O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta sexta-feira (12), que o Irã vazou informações falsas sobre um acordo de paz para encerrar a guerra entre americanos, israelenses e iranianos, e acusou os líderes do regime de serem “pessoas muito desonrosas para se negociar”.
Em seu perfil no Truth Social, Trump afirmou que os comentários vazados do Irã sobre o memorando não representam o que foi acordado.
“O que eles disseram, incluindo sua declaração fraca e patética sobre um possível acordo, não tem nenhuma relação com a verdade. Pessoas muito desonrosas para se negociar. Com eles, não existe negociação de boa-fé . INCRÍVEL!”, escreveu ele no Truth Social.
Além da crítica ao vazamento de informações sobre o acordo, Trump acusou os iranianos de um ataque a embarcações indianas no estreito de Ormuz, o que classificou de “totalmente inaceitável”.
“É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO”, ameaçou o presidente dos Estados Unidos.
A manifestação ocorre após o Irã negar que o memorando de entendimento já tenha sido concluído. Mais cedo, a Guarda Revolucionária (IRGC) e fontes ligadas à equipe negociadora de Teerã afirmaram que o texto ainda depende de aprovação interna e desmentiram relatos de que a assinatura ocorreria no domingo (14), em Genebra.
A agência estatal IRNA também afirmou que o rascunho em discussão não prevê qualquer concessão iraniana sobre o controle do estreito de Ormuz nem o retorno às condições existentes antes da guerra.
Acordo em negociação
Um memorando entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra no Golfo pode ser assinado no domingo (14), informou uma fonte ocidental à Reuters nesta sexta-feira (12), com Genebra surgindo como o local mais provável para a assinatura.
A fonte disse que a redação do memorando ainda estava sendo finalizada e que o Irã mantinha sua posição de que o acordo também deve pôr fim aos combates no Líbano, onde Israel vem lutando contra a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã.
Os termos do acordo, conforme descritos na sexta-feira por autoridades iranianas, parecem oferecer a Teerã grande parte do que o país exigiu até agora, com Trump aparentemente conquistando pouco do que buscava, além da reabertura do estreito de Ormuz, que o Irã fechou após ele ter ordenado ataques em fevereiro.
Suspensão de sanções
Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters na sexta-feira que o rascunho suspenderia as sanções sobre o petróleo do Irã, descongelaria bilhões de dólares de seus fundos e exigiria a cessação das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano.
As questões nucleares seriam deixadas de lado para negociações posteriores. Washington quer um acordo para garantir que o Irã nunca desenvolva uma arma nuclear; o Irã afirma que não está buscando isso.
A suspensão das sanções, o descongelamento dos ativos iranianos e a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano são exigências essenciais do Irã. A fonte não mencionou o que o Irã poderia oferecer em troca. Não houve resposta imediata dos Estados Unidos.
A agência de notícias iraniana Mehr informou que os termos também incluíam outras concessões importantes dos EUA, incluindo o compromisso de retirar suas forças da região do Irã e apresentar um plano para a reconstrução da economia iraniana devastada.
“Os Estados Unidos e seus aliados precisam apresentar planos para a reconstrução do Irã no valor de pelo menos US$ 300 bilhões”, afirmou a reportagem da Mehr.
Israel quer impedir desbloqueio de ativos
Israel está pressionando os Estados Unidos para impedir o desbloqueio de ativos iranianos como parte do eventual acordo, segundo uma fonte israelense ouvida pela CNN Internacional.
De acordo com a fonte, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem mantido conversas frequentes com Trump, incluindo um telefonema na noite de quinta-feira (11), após o republicano afirmar que diversos países do Oriente Médio apoiam o entendimento em discussão.
Em comunicado divulgado na quinta, o gabinete de Netanyahu informou que Trump reiterou seu compromisso de que um eventual acordo final incluirá a remoção do material enriquecido do Irã, o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento nuclear, limites à produção de mísseis e o fim do apoio iraniano a grupos aliados na região.
Embora Israel não seja parte do memorando em negociação, o premiê manifestou apoio a esses objetivos, segundo a nota.
Já nesta sexta-feira, Netanyahu voltou a endurecer o tom. Em comunicado, afirmou que, enquanto permanecer no cargo, o Irã não terá armas nucleares. “O presidente Trump e eu estamos em total acordo sobre essa questão”, declarou.
Segundo a CNN Internacional, Israel continua cético quanto às intenções iranianas nas negociações e avalia que, mesmo que um memorando de entendimento seja assinado, isso não necessariamente resultará em um acordo definitivo entre as partes.
A CNN Internacional também informou que o anúncio feito por Trump sobre a proximidade de um entendimento surpreendeu Netanyahu, que participava de uma reunião de segurança sobre o Irã no momento da declaração do presidente americano.
*r7/Foto: Evan Vucci/Reuters – 10.06.2026




