PF indicia diretor-presidente da ANM por esquema de mineração ilegal

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A Polícia Federal (PF) indiciou o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, e outras 16 pessoas por esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Minas Gerais. Os pedidos constam no inquérito da Operação Parcours.

A operação concluiu que empresários, servidores públicos, consultores e geólogos teriam fraudado planos de recuperação ambiental para manter a exploração de minério de ferro na Mina Granja Corumi, localizada na Serra do Curral — a área é tombada e protegida.

De acordo com a investigação, as empresas eram favorecidas por esquemas dentro da agência, segundo publicou o g1. A PF aponta que os suspeitos utilizavam planos que previam a preservação e o fechamento da mina para mascarar a extração comercial de minério.

Ou seja, enquanto os órgãos de fiscalização acreditavam que a mina estava em recuperação ambiental, o grupo mantinha a exploração mineral no local. Com o esquema, o grupo esperava faturar cerca de R$ 2,3 bilhões.

As atividades ilegais teriam ainda causado danos ambientais na Serra do Curral. A área já sofre com a degradação ambientação em decorrência da exploração de minério e entrou no radar de ambientalistas e membros da sociedade civil que se opõem à exploração da Serra.

Em nota, a ANM informou que toda a atuação institucional da órgão “esteve relacionada ao cumprimento das determinações da Justiça Federal e à condução administrativa do processo de fechamento definitivo da mina”.

Mais pessoas indiciadas

Em uma outra frente, a PF indiciou ainda outras 34 pessoas no âmbito da Operação Rejeito, que também apura fraudes em mineração ilegal em Minas Gerais, conforme revelou o Estadão. A operação mirou empresas ligadas ao ramo do minério.

A operação foi deflagrada em setembro de 2025 e, na ocasião, cumpriu 22 mandados de prisão e outros 79 de busca e apreensão, além do afastamento de servidores públicos. À época, a PF também prendeu Caio Trivellato, diretor da ANM.

As investigações apontavam que o grupo teria corrompido servidores públicos em órgãos estaduais e federais de fiscalização e controle na área ambiental e de mineração para obter autorizações e licenças ambientais fraudulentas.

O empresário Alan Cavalcante do Nascimento era apontado pela PF como líder do grupo. Ele é dono de diversas empresas em diferentes ramos, inclusive uma jazida de minério na Serra do Curral.

Operação Parcours

Operação Parcours foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março de 2023. As investigações foram conduzidas em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com o apoio do Ministério Público Federal (MPF).

À época, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades, além do bloqueio de bens e ativos no valor de R$ 832 milhões. A 3ª Vara Federal Criminal de Minas Gerais determinou ainda o afastamento imediato de dois servidores públicos da ANM e a suspensão das atividades minerárias da empresa investigada.

As investigações apuravam um conluio sistemático entre agentes públicos e consultores técnicos para maquiar informações geológicas, fraudar relatórios ambientais e ocultar danos causados pela exploração ilegal de recursos minerais.

Fonte: Metrópoles/Foto: Reprodução/ANM

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