Inauguradas em 2023, as duas cafeterias do Starbucks, em Blumenau (SC), correm o risco de fechar as portas precocemente. Ambas são alvo de ordens de despejo por atraso no pagamento de aluguéis. Diante da inadimplência, os shoppings Norte e Neumarkt, que pertencem ao Grupo Almeida Junior, acionaram a Justiça pedindo a rescisão dos contratos de locação e a desocupação das salas comerciais.
Segundo informações dos autos dos processos, aos quais a reportagem teve acesso, a dívida com o Norte Shopping, onde o Starbucks começou a operar em março deste ano, é de cerca de R$ 65 mil. Na loja do Neumarkt, aberta em abril, chega a quase R$ 40 mil. Ambas já estão sendo cobradas em ações próprias de execução.
Ao recorrer à Justiça, a Almeida Junior argumentou, nos dois casos, que a receita dos shoppings vem dos pagamentos dos lojistas, e que a inadimplência traz “evidente prejuízo” aos negócios. O grupo também diz não ter mais interesse em manter relações comerciais com o Starbucks.
Os dois processos, um de cada shopping, tramitam na 4ª Vara Cível de Blumenau e estão a cargo do juiz Iolmar Alves Baltazar. Em despachos do dia 10 de outubro, o magistrado determinou os despejos, mas condicionou o cumprimento da decisão liminar – ou seja, temporária, embora urgente – ao oferecimento de caução, por parte da Almeida Junior, no valor equivalente a três meses de aluguel.
Na prática, esta quantia, depositada em juízo pelos próprios shoppings, é reservada para eventuais indenizações a serem pagas ao Starbucks caso a decisão seja revertida.
Apesar da determinação, o juiz sustentou ainda que o Starbucks pode evitar a rescisão do contrato de locação e a desocupação se quitar a dívida dentro do prazo de defesa. Se isso não acontecer, a cafeteria é orientada a deixar o ponto de forma voluntária, sob pena de um despejo forçado.
Procurada, a Almeida Junior disse que não comentaria o assunto. A coluna não conseguiu contato, até o momento desta publicação, com o Starbucks. O espaço está aberto.
Crise
Os shoppings de Blumenau não são os únicos a moverem ações de despejo contra o Starbucks. A situação já se repete em centros comerciais de Minas Gerais. Até mesmo a sede da SouthRock Capital em São Paulo é alvo do mesmo tipo de pedido. Em todos os casos, os donos dos imóveis alegam atraso no pagamento dos aluguéis.
A SouthRock Capital atua como licenciada master e opera a marca Starbucks no Brasil. A empresa protocolou em 31 de outubro um pedido de recuperação judicial que inclui também as operações das redes de alimentação Eataly, TGI Friday’s e Brazil Airport Restaurants no país. A dívida total está estimada em R$ 1,8 bilhão.
Foto: Augusto Ittner, NSC Total
*Metrópoles




