Cantora do Caprichoso é vítima de agressão e intolerância religiosa no Amazonas

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A cantora do boi Caprichoso, Mara Lima, relatou em vídeo divulgado nas redes sociais agredida por um homem e sofreu intolerância religiosa, na noite de quarta-feira (17). Segundo a cantora, o suspeito a feriu com uma chave de carro e com um soco porque ela usava uma blusa do boi-bumbá. O local onde aconteceu o caso não foi divulgado pela vítima.

Na denúncia, Mara afirma que o agressor disse palavras em tons de intolerância religiosa. “Tira essa camisa. Ela só traz desgraça, camisa do demônio. O boi é do demônio. O boi é do inimigo. Eu carrego o demônio comigo e está repreendido em nome de Jesus”, relatou a cantora.

Em vídeo, a levantadora mostra os ferimentos deixados pelo religioso com marcas pelo rosto e queixo. Mara afirma que o agressor disse palavras com tom de intolerância religiosa. Ele foi preso pela Polícia Militar, de acordo com a levantadora de toadas.

“Eu fui pega de surpresa. Eu peguei um soco no nariz e essas escoriações aqui foram com chave de carro, quase atinge meu olho, faltou poucos centímetros. Isso aqui a pessoa tentou morder e mordeu meus seios. Eu tentei me defender, sim, porque eu não ia apanhar de graça”, desabafou.

O boi-bumbá Caprichoso se apresenta no Festival Folclórico de Parintins, que acontece anualmente em Parintins, interior do Amazonas. O boi disputa contra o Garantido, boi de cor vermelho e branco. Na arena do Bumbódromo, as duas agremiações defendem um tema, apresentando alegorias gigantes e danças ao som de toadas, ritmo musical tipicamente amazonense.

Em nota, o boi Caprichoso demonstrou apoio e solidariedade à amazonense. “Mara foi agredida apenas por andar com uma camisa de boi-bumbá, tendo sua vida e o próprio bumbá associados ao demônio”, disse.

A equipe do boi-bumbá também se manifestou sobre o crime de intolerância religiosa praticado contra Mara Lima.

“A intolerância mata. Somos cultura e resistência. Respeitamos toda e qualquer forma de manifestação religiosa e a liberdade de exercê-la, lembrando sempre a laicidade do Estado: o respeito precisa ser bandeira de todos e todas. O que deve ser repreendido é tida e qualquer forma de violência, especialmente contra nossas mulheres! Força, Mara!”, completou.

*G1/AM/Foto: Redes Sociais

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