parte dos políticos em todas as esferas: vereadores, prefeitos, govenadores, deputados estaduais e deputados federais, senadores, ministros de Estado, ministros das altas cortes judiciais e outras esferas do poder jurídico, além de se apoderarem de boa parte do dinheiro dos governos municipais, estaduais e federal através da corrupção generalizada, tanto em obras como em qualquer atividade comercial ou de serviços em órgãos dos governos. Os seus “protegidos” são pagos através dos recursos obtidos pela corrupção e pelos próprios governos. Há um relacionamento de “vida ou morte” entre os grandes corruptos e os grandes corruptores. Quem entra não sai e quem tenta sair perde muito, até a vida. Quem paga essa conta hoje? Como era na França de Luís XVI, quem paga essa conta da corrupção e de toda essa organização da Corte é o povo (Quarto Estado), através das riquezas do país por ele desenvolvidas e produzidas. São os quase infinitos e altíssimos impostos que pagam o custo da corrupção. Todo o dinheiro sai, direta oi indiretamente, dos cofres do governo. Ou, mais ainda, da cobrança de impostos especiais ou das facilidades proporcionadas aos empreendimentos financeiros da Corte (taxas de juros, bolsa de valores, consignados públicos e privados, aplicações em Fundos etc.). Em termos de altos movimentos monetários, não há quase nada que se faça no país sem que a Corte tome conhecimento ou atue direta ou indiretamente. As eleições estão por vir. A Corte tem já em seu poder quase tudo o que está aí implantado no país e que domina social, política e economicamente o povo (Quarto Estado). Como manter o seu projeto infinito de poder? A solução é a mesma: comprar mais corruptos: são uma boa parte dos emergentes novos candidatos a cargo eletivo nessa eleição de outubro; e manter os corruptos aliados que ainda permanecem no poder. Quais são as variantes nessa eleição para cada eleitor: deputado federal, deputado estadual, senador (1 vaga), senador (segunda vaga), governador e vice-governador, presidente da República. Não considerando algum problema nas urnas, será pelo voto da maioria que os “prováveis corruptos”, que são boa parcela dos atuais candidatos, ocuparão seus importantes cargos. Falta, então comprar quem vota: a maioria do povo. A estatística ajuda a compor o quadro atual: em torno de 30% já é uma massa de manobra cativa bem trabalhada pela Esquerda através das últimas décadas (principalmente pela bem aplicada condução dos ensinamentos do Gramscismo), principalmente por ideologia (intelectuais, imprensa, professores e estudantes etc.) e por dependência econômica (Bolsa Família, empregos públicos, outras ajudas). Esses radicais ideológicos são mantidos com salários de até 10 mil reais, com empregos em comissão ou simplesmente contratados à revelia da administração pública (cabos eleitorais, funcionários “fantasmas” etc.). Os intelectuais, principalmente, entram nos governos através de concursos, na maioria fraudados, e assumem posições de destaque no sistema governamental, até como ministros da administração pública. Esses radicais ideológicos são baratos para a Corte, pois é o Estado que os mantém. Os aproximadamente 25% de radicais da Direita ideológica atuam, normalmente, por idealismo ligado à família, a pátria, à religião e à propriedade, em geral. A base dessa mudança social, principalmente, está na moral, nos costumes e na religião cristã, que se consolidaria nos seguimentos das leis. Essas leis irão enquadrar o homem num comportamento pessoal e familiar que o conforta e o mantém, além de se refletir na formação de novas leis ou antigas leis sociais que deram certo, as quais moldarão, principalmente, o futuro comportamento social e político do país. O percentual que falta (21%) para se ganhar a eleição, considerando que a Corte deseja o candidato de Esquerda, será a missão dos candidatos emergentes corruptos em campanha eleitoral no momento e de todo o sistema político e econômico que já sustenta a Corte (capilaridade institucional). Para a Corte não há regra e nem leis, somente os fins justificam os meios espúrios que utilizam. Para o provável candidato de Direita falta um percentual um pouco maior para ganhar a eleição (em torno de 25%). Qual o candidato da Corte? Um ou o outro ou nenhum dos dois, a Corte não tem preferência ideológica, ela não é de Esquerda e nem de Direita. Servirá aquele candidato que a Corte poderá dominar direta ou indiretamente, com um governo fraco que não terá forças para combatê-la e/ou sem apoio do legislativo (deputados e senadores) que dificultarão as tentativas do presidente em realizar mudanças no sistema. Os outros poderes a Corte já têm franco domínio atualmente. A Corte não deseja perder a eleição de outubro, principalmente as vagas estaduais e federais (governadores, vice-governadores, deputados e senadores). A vaga de presidente, talvez, não lhe seja o objetivo mais importante, a ponto de extrapolar limites e se radicalizar (como prender ou impedir que os políticos oposicionistas se candidatem, além de outras aberrações, como mortes e assassinatos que já ocorreram no passado), mas o objetivo é sim manter os corruptos eleitos já existentes e somar os corruptos a vir como candidatos. Se não der para eleger o candidato a presidente que já está aí, em função da perda de confiabilidade e liderança que vem demonstrando, em tese aceitarão um governo que já inicia fraco (talvez, de Direita), em função do forte aparato da corrupção já instalada no país, principalmente no campo jurídico-político. O seu grande negócio não é política, é o dinheiro, o poder que lhe permite controlar todas as coisas do seu interesse coletivo, inclusive da política. Aliás, a Corte não se permitirá perder essas eleições, pois a sua maior missão é continuar no controle do poder central. Continuar no domínio do destino do povo e do Brasil. Em 21/01/1793, o rei Luís XVI foi decapitado na guilhotina e o povo assumiu o poder na França. A Revolução Francesa mudou a história econômica, política e social da humanidade e, principalmente, da França e dos franceses: “Liberté, Égalité, Fraternité”. LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE!
Elias Do Brasil
