Patrões da construção civil oferecem 6% de reajuste; trabalhadores rejeitam e anunciam greve

Publicado em

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM) ofereceu reajuste salarial de 6% aos trabalhadores do setor, com efeito retroativo a partir de 1º de junho de 2026, após mais de seis rodadas de negociação frustradas com o sindicato da categoria, realizadas entre 9 de junho e 7 de julho na sede da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego do Amazonas (SRMTE/AM). Segundo o Sinduscon-AM, o percentual é superior ao apurado pelo INPC (Índice de preços no consumidor) do período. O sindicato dos trabalhadores não aceitou os termos oferecidos pelo patronal e anunciou greve a partir de quarta-feira (15), que deve mobilizar mais de 40 mil trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, o Sassá da Construção Civil, afirmou ao ATUAL que a categoria rejeita a proposta patronal por considerar que ela apenas repõe a inflação, sem representar ganho real, além de ser parcelada. Segundo ele, o setor teve alta de 45% na geração de empregos em Manaus entre 2000 e 2026 e recebeu incentivos do Governo Federal, mas os trabalhadores não têm sido beneficiados proporcionalmente.

“A gente não tá aqui para massacrar o patrão, mas também a gente não tá aqui para aceitar um aumento que não vale a pena pro trabalhador”, disse Sassá, que classificou a mobilização como uma resposta a sete anos de perda salarial na categoria. Segundo ele, um servente que ganhava dois salários mínimos há sete anos hoje recebe cerca de um salário mínimo, e um profissional que ganhava três salários mínimos agora não chega a um salário e meio.

Entre as reivindicações da categoria, Sassá citou reajuste de R$ 300 na cesta básica, hoje, conforme ele, limitado à reposição da inflação, e criticou a retirada do benefício para trabalhadores afastados por atestado médico. Também mencionou o fim das horas extras aos sábados com adicional de 100%, auxílio para exames médicos e extensão da cesta básica a trabalhadores terceirizados.

Em nota assinada pelo presidente Frank Souza, o Sinduscon-AM afirmou que as tratativas para a Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 foram frustradas “exclusivamente pelos representantes dos trabalhadores” e que as reivindicações da categoria representariam aumento de custos incompatível com a realidade econômica do setor, especialmente diante de novas diretrizes tributárias previstas para 2027. A entidade declarou não estar de acordo com a instauração de dissídio coletivo, com base no artigo 114, §2º da Constituição Federal, e afirmou ter comparecido a todas as rodadas de negociação.

Ao ATUAL, o presidente Frank Souza rebateu pontos levantados pelo sindicato dos trabalhadores. Sobre o percentual, afirmou que o índice de reajuste costuma ser baseado no INPC, que segundo ele está abaixo de 6% — percentual que a entidade decidiu conceder. Ele confirmou que o reajuste será parcelado para parte das categorias, com 5% imediato e 1% adicional em janeiro de 2027.

Sobre a alegação de que o crescimento de 45% na geração de empregos do setor não teria se refletido em salários, o presidente do Sinduscon-AM argumentou que o dimensionamento de uma obra não implica necessariamente aumento salarial, já que a negociação coletiva discute o piso da categoria, e não o quanto cada empresa pode pagar individualmente.

Quanto à cesta básica, Frank Souza disse que o benefício já é corrigido anualmente pelo índice econômico e lembrou que, no ano passado, o valor da cesta teve alta de 80%, o que, segundo ele, torna difícil um novo reajuste expressivo neste ano.

Sobre a substituição do benefício a trabalhadores afastados, o presidente citou o SECONT (Serviço Social da Indústria da Construção Civil), que segundo ele realiza exames, acompanhamento de normas regulamentadoras (PPRA e PCMSO) e monitoramento da saúde do trabalhador no canteiro de obras, argumentando que esse serviço supre a necessidade apontada pelo sindicato laboral.

Já sobre a cesta básica para terceirizados, Frank Souza afirmou que todos os trabalhadores têm direito ao benefício, mas que, conforme a convenção coletiva, empresas com menos de 30 funcionários não são obrigadas a fornecê-lo — o que costuma ocorrer com empresas terceirizadas de menor porte.

Questionado sobre a possibilidade de acordo antes da greve, o presidente do Sinduscon-AM disse que a entidade patronal segue aberta ao diálogo. “Nós estamos sempre abertos a discutir alguma pauta que consiga se encaixar. Não há nenhum problema, nós nunca fechamos as portas”, afirmou, lembrando que paralisações também ocorreram no ano anterior durante o mesmo período de negociação.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Arquivo/Sendurb

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

UE diz que Meta viola lei digital por design viciante do Instagram e Facebook

A Comissão Europeia informou nesta sexta-feira (10) que concluiu,...

Dólar se mantém em baixa em sexta-feira de incerteza global

O dólar comercial apresentou leve baixa nesta sexta-feira (10/7) em relação...

Com incerteza da guerra, governo busca saída para subsídio da gasolina

A escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos (EUA) atrapalhou...

Israel avisa aos EUA de plano do Irã para matar Trump

A inteligência de Israel descobriu que o Irã teria...