Voo Rio-Paris: MP francês recorre de decisão que inocentou Airbus e Air France

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Ministério Público de Paris, na França, informou, nesta quinta-feira (27/4), ter entrado com recurso contra a decisão judicial que inocentou a Airbus e a Air France da acusação de “homicídio involuntário” no caso do acidente com o voo AF447 Rio-Paris. A queda do avião, em 2009, resultou na morte de 228 pessoas — entre elas 58 brasileiros.

Em 17 de abril, a Justiça francesa absolveu as duas companhias sob alegação de que, apesar de as empresas cometerem “falhas”, não foi possível demonstrar relação de causalidade com o acidente. Ou seja, o tribunal entendeu que não é possível garantir que um problema técnico provocou a queda da aeronave.

O avião caiu no Oceano Atlântico em 1º de junho de 2009, após passar por uma turbulência severa. A tragédia vitimou 228 pessoas — eram 216 passageiros e 12 tripulantes. Essa foi a ocorrência que mais causou mortes na história da aviação francesa.

Falhas nos sensores

Em 2011, investigadores franceses, com base em uma busca com submarinos, afirmaram que os pilotos responderam “com falha” a um problema envolvendo sensores de velocidade congelados.

As caixas-pretas confirmaram que o acidente aconteceu em decorrência do congelamento das sondas, quando o avião estava em voo de cruzeiro em uma zona com condições meteorológicas diversas. O problema fez com que os aparelhos relatassem informações de altitude de forma incorreta, o que levou os pilotos a perderem o controle da aeronave.

Investigações relataram que danos parecidos nos sensores aconteceram antes do acidente, o que levantou questionamentos sobre o papel das empresas no ocorrido.

Ao anunciar o veredito, o juiz do tribunal criminal de Paris listou vários atos de negligência de ambas as empresas, mas entendeu que eles ficaram “aquém da certeza necessária para estabelecer responsabilidade firme pelo pior desastre aéreo”.

Entenda

Na madrugada de 1º de junho de 2009, o avião AF447 caiu no Oceano Atlântico, quase quatro horas após decolar do Rio de Janeiro. Todas as 228 pessoas que estavam a bordo morreram, entre passageiros e tripulantes.

As duas empresas negam qualquer falha. Embora os juízes de instrução tenham arquivado o caso em 2019, os familiares das vítimas e os sindicatos dos pilotos recorreram e, em maio de 2021, os tribunais enviaram as duas empresas a julgamento por homicídio doloso.

*Metrópoles

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