Orçadas em R$ 43,8 milhões, as pontes sobre os rios Curuçá e Autaz Mirim, na rodovia BR-319, no Amazonas, não foram concluídas em razão de atraso da empresa contratada, segundo informou o superintendente do Dnit no Amazonas, Orlando Fanaia Machado.
O prazo para conclusão das obras termina no dia 10 deste mês. Conforme o superintendente, o Dnit avalia não renovar o contrato e buscar outra solução para “em um prazo menor de tempo entregar essas obras”.
“Estamos chegando em outubro, que seria o prazo final da empresa de entregar o empreendimento. Ela [empresa] não cumpriu o contrato”, afirmou Orlando em entrevista ao podcast da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas) na segunda-feira (30).
“Isso está sendo discutido a nível de diretoria, e nós vamos fazer tomar medidas para recuperar esse tempo que não fechou o empreendimento. Há a ideia de não renovação desses contratos e tomar outras soluções para que a gente possa entregar essas pontes”, completou o superintendente.
A ponte sobre o Rio Curuçá, no km 23, caiu no dia 28 de setembro de 2022 e deixou cinco mortos. Dez dias depois, em 8 de outubro, a ponte sobre o Rio Autaz Mirim, no km 24, também desabou.
Desde setembro de 2023, balsas têm sido usada de forma improvisada para travessia dos veículos. “Não tem interrupção do tráfego porque o rio acabou não subindo o mesmo que em geral. Então, a gente conseguiu, colocando um pouco mais de pedra, de rachão nas pontas, manter essas balsas fixas. Hoje não tem nenhuma interrupção”, disse Orlando Machado.
Em janeiro e março de 2023, após decretar emergência para contratar sem licitação, o governo federal assinou dois contratos com a J Nasser Engenharia, do empresário amazonense José Nasser, para construção das estruturas sobre os rios.
A ponte sobre o Rio Curuçá foi orçada em R$ 24,8 milhões, mas já está custando R$ 27,7 milhões, segundo dados do Portal da Transparência do governo federal. A obra sobre o Rio Autaz Mirim foi avaliada em R$ 18,9 milhões.
A expectativa era que as obras fossem concluídas no segundo semestre do ano passado. Inicialmente, o prazo foi fixado em outubro de 2023, mas foi prorrogado por mais um ano. Ainda assim, conforme Orlando Machado, as obras emperraram.
“Esse empreendimento acabou tendo um atraso e o Dnit fez uma renovação do prazo de execução. As medidas administrativas estavam sendo tomadas, que foram a decretação de emergência, a contratação de empresa para fazer o empreendimento, recurso para trabalhar, mas infelizmente acabou que o trabalho não se desenvolveu como a gente pensava”, afirmou Orlando Machado.
Em fevereiro deste ano, 1 ano e 4 meses após os desabamentos, o ATUAL constatou que no trecho sobre o Rio Curuçá haviam sido construídas apenas as bases, em concreto, para as novas colunas de sustentação.
O superintendente do Dnit afirma que o departamento estuda adotar outras medidas para concluir as obras. “Nós também estamos angustiados. A gente entende que é um caso primordial, até para a gente começar a focar em outros empreendimentos aqui dentro também”, afirmou Orlando Machado.
“A gente está tomando outras medidas para que a gente realmente possa entregar as plantas. Sofreu um atraso e nós vamos agora recuperar esse atraso, tomar medidas para que a gente possa em um prazo menor de tempo entregar essas obras”, completou o superintendente.
Foto: Cleber Oliveira/*AM ATUAL




