Sob gritos de “assassina” e outros insultos de moradores e curiosos, a diarista Paola Stephany Neto Cirino chegou, na tarde desta quarta-feira (8), à casa onde será realizada a reconstituição da morte do casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 81 anos, e Maria Atala Inácio, de 77, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A reprodução simulada do crime teve início às 14h e conta com a participação da suspeita, além de peritos da Polícia Civil, investigadores e familiares das vítimas.
A expectativa da investigação é que a reprodução simulada ajude a esclarecer a dinâmica do duplo latrocínio (roubo seguido de morte), apontado como um dos casos de maior repercussão em Minas Gerais neste ano.
Durante os trabalhos, a Polícia Civil busca confrontar a versão apresentada pela suspeita com os vestígios encontrados na residência, onde a faca utilizada no crime, ainda com marcas de sangue, foi localizada pelos investigadores.
O local registrou intensa movimentação ao longo da tarde. O sobrinho do casal, Henrique Maciel, acompanhou a chegada das equipes, enquanto moradores demonstravam indignação com o crime.
A reconstituição também é acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG). Segundo o advogado Fábio Rodrigues, a entidade designou uma equipe para acompanhar os atos do inquérito em razão de uma das vítimas, Cláudio Atala Inácio, integrar os quadros da advocacia mineira. Conforme explicou, a presença da OAB não tem caráter fiscalizatório, mas busca acompanhar o andamento da investigação em respeito ao advogado, que era reconhecido pela categoria.
Relembre o caso
Na tarde do dia 30 de junho, um casal de idosos foi encontrado morto dentro de sua residência no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH. De acordo com o boletim de ocorrência, Maria Clotilde, de 75 anos, foi encontrada na sala, com grande quantidade de sangue no sofá. Ela apresentava sete ferimentos distribuídos entre o rosto, queixo, pelve, garganta, tórax e pescoço.
Cláudio Atala Inácio, de 76, foi localizado sobre a cama, também com muito sangue, e tinha 17 lesões nas costas, pescoço e tórax. Conforme a perícia, ambos apresentavam sinais de defesa, o que indica que tentaram reagir às agressões. Nos corpos, foram constatadas em um primeiro momento 24 perfurações, mas em depoimento, a suspeita afirmou que desferiu pelo menos 40 golpes.
Além disso, em depoimento, a suspeita teria admitido que dopou o casal com uma mistura de remédios usados em tratamento para depressão. Posteriormente, os adicionou a um suco. De acordo com o delegado Gustavo Bartella, após os idosos começarem a passar mal e perderem os sentidos, ela iniciou os ataques com uma faca que estava na residência.
Os peritos também constataram que uma gaveta onde eram guardadas semijóias estava arrombada. Além disso, os celulares do casal não foram encontrados.
Imagens de câmera de segurança flagraram a suspeita, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, entrando no prédio com uma vestimenta e saindo usando peças de Maria Clotilde, de acordo com informações do sobrinho, Henrique Maciel.
A mulher foi presa em um hotel na madrugada desta quinta-feira (2), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho de seis anos. A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando a possibilidade da mulher ter tido ajuda de mais uma pessoa para cometer o crime.
O que diz a defesa
A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.
No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso.
*R7/Foto: RECORD Minas/ Reprodução


