Passagem aérea para Parintins custa até R$ 8,8 mil no festival

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Ao prestar informações ao deputado Amom Mandel (Cidadania) sobre o preço das passagens aéreas de Manaus para Parintins (município a 369 quilômetros da capital amazonense) no período do festival, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirmou que os bilhetes adquiridos com antecedência “acabam por beneficiar aqueles que antecipam suas compras”.

De acordo com a agência, das cerca de seis mil passagens comercializadas na rota entre janeiro e maio de 2025, 88% ficaram abaixo de R$ 1.500, e cerca de 64% foram comercializados abaixo na tarifa média do período (R$ 883,54). Para a Anac, os dados reforçam que passagens compradas com antecedência são mais baratas.

Na prática, porém, as tarifas para quem comprar a passagem hoje (30 de março), com ida no dia 24 e retorno em 29 de junho — cerca de três meses de antecedência —, custam R$ 8,8 mil. O valor é semelhante ao de passagens de Manaus para Madrid (R$ 9,1 mil), distante aproximadamente 7.508 quilômetros, ou Lisboa (R$ 9,1 mil), a 6.975 quilômetros, nos mesmos dias. Em outras datas, o preço da viagem para Parintins chegou a R$ 9,5 mil.

Os preços das passagens aéreas para a Ilha Tupinambarana vêm aumentando nos últimos anos. Em junho de 2022, o MP-AM (Ministério Público do Amazonas) abriu um inquérito civil para apurar possível aumento abusivo, após denúncia de alta de até 900%. O procedimento, no entanto, foi arquivado no mês seguinte.

O promotor de Justiça Lincoln Alencar de Queiroz entendeu que a mudança de preços estava amparada pelo regime de liberdade tarifária e que a média de valores para o trecho naquele ano estava “dentro das margens de reajustes nacionais”. Disse ainda que não havia sido constatada “lesão a interesse ou direito que caiba” ao MP promover a defesa.

No dia 11 deste mês, o deputado Amom Mandel solicitou à Anac informações sobre os valores praticados pelas companhias aéreas diante dos altos preços cobrados no período do festival deste ano. O parlamentar afirmou que, embora o setor opere sob regime de liberdade tarifária, cabe à agência acompanhar o comportamento do mercado.

Amom disse que a “elevação expressiva das tarifas também produz reflexos diretos sobre a atividade turística e sobre a economia local, podendo desestimular a participação de visitantes e reduzir o fluxo turístico associado ao festival”. Em 2025, acomodações em Parintins estavam sendo ofertadas a até R$ 171,1 mil nos principais sites de reservas.

Na nota técnica emitida para subsidiar a resposta ao parlamentar, a Anac revelou que o preço das passagens aéreas entre Manaus e Parintins mais que dobrou nos últimos anos, especialmente no período do Festival Folclórico, em meio à redução da oferta de voos e à concentração de mercado na rota.

Conforme os dados da agência, a tarifa média no mês de junho passou de R$ 663,35 em 2022 para R$ 1.352,19 em 2025 — alta de 104%. Fora do período do evento, o aumento foi semelhante: de R$ 432,44 para R$ 875,35 (102%). A tabela abaixo mostra a tarifa mínima e máxima cobrada ano a ano desde 2021.

De acordo com Amom, há registros de passagens vendidas por mais de R$ 9,5 mil no período para voos de cerca de 1h20. Prints apresentados pelo parlamentar mostram bilhetes de ida e volta, na véspera e após o festival, por cerca de R$ 4,7 mil cada trecho.

Amom afirma que os preços são “manifestamente elevados” em comparação ao restante do ano, quando as passagens costumam variar entre R$ 300 e R$ 600. Para ele, a diferença indica uma elevação atípica durante o evento, o que pode desestimular o turismo em Parintins.

Menos empresas, menos voos

De acordo com a Anac, a alta nos preços ocorre paralelamente à redução da concorrência. Atualmente, apenas a Azul Linhas Aéreas opera regularmente na rota Manaus–Parintins. Há seis anos, o trajeto chegou a contar com até seis empresas, incluindo MAP, Passaredo (Voepass) e Total.

Com o tempo, as companhias deixaram o mercado, sobretudo após os impactos da pandemia de Covid-19. Em 2025, a Azul e sua subsidiária Azul Conecta concentraram 100% das operações.

Além disso, a oferta de assentos diminuiu. Dados da Anac mostram que a Azul disponibilizou 69,2 mil lugares em 2022, número que caiu para 39,8 mil em 2025 — redução de 42%.

Outro fator foi a suspensão, em dezembro de 2024, do pouso de aviões turbojatos em Parintins por questões de segurança, limitando a operação a aeronaves menores, com menos capacidade de passageiros. Em abril de 2025, a agência autorizou os aviões de grande porte, desde que a prefeitura, que administra o aeroporto, fizesse uma reforma.

Alta demanda pressiona preços

A Anac aponta que o aumento da demanda durante o festival influencia diretamente os preços. A taxa de ocupação dos voos cresceu nos últimos anos: na ida para Parintins, passou de 60,2% em 2022 para 89,5% em 2025; na volta, de 76,4% para 91,8%.

De acordo com a a agência, para atender ao fluxo, o número de voos aumenta nos dias próximos ao evento, chegando a até 22 operações diárias. Mesmo assim, a procura elevada pressiona as tarifas, principalmente para quem compra passagens perto da data da viagem.

“É comum que as empresas aéreas ofertem bilhetes mais caros à medida em que se aproxima a data da viagem, ou para períodos em que a demanda é muito elevada, caso do festival de Parintins, assim como diversos outros casos”, diz a nota técnica.

Segundo a agência, embora existam bilhetes com valores muito altos, eles representam uma parcela pequena do total. Em 2025, cerca de 73% das passagens vendidas em junho ficaram abaixo de R$ 1.500, e 35% abaixo de R$ 500.

Ainda segundo a agência, de seis mil passagens vendidas com antecedência, 88% ficaram abaixo de R$ 1,5 mil. A tarifa média nesse período foi de R$ 883 por trecho, e apenas 127 bilhetes foram comercializados acima de R$ 3 mil (2,13% do total). Ainda assim, 64% foram vendidos abaixo da tarifa média do período, de R$ 883,54.

A agência ressalta que a formação dos preços das passagens aéreas é influenciada por diversos fatores, como demanda, sazonalidade, custos operacionais e antecedência da compra. Nesse modelo, as tarifas são dinâmicas e variam constantemente, podendo haver diferentes preços para um mesmo voo.

Segundo a Anac, em períodos de alta procura e capacidade limitada — como ocorre durante o Festival de Parintins —, a tendência é de elevação nos preços. A agência também destaca que passagens adquiridas com maior antecedência costumam ser mais baratas, enquanto compras feitas próximas à data da viagem tendem a registrar valores mais elevados.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Cindacta IV/Divulgação

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