A produção industrial avançou de 0,9% em março. Essa é a segunda alta consecutiva do segmento, que em fevereiro teve uma variação positiva de 0,1%, segundo dados do IBGE, divulgados nesta sexta-feira. No primeiro trimestre deste ano, o avanço é de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, 0,7%. Os resultados positivos, no entanto, ainda não animam analistas que ainda não vislumbram uma retomada de fôlego. Uma das preocupações, diz o economista Stéfano Pacini, pesquisador do FGV Ibre, é a indicação de aumento dos estoques:
– Ao mesmo tempo que a gente está vendo uma melhora da produção atual, há aumento também dos estoques. Isso foi algo que aconteceu durante o ano de 2023. Enquanto a produção melhorava ali de pouquinho em pouquinho, andava de lado, os estoques cresciam. Os estoques foram normalizados no final do ano. O resultado da Sondagem da Indústria, feito pelo FGV Ibre, já mostra um cenário semelhante. As empresas estão abastecendo as suas prateleiras, na expectativa de uma melhora de demanda do comércio ou de outras setores industriais. No entanto, para essa expectativa se consolidar é preciso que haja uma melhora da conjuntura econômica e nesse momento há muito incerteza.
Pacini, chama atenção ainda para o fato da alta do setor ser concentrada em dois segmentos basicamente: têxteis e alimentos.
– O ideal é que o crescimento aconteça de forma difusa. Isso mostraria uma aceleração de fato do setor – explica.
Na avaliação da economista Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “a indústria terá mais um ano de estagnação em 2024”. A sua expectativa é que o setor deve contribua com apenas 0,1 ponto percentual do crescimento de 2,2% que a economista projeta para o PIB deste ano.
Já Igor Cadilhac, economista do PicPay, tem uma visão mais otimista e espera “uma indústria relativamente positiva neste ano”. Em seu relatório ele aponta entre as razões para um viés altista para o setor: recuperação do setor manufatureiro global; balança comercial robusta, com bom desempenho das exportações de petróleo, minério de ferro e soja e; políticas de estímulos à atividade econômica por parte do governo, como o Novo Plano Industrial. Do lado baixista, o economista destaca: a desaceleração da economia global e;juros ainda altos e os efeitos defasados da política monetária. Cadilhac projeta uma variação de 1,6% para a produção industrial brasileira em 2024.
Fonte: O Globo/Foto: Márcia Foletto




