Seca transforma rios caudalosos em filetes de água em 5 cidades do AM

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Rios caudalosos se tornaram apenas um filete de água em meio à floresta densa no interior do Amazonas. A maior seca da história do estado impede a navegação e isola cidades. Em um município – Parintins – o nível do rio é negativo, está abaixo da marca zero da régua de medição. Em Manaus, Beruri, Careiro, Itacoatiara e Manacapuru as cotas de profundidade superaram os recordes da vazante de 2010. Um cenário nunca registrado em 120 anos.

Nesta semana, os rios em Manaus, Itacoatiara, Manacapuru e Parintins superaram marcas históricas da última grande seca no estado, conforme o 43º Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Amazonas divulgado pelo CPRM (Serviço Geológico do Brasil). Os dados das estações monitoradas foram coletados até quinta-feira (19).

“Toda a região está com níveis muito baixos [nos rios do Amazonas] para o período. Como Manaus atingiu a cota mínima [do Rio Negro] nesta semana superando a de 2010 [de 13,63 metros], a tendência é que o restante da bacia também iria se comportar desta forma, como é o caso de Manacapuru e Itacoatiara e hoje [sexta-feira, dia 20] Parintins”, disse a pesquisadora em geociências do Serviço Geológico do Brasil, Jussara Cury

No caso de Parintins, o nível das águas do Rio Amazonas está negativo. Nesta sexta-feira (20), a pesquisadora informou ao ATUAL que a profundidade do rio era de -1,90 metro, o que significa que está quase 2 metros abaixo do ponto zero da régua de medição. 

O nível do Rio Amazonas no município de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), inclusive, superou em 4 centímetros a cota negativa da vazante do dia 24 de outubro de 2010, quando ficou em -1,86 m.

Jussara Cury explicou que o CPRM não altera as marcas definidas nas réguas de medição das cidades quando o rio supera o mínimo para não afetar os dados históricos dos períodos de vazante e ch

“O rio normalmente tem uma seção de medição de nível do que é habitual para a cheia e a vazante. Se estabeleceu uma seção de níveis arbitrários e chegou até a régua zero [marca]. Então, às vezes o nível [do rio] fica tão abaixo desta seção habitual que tem que se instalar uma nova seção de régua […] Por isso que em algumas localidades está aparecendo a cota negativa”, afirmou a pesquisadora.

O município de Tabatinga (1.106 quilômetros de Manaus) também está com nível negativo no Rio Solimões [-26 cm]. Mas ao contrário de Parintins, que continua em processo de vazante, a cidade do Alto Solimões registra elevação do nível da água e não deve bater o recorde negativo da cota de -86 cm medido no dia 11 de outubro de 2010.

Todos os níveis mínimos históricos atingidos pelos rios Negro, Solimões, Amazonas e Purus nos seis municípios, conforme o boletim do CPRM, são em relação à seca de 2010, a maior do estado antes da estiagem severa deste ano. 

Em Manaus, a cota do Rio Negro na sexta-feira (20) foi de 13,19 metros, 44 centímetros abaixo da marca recorde há 13 anos. No município de Beruri (a 173 km da capital), a cota atual do Rio Purus não teve atualização e permanece em 4,70 m, a mesma informada pelo CPRM na segunda-feira (16). São 48 cm a menos da vazante registrada no dia 25 de outubro de 2010 [5,18 m].

No Careiro, a profundidade do Rio Solimões, à margem do Paraná do Careiro, estava em 94 cm na quarta-feira (18) e a água continua baixando e se distanciando da cota mínima histórica anterior, de 1,25 m. Em Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus), o Rio Amazonas superou, na quinta-feira (19), em 1 centímetro [90 cm] a marca de 91 cm da seca de 2010.   

Na cidade de Manacapuru (a 70 km de Manaus), o nível da água do Rio Solimões atingiu 3,61 metros também nesta quinta-feira. Já são 31 centímetros abaixo do recorde do dia 26 de outubro de 2010 [3,92 m].

Situação das bacias

No 43º Boletim de Monitoramento Hidrológico, o Serviço Geológico do Brasil informa a situação das bacias da Amazônia Ocidental. A bacia do Rio Negro tem apresentado “pequenas descidas em Tapuruquara e Barcelos” e continua em recessão.

Na do rio Solimões, a água voltou a subir em Tabatinga e apresentou no registro mais atual uma elevação de 24 cm. Mas na comunidade de Itapéua, na estrada para o município de Coari, teve descidas médias diárias de 11 cm.

Do lado da bacia do Rio Madeira, a cota manteve o processo de subida da água em Porto Velho (RO) e Humaitá (AM), enquanto na do Rio Amazonas, o processo de vazante continua e impacta até nos níveis das águas das cidades paraenses de Óbidos e Almerim. 

Confira os recordes da vazante no Amazonas
  1. Beruri (Rio Purus)

Cota atual: 4,70 m (16/10/2023) / Cota mínima: 5,18 m (25/10/2010)  

  1. Careiro (Paraná do Careiro)

Cota atual: 94 cm (18/10/2023) / Cota mínima: 1,25 m (25/10/2010)

  1. Itacoatiara (Rio Amazonas)

Cota atual: 90 cm (19/10/2023) / Cota mínima: 91 cm (24/10/2010)

  1.  Manacapuru (Rio Solimões)

Cota atual: 3,61 m (19/10/2023) / Cota mínima: 3,92 m (26/1o/2010)

  1. Manaus (Rio Negro)

Cota atual: 13,19 m (20/10/2023) / Cota mínima: 13,63 m (24/10/2010)

  1. Parintins (Rio Amazonas)

Cota atual: -1,90 m (20/10/2023) / Cota mínima: -1,86 m (24/10/2010) 

Foto: Camila Garcez/Idesam

*Amazonas Atual

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