Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente da Fifa, Gianni Infantino, renunciou ao cargo com efeito imediato, nesta sexta-feira (31), em protesto contra as propostas de venda de uma participação na Copa do Mundo, classificando o plano como “um mau negócio para o futebol”.
Cordeiro, ex-banqueiro e ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA, escolhido a dedo pela Fifa para ajudar no crescimento do futebol mundial, anunciou sua renúncia imediata, afirmando que não podia “ficar de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo”.
A Fifa propôs a criação de uma subsidiária de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões na cotação atual), a FIFA Forward Enterprise (FFE), para administrar a Copa do Mundo e seus demais eventos, com uma participação de até 20% a ser oferecida a investidores externos.
“Quero ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e oponho-me a ela inequivocamente”, disse Cordeiro em comunicado.
“É um mau negócio para as Associações Membro da Fifa, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do esporte.”
Em sua declaração, Cordeiro questionou por que a Fifa consideraria arrecadar US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,3 bilhões na cotação atual) vendendo parte de seu “ativo mais valioso”, quando a organização possui bilhões de dólares em reservas e não tem dívidas.
Sua renúncia ocorre em um momento em que as 211 associações-membro da Fifa enfrentam pressão para decidir sobre a proposta controversa até 19 de setembro, com Cordeiro afirmando que elas “correm o risco de ficar para trás” se não a aceitarem.
“O próprio presidente da Fifa destacou os US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 76 bilhões na cotação atual) em receitas geradas entre 2022 e 2026”, acrescentou Cordeiro, afirmando que a Fifa já possui capacidade financeira para fornecer apoio adicional às associações-membro a partir de seus recursos existentes.
“Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido.”
Como conselheiro sênior do presidente da FIFA, a função de Cordeiro era “aconselhar a Fifa sobre novas iniciativas estratégicas para desenvolver o futebol em todos os níveis”.
Ao anunciar a nomeação em 2021, Infantino disse: “Carlos é a pessoa certa para nos aconselhar enquanto modernizamos nosso quadro regulatório e desenvolvemos o esporte de maneiras que promovam o futebol para homens, mulheres e jovens em todo o mundo.”
Cordeiro construiu uma longa carreira em negócios e bancos de investimento globais na Europa, Oriente Médio e África (EMEA) e em toda a Ásia, assessorando governos e algumas das maiores empresas internacionais do mundo.
Antes de ingressar na Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer), ele foi vice-presidente do Goldman Sachs e obteve um MBA pela Harvard Business School.
*R7/Esportes; Reuters – 31.07.2026


