Dólar e Bolsa caem com cessar-fogo prorrogado e incerteza sobre guerra

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O dólar passou a operar em baixa, nesta quarta-feira (22/4), um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, atendendo a um pedido do Paquistão, que vem mediando as negociações pelo fim do conflito no Oriente Médio.

O líder norte-americano condicionou a continuidade da trégua à apresentação de proposta unificada por parte de Teerã. O Estreito de Ormuz, por sua vez, continua bloqueado, o que segue preocupando o mercado e afetando os preços internacionais do petróleo – que operavam em alta nesta manhã, rondando os US$ 100.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Dólar

  • Às 10h34, o dólar caía 0,23%, a R$ 4,964.
  • Mais cedo, às 9h14, a moeda norte-americana avançava 0,14% e era negociada a R$ 4,981.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,99. A mínima é de R$ 4,958.
  • Na última segunda-feira (20/4), o dólar terminou a sessão em queda de 0,18%, cotado a R$ 4,974, mantendo o menor patamar desde março de 2024.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,94% no mês e de 9,37% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em queda no início do pregão.
  • Às 10h37, o Ibovespa recuava 0,77%, aos 194,6 mil pontos.
  • No último pregão, o indicador fechou em alta de 0,2%, aos 196,1 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 4,63% em abril e 21,73% em 2026.

Trump prorroga cessar-fogo com Irã

A decisão de Donald Trump de estender o cessar-fogo com o Irã, após mediação do Paquistão, marca um recuo na retórica do líder norte-americano e aprofunda a incerteza sobre os rumos do conflito. O anúncio ocorre depois de uma sequência de ameaças a Teerã e da ausência de resposta iraniana às propostas de negociação.

A prorrogação da trégua foi condicionada à apresentação de uma posição unificada por parte do Irã, deixando em aberto o período que irá durar.

Ao mesmo tempo, Trump deixou claro que a pressão militar segue como peça central da estratégia norte-americana. “Ordenei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e permaneçam prontas e aptas”, afirmou.

Horas antes de anunciar a prorrogação do cessar-fogo, o republicano havia adotado um tom mais agressivo. Em entrevista, chegou a declarar que esperava retomar bombardeios caso não houvesse avanço nas negociações.

“Eu espero bombardear. Porque acho que esta é a melhor atitude para lidar com a situação”, declarou, reforçando que não pretendia ampliar a trégua, inicialmente.

Dias antes, Trump já havia adiantado tal retórica. “Eles vão negociar, e, se não o fizerem, vão enfrentar problemas como nunca viram antes”, afirmou.

O chefe da Casa Branca parecia convicto de que o regime iraniano aceitaria negociar com o governo norte-americano e afirmou que esperava que Teerã aceitasse um “acordo justo”, no qual “todos ficariam felizes”.

A mudança de postura, então, indica recuo diante da estagnação diplomática e da pressão de frentes mediadoras por uma solução negociada.

No entanto, apesar da trégua, os EUA mantêm o bloqueio naval ao Irã, incluindo áreas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa parcela significativa do petróleo mundial.

Se Ormuz for reaberto, nunca haverá acordo, diz Trump

Trump afirmou ainda que a reabertura do Estreito de Ormuz impediria qualquer avanço em um eventual acordo com o Irã. Em publicação nas redes sociais, ele condicionou as negociações, atualmente paralisadas, ao bloqueio naval do corredor marítimo.

“Há quatro dias, algumas pessoas me procuraram dizendo: ‘Senhor, o Irã quer abrir o Estreito imediatamente’. Mas se fizermos isso, nunca haverá um acordo com o Irã, a menos que explodamos o resto do país, incluindo seus líderes”, escreveu o republicano.

Segundo Trump, o governo iraniano não tem interesse real em manter a rota fechada, já que depende economicamente do fluxo na região. “Eles querem que ele fique aberto para faturar cerca de 500 milhões de dólares por dia – é isso que estão perdendo com o bloqueio”, declarou.

O norte-americano afirmou também que Teerã estaria apenas “mantendo as aparências”. “Eles só dizem que querem que ele seja fechado porque eu o bloqueei completamente (fechei!). Então, eles só querem ‘manter as aparências’”, frisou Trump.

Irã: bloqueio dos EUA é continuação da guerra

Por outro lado, o Irã afirmou que a manutenção do bloqueio naval pelos EUA equivale à continuidade das hostilidades e indicou que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto a medida estiver em vigor. A declaração foi dada após Donald Trump anunciar a prorrogação do cessar-fogo no conflito, sem suspender o bloqueio na região.

“A continuação de um bloqueio naval equivale a hostilidade continuada; enquanto o bloqueio persistir, o Irã não reabrirá o Estreito de Ormuz e, se necessário, quebrará o bloqueio pela força”, informou a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, em mensagem atribuída ao Irã.

Fonte: Metrópoles/Foto: Jackal Pan/Getty Images

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