Justiça Federal suspende editais para obras na BR-319 no Amazonas

Publicado em

A juíza Mara Elisa Andrade, da Justiça Federal do Amazonas, suspendeu nesta terça-feira (28) os editais de licitação para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. A decisão atende a pedido apresentado em ação civil pública pelo Observatório do Clima e interrompe, por 70 dias, os pregões eletrônicos lançados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Os editais suspensos referem-se à contratação de empresas para executar serviços de pavimentação e melhoramento em diferentes segmentos da rodovia. Os certames estavam previstos para ocorrer nos dias 29 e 30 de abril e envolvem investimento estimado em R$ 678 milhões.

Ao determinar a suspensão dos pregões, Mara Elisa fixou multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento, a incidir sobre o “patrimônio pessoal do agente público responsável”.

Na decisão, Mara Elisa entendeu que há indícios de irregularidade no enquadramento das obras como simples manutenção, o que permitiu ao Dnit dispensar o licenciamento ambiental. Para a magistrada, a classificação pode ser incompatível com o histórico técnico que aponta a obra como de significativo impacto ambiental.

A juíza considerou que a continuidade dos pregões poderia gerar danos ambientais de difícil reversão, além de consolidar contratos públicos antes da análise completa da legalidade do processo. Ela também avaliou que a suspensão não causa prejuízo imediato, já que as licitações podem ser retomadas posteriormente.

“Não se pode admitir que os serviços qualificados como ‘melhoramentos e manutenções’ sejam ignorados ou subtraídos do controle público, notadamente quando em risco de graves danos irreversíveis à integridade ecossistêmica da Floresta Amazônica”, diz a decisão.

Com a decisão, os editais ficam suspensos até que sejam prestados esclarecimentos pelo Dnit e haja manifestação de órgãos ambientais, como o Ibama, sobre a necessidade de licenciamento para as intervenções na rodovia.

O ajuizamento da ação pelo Observatório do Clima gerou indignação de políticos amazonenses, que se articularam para fazer mudanças na legislação em 2025 e, com isso, viabilizar as obras na rodovia.

A Lei nº 15.190/2025 prevê a dispensa de licença para serviços e obras “direcionados à manutenção e ao melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas e dragagens de manutenção”. Essa regra foi utilizada para a abertura dos editais.

Os senadores Eduardo Braga (MDB), Omar Aziz (PSD) e Plínio Valério (PSDB) criticaram a atuação da ONG.

“Não dá para aceitar que essa gente que não vive aqui decida o nosso futuro”, disse Braga. “Espero que a Justiça tenha a sensibilidade de entender a importância que a BR-319 tem para o povo amazonense”, afirmou Aziz. “Essas ONGs ambientalistas saqueiam o Amazonas e querem nos oprimir e abandonar”, declarou Valério.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: Orlando K_Junio/Divulgação

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Assine Grátis!

Popular

Relacionandos
Artigos

MPF aciona Justiça para resolver zona crítica no aeroporto de Barcelos

O MPF (Ministério Público Federal) acionou a Justiça para...

Capitão Carpê vota contra empréstimo de R$ 620 milhões e alerta: dívida vai custar mais de R$ 1 bilhão ao contribuinte

Parlamentar cobrou transparência, prestação de contas dos empréstimos anteriores...

Tiros em jantar com Trump reacendem alerta sobre violência política

O ataque a tiros ao presidente dos Estados Unidos,...

Flagrado com R$ 746 mil no carro disse que pegou dinheiro em reunião do Podemos

Um homem flagrado transportando R$ 746 mil em dinheiro vivo no...