PEC 6×1: o que dizem os presidenciáveis sobre a jornada de trabalho

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A cerca de cinco meses das eleições presidenciais de outubro, os pré-candidatos ao Palácio do Planalto já se movimentam para marcar posições em temas que podem mudar o interesse do eleitor no pleito. Entre alguns deles, a pauta da escala 6×1 está entre os principais temas que, em meio ao forte apelo social, divide a opinião os candidatos.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho tem amplo apoio dentro do governo e está sob apreciação do Congresso Nacional neste ano. O texto prevê teto de 40 horas semanais de trabalho, somando 8 horas diárias, e dois dias de descanso, que poderão ou não ser consecutivos. As mudanças não podem acarretar reduções salariais.

Defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a medida é uma das apostas do petista para a campanha eleitoral deste ano, na qual o atual mandatário tenta se reeleger para um quarto mandato.

“A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas iam quebrar o Brasil”, já disse Lula ao defender a proposta.

O tema, contudo, não tem consenso e os presidenciáveis têm opiniões divididas. Embora alguns não se posicionem efetivamente contra a proposta, tendo em vista que o tema possui forte apelo popular, os candidatos defendem alternativas à PEC da escala 6×1 que dialoguem melhor com suas respectivas bases eleitorais.

Escala 6×1

  • A discussão sobre a escala 6×1 se tornou um dos temas sociais mais relevantes do cenário pré-eleitoral de 2026.
  • A medida prevê teto de 40 horas semanais de trabalho, somando 8 horas diárias, e dois dias de descanso, que poderão ou não ser consecutivos – sem impactar em reduções salariais.
  • Enquanto candidatos ligados ao governo e movimentos trabalhistas defendem o avanço social com a pauta, adversários classificam a proposta como populista e tentam emplacar alternativas classificadas como “flexíveis”.
  • A cerca de cinco meses das eleições de outubro, os pré-candidatos ao Palácio do Planalto se dividem sobre a medida ao passo que tentam angariar apoio político com a discussão.

Flávio Bolsonaro

Principal opositor de Lula na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defende uma redução da jornada de trabalho mas já fez críticas à proposta apoiada pelo governo.

O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) defende uma alternativa à medida e que possa propor um contexto mais “flexível” para o trabalhador. “O trabalhador é quem tem que escolher quanto tempo trabalha e não o governo“, disse Flávio.

Em contrapartida, o parlamentar tenta emplacar um modelo semelhante ao adotado nos Estados Unidos e em países da Europa. A medida foi discutida durante reunião com a bancada do Partido Liberal (PL) na sede da legenda, em Brasília, também na terça. Uma proposta deve ser apresenta pelos parlamentares da bancada.

“O salário mínimo será por horas trabalhadas sem redução e com com todos os direitos constitucionais garantidos: décimo terceiro, férias, fundo de garantia e INSS. É assim que temos que olhar para o trabalhador moderno”, defendeu Flávio Bolsonaro durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília, na última terça-feira (19/5).

Segundo o Flávio, a medida discutida com deputados e senadores do PL prevê uma remuneração por horas trabalhadas mas “com a garantia de todos os direitos trabalhistas, como décimo terceiro, Fundo de Garantia [do Tempo de Serviço – FGTS], férias. Obviamente, proporcionais às horas de trabalho”.

Romeu Zema

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência pelo Novo, Romeu Zema (Novo), defende medida parecida à proposta por Flávio Bolsonaro. Questionado pelo Metrópoles sobre a escala 6×1, Zema se opôs ao regime CLT adotado no Brasil e defendeu um modelo de jornada que seja pago por hora trabalhada.

“O brasileiro não quer trabalhar nem mais nem menos, ele quer ganhar mais. Quase 4 milhões de brasileiros vivem fora do Brasil hoje e foram para países onde não existe CLT, onde não tem fundo de garantia (FGTS), onde as férias são negociadas caso a caso, onde não tem uma série de benefícios que aqui se valoriza tanto, mas onde poucos brasileiros vêm que estão melhorando de vida. O que eu quero é que o brasileiro melhore a renda”, disse.

Nas últimas semanas, Zema disse que a proposta apoiada por Lula é “populista” e possui caráter “eleitoreiro” por parte do Partido dos Trabalhadores (PT).

O Lula e o PT estão aproveitando do momento eleitoral para dar o que eles consideram um prêmio, que eles alegam ser prêmio, o que na verdade é nocivo para boa parte da população. É o populismo do PT, não podemos esperar nada de diferente“, disse.

O político mineiro não deu detalhes de como deve funcionar essa proposta e nem explicou se deve apoiar uma eventual proposta a ser apresenta por Flávio Bolsonaro (PL), de quem Zema se tornou um crítico nos últimos dias após revelações da troca de áudios do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira.

Ronaldo Caiado

Ex-governador de Goiás e presidenciável pelo PSD, Ronaldo Caiado evitou se posicionar efetivamente contra a proposta. Durante coletiva de imprensa nessa quarta-feira (20/5) após participação na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, Caiado também defendeu a existência de um novo regime que dê “liberdade” ao trabalhador.

“Eu sempre defendi que o cidadão tem que trabalhar quantas horas ele quiser. Este é o modelo [proposto na escala 6×1] mais moderno que existe? Não. Você não tem que impor uma regra, você tem que deixar ele [o trabalhador] decidir a vida dele […] Esse modelo é algo que discutiremos e quero abrir esse debate como presidente da República”, disse o ex-governador goiano.

O candidato, contudo, não deu detalhes e nem adiantou como poderia funcionar esse proposta. Segundo Caiado, o governo “não deve impor modelo de trabalho” ao trabalhador, que deveria ter a liberdade de negociar com o empregador a melhor forma de trabalhar e conforme sua disposição e disponibilidade.

O que os demais pré-candidatos disseram

Renan Santos (Missão) – Em recente entrevista à CNN Brasil, o pré-candidato do Missão e líder do Movimento Brasil Livre (MBL) criticou a PEC da escala 6×1. De acordo Renan Santos, a proposta “engana o trabalhador“.

“A discussão não é se você vai trabalhar mais ou menos recebendo o mesmo dinheiro. A discussão é se vai passar um projeto e você não terá mais o seu emprego”, disse.

Augusto Cury (Avante) – Já o psiquiatra e pré-candidato pelo Avante, Augusto Cury, evitou declarações contundentes sobre o tema. Quando questionado pela imprensa, Cury afirmou apenas que avaliar o tema exige cautela.

Fonte: Metrópoles/Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES – IGO ESTRELA/METRÓPOLES – BRENO ESAKI/METRÓPOLES – KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES

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