‘Toca a sirene e tem que se esconder em um minuto e meio’, conta brasileiro que joga em Israel

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Desde o sábado (7), o mundo voltou as atenções para Israel, após o grupo terrorista Hamas, que comanda a região palestina da Faixa de Gaza, ter invadido o país e iniciado uma série de ataques contra civis.

A resposta israelense foi dura, e os conflitos já deixaram mais de 1.700 mortos (mais de mil israelenses e mais de 700 palestinos). 

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, 20 mil brasileiros vivem na região (14 mil em Israel e 6.000 na Palestina).

Entre eles, o jogador Felipe Santos, que, desde julho, atua pelo Hapoel Haifa, um dos mais tradicionais clubes de Israel.

Com uma bandeira israelense atrás dele, em sinal de apoio ao país, o atacante, que vive com a esposa, o filho e sua avó em uma casa em Haifa, no norte do país, relata o “clima de tensão no ar” sentido nos últimos dias, em entrevista ao R7.

“No lugar onde eu estou, em Haifa, não está tendo confronto, guerra. Por enquanto está tranquilo, a gente olha para fora e vê pessoas andando na rua, carros andando normalmente, só que a gente vê uma tensão no ar, vê o medo, algo que nunca presenciaram, apesar de Israel ser um país preparado para isso. A cada esquina tem um bunker [abrigo subterrâneo] e, quando toca a sirene, o alarme, todo mundo tem que se esconder em um minuto e meio. Esse é o tempo máximo para você não ser atingido”, conta o atleta de 26 anos.

Clube já sente efeitos do conflito

A direção do clube em que Felipe atua e a dos demais clubes israelenses liberaram os estrangeiros para deixar o país. Mas, na contramão dos demais jogadores “internacionais” do Hapoel, ele optou por continuar no país, mesmo com a tensão e a promessa de escalada do conflito nos próximos dias.

“Eles voltaram para o país deles em um ato de desespero. Tem quatro estrangeiros no meu time, só eu de brasileiro, e todos vão embora nesta terça, só com passagem de ida. Não sabem nem se vão voltar. Eu, com a minha família, pensamos muito bem e achamos que devemos manter a tranquilidade. Estamos em uma cidade tranquila, não aconteceu nada, então é mais fácil a gente esperar novas informações de como vai ser”, completa.

Entre as milhares de vítimas registradas nesta nova tensão entre Israel e o Hamas está um ex-jogador das categorias de base do Hapoel Haifa. Yaron Zohar, de 19 anos, que atuou pelo clube por mais de seis anos e era cabo do Exército israelense; ele foi morto em um confronto na Faixa de Gaza.

Um dos companheiros de time do brasileiro, o meio-campista israelense Itamar Noy, de 22 anos, se alistou no Exército do país. Se no sábado (7) ele se preparava para mais uma partida de futebol, nesta semana ele posou para uma foto com roupas militares e uma metralhadora.

A vontade de continuar no país reflete um sonho antigo de Felipe, que revela ter recusado propostas de clubes da Série A do Brasileiro para atuar em Israel. Durante a conversa, Felipe ressaltou o carinho e a admiração pelo país, embora diga que a segurança foi um tema discutido antes de firmar o contrato.

“Eu estudo sobre Israel há muitos anos, sabia que isso poderia acontecer. Tanto que, quando recebi a proposta, conversei com a minha esposa e procurei uma casa onde tivesse um bunker, onde eu pudesse me esconder com a minha família. Tudo foi pensado.”

Apesar de ter disputado apenas dez jogos pelo clube, as boas atuações no início da temporada e as atitudes fora do campo parecem ter conquistado a torcida.

No início desta semana, o Hapoel publicou um vídeo de Felipe doando mantimentos ao serviço de emergências e desastres de Israel, na cidade de Kiryat Motzkin, no distrito de Haifa.

“Obrigado pelo gesto comovente, Felipe. Nós amamos você”, escreveu o clube nas redes sociais. Nos comentários, muitos torcedores elogiaram a atitude do jogador.

Ele e a família retribuem esse amor: “É um país que nós sabemos que tem esse problema, mas é um país que amamos. Hoje nós estamos muito felizes em Israel. Apesar de tudo isso, nós esperamos ficar por muitos anos.”

*R7/FOTO: Reprodução Instagram

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