Tiros em jantar com Trump reacendem alerta sobre violência política

Publicado em

O ataque a tiros ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último sábado (25/4), foi classificado pela Casa Branca como resultado da “demonização sistemática” do líder norte-americano por adversários políticos.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou o episódio como a terceira grande tentativa de assassinato contra Trump. Ele já foi alvo de dois ataques desde a campanha de reeleição.

“Ninguém nos últimos anos tem enfrentado mais balas e mais violência do que o presidente Donald Trump. Essa violência política se destaca por uma demonização sistêmica dele e de seus apoiadores por comentaristas, membros eleitos do partido democrata e até mesmo pela mídia. Esse ódio […] dia após dia, pelos últimos 11 anos, ajudou a legitimar essa violência e nos trouxe até esse momento sombrio”, afirmou nessa segunda-feira (27/4).

Do outro lado, democratas apontam que a radicalização vem sendo alimentada há anos por discursos inflamados — inclusive do próprio Trump — e alertam para o risco de normalização da violência como ferramenta política. Na história dos Estados Unidos, quatro presidentes em exercício foram assassinados.

Uma das vozes a se manifestar foi o democrata e ex-presidente do país Barack Obama, que pediu, no domingo (26/4), para que a violência não tenha espaço na democracia. “Embora ainda não tenhamos todos os detalhes sobre as motivações, cabe a todos rejeitar a ideia de que a violência tenha lugar em nossa democracia”, escreveu.

Na Europa, uma das primeiras a se manifestar foi a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que também reforçou que “a violência política não tem lugar em uma democracia”. Ela ainda lembrou do simbolismo do ataque ter acontecido em um jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca. “Um evento que celebra a liberdade de imprensa jamais deveria se transformar em uma cena de terror”, disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade ao líder norte-americano e destacou que a violência política vai de encontro aos valores democráticos. “O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos, que todos devemos proteger”, escreveu nas redes sociais.

O francês Emmanuel Macron classificou o ataque como “inaceitável” e expressou apoio a Trump. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manifestou “solidariedade e compaixão”.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse estar aliviada por Trump e a primeira-dama Melania Trump estarem a salvo. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, desejou segurança ao casal. “A violência não tem lugar em uma democracia”, afirmou. Já o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, reforçou que disputas políticas devem ocorrer “com ideias, não com violência”.

Quatro presidentes assassinatos

A história norte-americana é marcada pela violência política. Quatro presidentes do país foram assassinados durante o exercício do mandato.

  • Abraham Lincoln, em 1865
  • James A. Garfield, em 1881
  • William McKinley, em 1901
  • John F. Kennedy, em 1963

Além disso, outros dois sofreram tentativas de assassinato: Ronald Reagan, em 1981, e Theodore Roosevelt, em 1912, quando não estava mais no cargo.

Eduardo alerta Flávio

O episódio também repercutiu no Brasil. Nas redes sociais, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro alertou o irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, após o ataque.

“Essa questão toda aí, de novo, uma tentativa de assassinato contra o presidente Trump, e foi tentativa que só não foi colocada adiante, porque as forças de segurança entraram em campo e conseguiram deter uma pessoa armada”, afirmou.

Ainda de acordo com o ex-deputado, políticos alinhados à direita estariam mais expostos a esse tipo de risco. “Então isso é um alerta até para que o próprio Flávio Bolsonaro tenha que redobrar a sua segurança”, completou.

De acordo com boletins do Observatório da Violência Política e Eleitoral, produzidos pelo Grupo de Investigação Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o ano de 2022 registrou um total de 557 casos de violência política no Brasil.

Casos de violência atingiram legendas de diferentes espectros ideológicos:

  • PT (Partido dos Trabalhadores): Foi o mais atingido no 1º trimestre (10 casos), 3º trimestre (37 casos) e 4º trimestre (33 casos).
  • PL (Partido Liberal): Aparece com frequência entre os mais atingidos, especialmente no segundo semestre, com 17 casos no 3º trimestre e 19 no 4º.
  • PSD (Partido Social Democrático): Liderou o ranking no 2º trimestre, com 12 casos registrados.

Relembre o caso

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas de um jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, na noite de sábado (25/4), após um homem armado tentar invadir o local. Investigadores apontam que um possível “sentimento anti-Trump” motivou o ataque.

Identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, o suspeito enviou um e-mail com um manifesto contra o governo a familiares pouco antes dos disparos. No texto, em tom de desabafo, o professor relatou estar tomado por raiva em relação à gestão de Trump.

Allen afirmou que pretendia atingir autoridades de alto escalão e que não hesitaria em atirar contra seguranças ou funcionários do hotel para alcançar seus alvos.

“Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor lave minhas mãos com seus crimes (…) Eu ainda estaria disposto a passar por quase todos aqui para chegar aos alvos se fosse absolutamente necessário”, escreveu.

Nessa segunda-feira (27/4), o suspeito foi formalmente acusado de três crimes: transporte de arma de fogodisparo de arma durante crime violento e tentativa de assassinato do presidente dos Estados UnidosSe condenado, pode pegar prisão perpétua.

Fonte: Metrópoles/Foto: Foto: Al Drago/Getty Images

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

MPF aciona Justiça para resolver zona crítica no aeroporto de Barcelos

O MPF (Ministério Público Federal) acionou a Justiça para...

Justiça Federal suspende editais para obras na BR-319 no Amazonas

A juíza Mara Elisa Andrade, da Justiça Federal do...

Capitão Carpê vota contra empréstimo de R$ 620 milhões e alerta: dívida vai custar mais de R$ 1 bilhão ao contribuinte

Parlamentar cobrou transparência, prestação de contas dos empréstimos anteriores...

Flagrado com R$ 746 mil no carro disse que pegou dinheiro em reunião do Podemos

Um homem flagrado transportando R$ 746 mil em dinheiro vivo no...