Deputados do DF aguardam diagnóstico sobre rombo para votar socorro ao BRB

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O valor necessário para reequilibrar as finanças do BRB (Banco de Brasília) ainda é desconhecido. Apesar da incerteza sobre o tamanho exato do impacto financeiro, o GDF (Governo do Distrito Federal) encaminhou à Câmara Legislativa um projeto de lei que pede autorização para contratar operações de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e outras instituições financeiras.

O montante previsto no texto dá a dimensão da gravidade da crise enfrentada pela instituição após as polêmicas envolvendo o Banco Master.

Além da autorização para empréstimos, o projeto prevê a possibilidade de utilização de imóveis públicos como garantia em operações financeiras. A versão inicial da proposta listava 12 imóveis. Depois de ajustes, o número foi reduzido para nove (confira a lista dos imóveis abaixo). As mudanças ocorreram nessa terça-feira (24) após reunião de líderes da Câmara Legislativa realizada a portas fechadas na antessala do plenário.

O projeto foi encaminhado após a liquidação do Banco Master e tem como objetivo reforçar a estrutura financeira do BRB, que entrou em crise depois da tentativa de aquisição da instituição privada no ano passado. Durante as negociações, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master que, segundo a Polícia Federal, apresentariam irregularidades ou ausência de garantias reais.

O texto autoriza o GDF, na condição de acionista controlador, a adotar medidas para reforçar a estrutura de capital e a liquidez do banco. Entre as alternativas previstas, estão aportes diretos de recursos e a realização de operações financeiras permitidas pelas normas do sistema financeiro nacional.

Na próxima segunda-feira (2/3), o presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, deve comparecer à Câmara Legislativa para prestar esclarecimentos sobre a situação econômico-financeira da instituição.

Tamanho do ‘buraco’

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) afirmou que o presidente do BRB terá de explicar o tamanho do “buraco” e a real situação do banco.

“A questão do BRB e do Banco Master é que os criminosos que dilapidaram o patrimônio público e que agora querem pegar parte desse patrimônio para cobrir um buraco, que não fomos nós, a sociedade, que protagonizou isso. Portanto, quem fez tem que ser punido. O governador do Distrito Federal, portanto, tem que responder pelo que ele fez”, declarou o parlamentar.

O deputado distrital Hermeto (MDB), por sua vez, comentou as mudanças no projeto e disse que tudo será discutido de forma exaustiva até que haja uma solução.

“A gente vai discutir exaustivamente o projeto, para que a gente possa fazer da melhor forma possível. Todos os deputados estão conscientes, tranquilos, para a gente resolver esse problema e salvar o BRB. O principal é salvar o nosso banco, os quatro mil empregos que tem lá, é não deixar federalizar o banco, é não deixar o banco, que é um patrimônio do povo do Distrito Federal, que é um patrimônio da população. O BRB é um banco lucrativo, é um banco social do Distrito Federal”, ressaltou.

O deputado distrital Gabriel Magno (PT) destacou que ainda há um longo caminho de esclarecimentos pela frente.

“O governo precisa apresentar uma explicação, precisa dar números, qual é o tamanho do rombo, hoje, do BRB, quanto que o governo do Distrito Federal, o tesouro do Distrito Federal, vai precisar colocar para a gente salvar o BRB. O debate foi quente na reunião ali com os parlamentares, tem um consenso, todo mundo quer salvar o BRB. Agora, para salvar o BRB, a gente precisa ter informação, a gente precisa ser honesto, a gente precisa ter transparência, qual é o tamanho do rombo e quais são as possibilidades”, sustentou.

Já o distrital Pastor Daniel de Castro (Progressistas) salientou que o valor solicitado é alto, mas defendeu cautela na análise. “É um tempo de muito estudo, de correr atrás e de fazer nossas responsabilidades, mas com muito critério, a começar pelo presidente atual do BRB vir a essa casa, prestar todos os esclarecimentos e mostrar tudo o que ele tem. Agora, seguramente precisamos colocar uma mão pesada para punir quem fez besteira, seja quem for, doa quem doer”, declarou.

Turbulências

A relação entre o BRB e o Banco Master foi marcada por turbulências. O cenário se agravou com a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025 para apurar um suposto esquema de fraudes financeiras e irregularidades em carteiras de crédito do Master. A ofensiva resultou em prisões e na liquidação do Master pelo Banco Central.

Uma segunda fase da operação ocorreu em 14 de janeiro de 2026, com novas buscas, apreensões e investigação ampliada sobre suspeitas de fraudes e crimes financeiros relacionados ao caso.

Veja a lista de imóveis públicos propostos como garantia:

  • SIA – Trecho Serviço Público – Lote G (propriedade do DF);
  • SIA – Trecho Serviço Público – Lote I (propriedade do DF);
  • SIA/SUL – Área de Serviços Públicos – Lote B (Sede da Novacap);
  • Taguatinga – Qd 3, Conj A, Lote 1 (Centrad);
  • SAI/N (antigo lote da PM) — equivalente ao SAIN.
  • SIA – Trecho Serviço Público – Lote F (CAESB);
  • SIA – Trecho Serviço Público – Lote H (DF);
  • SIA – Trecho Serviço Público – Lote C (CEB);
  • Gleba “A” – (com 716 hectares) (Terracap).

*r7/Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília – 02.09.2020

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