Um espaço vazio no painel que informa o nome dos escritórios que funcionam em um prédio de salas comerciais na cidade de Rio Verde, no interior de Goiás. É só isso que encontra quem vai até o endereço da base operacional da Fictor Agro na região Centro-Oeste.
No site da empresa, no entanto, o espaço é descrito de forma bem diferente. “Localizada em uma das regiões mais tradicionais do agronegócio brasileiro, essa base desempenha um papel essencial no processo logístico de compra e venda de grãos, contando com uma estrutura de armazenamento agrícola para apoiar a operação de comercialização de soja, milho e sorgo.”
O endereço que consta no site do grupo e no registro do único CNPJ da Fictor na cidade é de uma sala em um prédio de escritórios. A base operacional da Fictor funcionaria no oitavo andar. Além de não ter identificação no painel (confira na galeria), não havia ninguém no local na manhã e na tarde em que o Metrópoles esteve no endereço, no dia 13 de janeiro, uma terça-feira, 18 dias antes de o Grupo Fictor apresentar pedido de recuperação judicial.
Relatos de quem transita pelo prédio é de que há pouco movimento ali. Raramente a sala é ocupada e, há mais de cinco meses, ninguém era visto no local. O aluguel, contratado há cerca de quatro anos, estaria em dia. O Metrópoles entrou em contato com a pessoa registrada como responsável pelo espaço, que, no entanto, afirmou ter encerrado o que classificou como uma “parceria com a Fictor”.
Consta, no registro do CNPJ da empresa no interior de Goiás, cujo o nome de registro é Fictor Agro Comércio de Grãos LTDA., que a principal atividade é de “comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados, farinhas, amidos e féculas, com atividade de fracionamento e acondicionamento associada“.
O capital social declarado da empresa é de R$ 50.250.000. Aparece como administrador o nome de Rafael Ribeiro Leite de Gois. Ele é um dos principais sócios da Fictor, ao lado de Rafael Paixão e Phillippe Rubini.
A Fictor Agro afirma, ainda, ter outras duas bases operacionais semelhantes, em Balsas, no Maranhão, e em Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia. Material de divulgação da Fictor destinado a captar investidores, ao qual o Metrópoles teve acesso, afirma que a “Fictor Agro movimentou US$ 300 milhões” em 2023.
A Fictor Agro é descrita como um dos setores do ecossistema do conglomerado. Ainda de acordo com o material, a Fictor Agro “destaca-se na comercialização de commodities agrícolas. Responsável pela operação de compra e venda de grãos, a companhia integra produtores, indústria e sócios por meio de suas operações financeiras em São Paulo (SP) e de três bases operacionais de logística e armazenamento, estrategicamente localizadas”.
A coluna procurou a Fictor, que não respondeu até a publicação do texto. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.
Fonte: Metrópoles/Foto: Material cedido ao Metrópoles
