Parlamentar cobrou transparência, prestação de contas dos empréstimos anteriores e defendeu que a Prefeitura enxugue gastos antes de contrair novas dívidas
O vereador Capitão Carpê (PL) votou, nesta segunda-feira (27), contra o projeto de lei que autoriza a Prefeitura de Manaus a modificar um artigo da lei que viabiliza uma operação de crédito de R$ 620 milhões junto ao Tesouro Nacional. O parlamentar apresentou uma análise técnica detalhada sobre os riscos do endividamento e criticou a ausência de transparência, de destinação específica dos recursos e de prestação de contas sobre os empréstimos anteriores já contraídos pela gestão municipal.
Carpê alertou que o valor de R$ 620 milhões é apenas o valor a ser acessado da dívida. Segundo os documentos técnicos da própria Prefeitura, o custo total da operação ultrapassa R$ 1 bilhão, sendo R$ 438 milhões referentes apenas a juros e encargos financeiros. Na prática, para cada real emprestado, o contribuinte manauara devolverá mais de um real e sessenta centavos ao banco.
“Manaus não está contratando R$ 620 milhões. Está contratando uma dívida de mais de R$ 1 bilhão que será paga pelas próximas três gestões municipais. A população precisa saber disso”, afirmou o vereador.
Em sua análise, o vereador apontou que o projeto aprovado não apresenta lista de obras específicas, não informa quais bairros serão contemplados, não define prazos de execução e não identifica as empresas que serão contratadas. Os recursos são descritos de forma genérica, com menção ampla a áreas como infraestrutura, mobilidade urbana, saúde e educação, sem qualquer detalhamento que permita fiscalização pela sociedade.
“A população não sabe o que vai ser feito com esse dinheiro. Não tem obra, não tem endereço, não tem prazo. É um cheque em branco assinado pelo contribuinte manauara”, disse.
O parlamentar também cobrou prestação de contas sobre os empréstimos contratados nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, a Prefeitura de Manaus acumulou R$ 2,47 bilhões em operações de crédito, montante que pode chegar a R$ 3,12 bilhões com as projeções de 2026. Obras prometidas nesses contratos, como viadutos na Avenida das Torres, na João Valério com a Djalma Batista e na Avenida Coronel Teixeira, seguem sem entrega. O Parque Encontro das Águas, incluído no pedido de empréstimo de R$ 580 milhões com prazo para setembro de 2024, também não foi concluído.
“Cadê a prestação de contas? Quase R$ 2,5 bilhões foram emprestados em nome do povo de Manaus. Onde estão as obras? Onde estão os viadutos? Onde está o resultado prático na vida de quem mora nos bairros?”, questionou.
O vereador defendeu ainda que a Prefeitura deveria adotar a mesma lógica exigida de qualquer cidadão comum antes de recorrer a crédito: cortar gastos, enxugar a máquina pública e reorganizar as finanças antes de contrair novas dívidas.
“Quando um cidadão está endividado, o banco não libera novo crédito sem que ele reorganize a vida financeira primeiro. A Prefeitura deveria fazer o mesmo. Enxugue a máquina. Reveja contratos. Corte o supérfluo. Não dá para cobrir rombo com mais dívida”, afirmou o parlamentar.
O vereador lembrou que em 2025 a Prefeitura destinou quase R$ 900 milhões apenas para pagamento de amortizações e juros de empréstimos anteriores, valor que compromete diretamente o orçamento de áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura urbana.
O problema não é o investimento em si, mas a forma irresponsável, opaca e sem lastro com que os empréstimos vêm sendo conduzidos. A Prefeitura tem o dever de apresentar resultados concretos antes de apresentar novas dívidas.
“A população de Manaus merece respeito. Merece saber para onde vai cada centavo do seu dinheiro. Enquanto não houver transparência, enquanto não houver prestação de contas, enquanto não houver obra entregue com o que já foi emprestado, meu voto será sempre contra”, concluiu o vereador.
Fonte: Assessoria/Foto: Assessoria




