Paciente de Goiás recebe tratamento experimental com polilaminina

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Um paciente goiano recebeu a terapia experimental com a polilaminina, substância em fase de pesquisa para tratamento de lesão medular aguda. O tratamento foi possível por meio de autorização judicial para uso compassivo, mecanismo que permite acesso a terapias experimentais quando não há alternativa disponível.

O procedimento ocorreu no último dia 14 de janeiro, no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), na capital goiana. O homem, entre 40 e 50 anos, é tetraplégico e apresentou ganhos sensoriais após o procedimento.

A identidade não foi divulgada por decisão da família e em razão do processo correr em segredo de Justiça.

Lesão medular

O procedimento realizado no Crer foi o primeiro do tipo realizado em Goiás. O governo estadual deu apoio logístico.

O médico Alan Anderson, responsável pela unidade de saúde, relatou que o paciente é um caso típico de lesionado medular. Sem entrar em detalhes, ele apontou que a predominância dos lesionados são homens, de uma faixa etária mais nova, e que 70% são oriundos de traumas automobilísticos. Ele garantiu o acesso judicializando a questão e o Crer se enquadra nos critérios para o tipo de atendimento.

Segundo o médico, o Crer acompanha o desfecho clínico e os chamados desfechos relacionados com os pacientes, oferecendo equipes multidisciplinares e, no caso do homem que recebeu a terapia, a cirurgia aconteceu sem intercorrências e tem uma boa evolução.

Estudo revolucionário

Nos últimos dias, a polilaminina virou tema de debates nas redes sociais, com destaque para relatos e vídeos de pacientes em reabilitação que voltaram a ganhar mobilidade após tratamento experimental. Mas o que é, de fato, a substância?

A polilaminina é um composto desenvolvido a partir da laminina, uma proteína presente naturalmente no organismo humano e envolvida na organização dos tecidos e no crescimento celular.

O medicamento experimental foi criado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sob liderança da bióloga Tatiana Coelho Sampaio, com foco na recuperação de lesões da medula espinhal.

A proposta do tratamento é estimular a regeneração das células nervosas lesionadas, o que pode resultar na recuperação parcial ou total dos movimentos em pessoas com trauma raquimedular.

A substância é preparada a partir de proteína extraída da placenta humana e aplicada diretamente na região da medula afetada, geralmente em dose única, seguida de fisioterapia para reabilitação.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a polilaminina é derivada de uma proteína presente em diversos animais, inclusive nos seres humanos, e participa de processos biológicos importantes.

No estudo clínico autorizado recentemente, a laminina é utilizada em forma injetável e passa por preparação específica antes de ser administrada diretamente na área lesionada da coluna.

Pesquisa em fase inicial

Em janeiro, a Anvisa autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos para avaliar principalmente a segurança do tratamento em pessoas com lesão medular recente. Nessa etapa, o objetivo é entender possíveis riscos, monitorar efeitos adversos e verificar se o método pode avançar para fases seguintes, e não atestar a eficácia.

Os primeiros testes realizados em laboratório, incluindo estudos com animais e um grupo restrito de pacientes, mostraram recuperação de movimentos em alguns casos, o que impulsionou a continuidade das pesquisas.

Entre os critérios definidos para participação estão pacientes com idade entre 18 e 72 anos e lesão medular torácica recente, ocorrida há menos de 72 horas, com indicação cirúrgica. Após a aplicação única da substância, os pacientes passam por fisioterapia como parte do processo de reabilitação.

Por enquanto, ainda não é possível afirmar que a melhora percebida em pacientes que receberam a polilaminina aconteceu, de fato, por causa do medicamento. A eficácia será medida nas próximas fases do estudo, dependendo dos dados obtidos nos estudos clínicos e da avaliação dos órgãos de saúde.

Fonte: Metrópoles/Foto: Divulgação

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