Árvores nas cidades devem ser monitoradas para prevenir apagões

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A maior incidência de eventos climáticos extremos no Brasil – a exemplo das enchentes em Porto Alegre, ocorridas entre abril e maio, e o vendaval em São Paulo, em outubro – exigem um planejamento específico e detalhado de vários aspectos relacionados à infraestrutura das metrópoles.

Um desses aspectos é o monitoramento das árvores, que podem se tornar um grande problema quando caem sobre a rede elétrica ou atingem veículos e pessoas, colocando em risco o abastecimento de energia, a mobilidade urbana e a integridade física da população.

A gestão das árvores em ambiente urbano se torna, assim, tema prioritário dentro de um pacote de ações que inclui investimentos para ampliar a resiliência das redes e o aprimoramento das ferramentas meteorológicas. Ao lado dessas preocupações, é preciso consolidar uma regulação que contemple a nova realidade trazida pela mudança climática.

Um dos pontos que sempre têm vindo à tona nas discussões a respeito envolve a responsabilidade sobre a manutenção do conjunto de árvores que existem no espaço público de uma cidade.

“Árvore é responsabilidade da prefeitura. Não deve e não pode ser uma função da concessionária. O Plano Diretor de Arborização Urbana é o documento específico que regulamenta isso”, esclareceu o biólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, Sergio Brazolin, durante o seminário Eventos Climáticos Extremos: Experiência Internacional e Impactos nas Redes de Energia Elétrica, realizado em Brasília pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

O especialista explicou que, embora as concessionárias de energia elétrica tenham a responsabilidade compartilhada de podar árvores que eventualmente toquem a rede, toda a parte de plantio, remoção, substituição e manejo é de responsabilidade municipal.

A sócia da Delta Infra e consultora legislativa da Câmara dos Deputados, Rose Hofmann, complementou afirmando que a arborização urbana precisa ser vista não apenas como uma infraestrutura verde, mas como um serviço prestado e que precisa de manutenção, da mesma forma que ocorre com asfalto, rede de esgoto ou sistema de drenagem. “A partir desse olhar integrado, a gente começa a ver planejamento e execução urbana com mais convergência e menos conflitos”, ela observou.

Longo prazo

Mediadora do debate, a vice-presidente de Regulação, Institucional e Sustentabilidade da Neoenergia, Solange Ribeiro, destacou que a busca por soluções vai além dos R$ 130 bilhões que as distribuidoras investirão nos próximos quatro anos no País. “A questão climática é um grande desafio global e um dos riscos mais relevantes para as empresas do setor elétrico. Por isso, é preciso pensar em soluções para aumentar a resiliência climática, estratégia que vai muito além do investimento: é preciso pensar em formas de fazer diferente”.

O meteorologista Pedro Regoto, da Climatempo, reforçou a importância dos dados meteorológicos como fonte essencial para aprimorar a resposta aos eventos extremos. “Faltam dados no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, o território é inteiramente coberto por radares, que, junto com as estações meteorológicas, são as principais ferramentas para proporcionar melhores previsões”, explicou o especialista ao defender esse tipo de investimento.

Um dos painéis debateu alternativas regulatórias que incentivem e reconheçam investimentos das concessionárias nas redes de distribuição de energia elétrica para aumento da resiliência e enfrentamento dos eventos climáticos extremos. Essas discussões foram em grande parte baseadas em experiências de países onde esse tipo de ocorrência é comum.

De acordo com o consultor e ex-vice-presidente da distribuidora de energia Florida Power (EUA), Michael Spoor, um dos participantes do debate, a resiliência da infraestrutura é resultado dos investimentos a longo prazo: “Em 2005, com o furacão Wilma, foram 18 dias para restabelecer a energia. Em 2022, após o furacão Ian, que foi muito mais forte, foram necessários oito dias, sendo que 66% dos consumidores já tiveram o fornecimento restabelecido em 24 horas Mas foram quase duas décadas de um forte investimento para chegar a esses resultados”, descreveu.

Fonte: Amazonas Atual/Foto: IMMU/Divulgação

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